Análise do instituto aborda fatores como restrição da oferta de fertilizante, maior competição com grãos e alta do petróleo
Com nove dias de conflito, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia tem (e terá) diversas repercussões sociais e econômicas, com reflexos em todo o mundo. Para o setor sucroenergético não seria diferente. Com insumos e produtos impactados pelo câmbio e pelo petróleo, é inevitável que as consequências do conflito cheguem às usinas.
Durante o primeiro Expedição Custos Cana de 2022, realizado ontem, 3, pelo Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege), o economista Haroldo Torres destacou as principais repercussões da guerra corrente para o setor sucroenergético.
O principal fator de atenção está nos fertilizantes. Ainda que, conforme Torres, muitas usinas já tenham adquirido o produto com preço travado para esta safra, há um sério risco de desabastecimento. Afinal, a Rússia é a origem de praticamente 23% dos fertilizantes importados pelo Brasil.
“Além disso, Belarus também está sofrendo sanções econômicas. O país é um importante player do mercado de potássio. Vamos enfrentar preços bastante elevados no cloreto de potássio”, complementa o economista.
No total, 30% do volume importado de fertilizantes vem da Rússia e de Belarus, que são países que irão sofrer sanções, de acordo com Torres. Isso tende a dificultar acessos, com nações deixando de ir até estas regiões e com importantes navegadores cobrando um prêmio substancial pelo frete para ir até portos russos.
“Teremos uma série de dificuldades para acessar este mercado. No Brasil, a situação vai provocar uma necessidade de buscar outros mercados, como o Canadá, e outros fornecedores de fertilizantes”, acredita Torres.
Por sua vez, o setor sucroenergético busca alternativas que vem se tornando cada vez mais comuns – antes mesmo da possibilidade de dificuldade de importação de fertilizantes.
Alguns dos caminhos são a adubação orgânica, a partir da aquisição de esterco bovino, esterco de frango ou cama de frango para atenuar um pouco do impacto. Outra linha de resolução exposta pelo economista do Pecege é a adubação biológica ou organomineral e até mesmo a adubação verde, utilizando na rotação de cultura o nabo forrageiro e a crotalária, entre outras culturas.
“O que não podemos fazer é comprometer a produtividade, reduzindo a dose [de fertilizantes] em função de preço, reduzindo o nível de investimento no manejo, ou deixado de fazer adubação. Temos que buscar alternativas”, destaca Torres.
Confira, na versão completa, os demais impactos causados pelo conflito entre Rússia e Ucrânia no setor.
Com nove dias de conflito, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia tem (e terá) diversas repercussões sociais e econômicas, com reflexos em todo o mundo. Para o setor sucroenergético não seria diferente. Com insumos e produtos impactados pelo câmbio e pelo petróleo, é inevitável que as consequências do conflito cheguem às usinas.
Durante o primeiro Expedição Custos Cana de 2022, realizado ontem, 3, pelo Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege), o economista Haroldo Torres destacou as principais repercussões da guerra corrente para o setor sucroenergético.
O principal fator de atenção está nos fertilizantes. Ainda que, conforme Torres, muitas usinas já tenham adquirido o produto com preço travado para esta safra, há um sério risco de desabastecimento. Afinal, a Rússia é a origem de praticamente 23% dos fertilizantes importados pelo Brasil.
“Além disso, Belarus também está sofrendo sanções econômicas. O país é um importante player do mercado de potássio. Vamos enfrentar preços bastante elevados no cloreto de potássio”, complementa o economista.
No total, 30% do volume importado de fertilizantes vem da Rússia e de Belarus, que são países que irão sofrer sanções, de acordo com Torres. Isso tende a dificultar acessos, com nações deixando de ir até estas regiões e com importantes navegadores cobrando um prêmio substancial pelo frete para ir até portos russos.
“Teremos uma série de dificuldades para acessar este mercado. No Brasil, a situação vai provocar uma necessidade de buscar outros mercados, como o Canadá, e outros fornecedores de fertilizantes”, acredita Torres.
Por sua vez, o setor sucroenergético busca alternativas que vem se tornando cada vez mais comuns – antes mesmo da possibilidade de dificuldade de importação de fertilizantes.
Alguns dos caminhos são a adubação orgânica, a partir da aquisição de esterco bovino, esterco de frango ou cama de frango para atenuar um pouco do impacto. Outra linha de resolução exposta pelo economista do Pecege é a adubação biológica ou organomineral e até mesmo a adubação verde, utilizando na rotação de cultura o nabo forrageiro e a crotalária, entre outras culturas.
“O que não podemos fazer é comprometer a produtividade, reduzindo a dose [de fertilizantes] em função de preço, reduzindo o nível de investimento no manejo, ou deixado de fazer adubação. Temos que buscar alternativas”, destaca Torres.
Competição com grãos
Outro tópico levantado no evento foi sobre a competição por espaço entre as lavouras de cana-de-açúcar e as de grãos. Segundo Torres, havia um “cenário estressado” neste sentido, o que levou, há mais de um ano, a uma redução de área de fornecedores, que migraram para grãos, ou na elevação do valor do arrendamento praticado nas áreas de cana.
“Esta competição começou a reduzir em 2021, entretanto, com o conflito entre Rússia e Ucrânia, ela pode novamente ter alguns efeitos”, acredita Torres. Ele completa que, na situação anterior, houve uma valorização no preço dos grãos, principalmente do trigo e do milho. “Ucrânia e Rússia são importantes exportadores, por isso tivemos preços elevados de milho, soja e trigo”, conclui.
Além disso, países da América do Sul, como Argentina, Paraguai e Brasil (especialmente a região Sul) sofreram com uma quebra de safra expressiva no mercado de grãos ao mesmo tempo em que o mercado internacional apresenta uma demanda aquecida.
“Vamos enfrentar um cenário de retorno desta competição. É preciso cuidado na elevação do arrendamento, pois percebemos que isso aumentou em uma velocidade muito maior do que a produtividade. Consequentemente, o setor transferiu renda para o dono da terra”, observa Torres.
Mercado de petróleo
O setor sucroenergético também é bastante impactado pelo petróleo. A Rússia é um importante país explorador, correspondendo a praticamente 12% do total, conforme Torres.
“É isso que fez com que o petróleo esteja atingindo patamares superiores a US$ 100 o barril”, destaca. O economista complementa que os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não conseguem aumentar a oferta no curto prazo; além disso, haverá restrição de oferta do lado russo.
A alta no ouro negro tem reflexos positivos e negativos para as usinas. Torres pontua que, por um lado, se a Petrobras continuar com a sua política de preço – repassando os valores de brent e câmbio –, os preços de gasolina ficam mais elevados. “Isso abre oportunidade para que o etanol ganhe espaço e tenha seu preço valorizado”, diz o economista.
Por outro, o valor do diesel também sobe, encarecendo as operações mecanizadas. Torres relembra que são gastos cerca de quatro litros de diesel por tonelada de cana moída, justificando o impacto.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana