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Com ações em queda, Guarani detalha investimentos e resultados da safra 2014/15

guarani-tereos usina vertenteNa última sexta-feira a empresa divulgou mais detalhes sobre os números e o presidente, Pierre Santoul, apresentou os fatos mais relevantes sobre a atuação da empresa no mercado de açúcar e etanol

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O agravamento da situação financeira da Tereos Internacional, grupo que controla a Guarani, ficou conhecido há pouco mais de um mês, quando a empresa divulgou seu balanço financeiro. Desde então as ações da empresa já caíram 39,65%. Nos últimos 12 meses, o recuo foi de 78,33%.

tereos bovespa acoes queda 170715

Este reflexo do mercado é, em parte, o resultado dos números da empresa na safra 2014/15: queda de 19,7% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e aumento da dívida líquida, de R$ 3,6 bilhões para R$ 4,3 bilhões entre 31 de março de 2014 para o mesmo período em 2015, explicado pelo perfil da dívida concentrado em moeda estrangeira. A consequência é o crescimento do seu índice de alavancagem: a relação entre a dívida líquida e o Ebtida atingiu 5,5 vezes em 31 de março de 2015, acima das 3,7 vezes do ano anterior e 5,0 vezes do trimestre anterior.

Na última sexta-feira (17) a empresa divulgou mais detalhes sobre os números da Guarani e seu presidente, Pierre Santoul, relacionou os fatos mais relevantes sobre a atuação da empresa no mercado de açúcar e etanol.

O agravamento da situação financeira da Tereos Internacional, grupo que controla a Guarani, ficou conhecido há pouco mais de um mês, quando a empresa divulgou seu balanço financeiro. Desde então as ações da empresa já caíram 39,65%. Nos últimos 12 meses, o recuo foi de 78,33%

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Este reflexo do mercado é, em parte, o resultado dos números da empresa na safra 2014/15: queda de 19,7% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e aumento da dívida líquida, de R$ 3,6 bilhões para R$ 4,3 bilhões entre 31 de março de 2014 para o mesmo período em 2015, explicado pelo perfil da dívida concentrado em moeda estrangeira. A consequência é o crescimento do seu índice de alavancagem: a relação entre a dívida líquida e o Ebtida atingiu 5,5 vezes em 31 de março de 2015, acima das 3,7 vezes do ano anterior e 5,0 vezes do trimestre anterior.

Na última sexta-feira (17) a empresa divulgou mais detalhes sobre os números da Guarani e seu presidente, Pierre Santoul, relacionou os fatos mais relevantes sobre a atuação da empresa no mercado de açúcar e etanol.

Participação da Petrobras

Nenhuma menção foi feita aos planos da PBio (Petrobras Biocombustível) de vender sua participação, mas a Guarani fez questão de ressaltar os acordos firmados no passado. No contrato entre as duas empresas firmado em 2010 foi definido o investimento de R$1,6 bilhão (a ser ajustado pela inflação), em estágios graduais.

O penúltimo aporte de capital na empresa foi feito em 29 de outubro de 2014, no montante de R$ 240 milhões, passando sua participação para 42,94%. “Em consonância com o referido Contrato de Investimento, a Petrobras Biocombustível investiu R$1.554 milhões na Guarani desde abril de 2010. A Petrobras Biocombustível investirá os R$240 milhões restantes (a serem ajustados pela inflação) para obter participação de até 45.7% na Guarani.”

Investimento no CTC

A empresa deu mais alguns detalhes sobre o dinheiro colocado no CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) — anunciado em março deste ano pelo BNDES — para estimular o desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar e tecnologias para o etanol de segunda geração.

A Guarani, juntamente com os demais integrantes do Bloco de Controle do CTC, firmou com o BNDESPar, um contrato de investimento com a obrigação de aportar R$ 300 milhões no CTC em troca de uma participação de 18,99%, e os acionistas do Bloco de Controle assumiram a obrigação de aportar até 10% do montante do BNDES neste mesmo período, totalizando um investimento de R$ 330 milhões no CTC. Em 31/03/2015, o BNDES investiu R$150 milhões e o montante remanescente de R$150 milhões será investido em duas parcelas iguais até 31/03/2016 e 2017.

Além disso, o BNDES e os outros acionistas do CTC celebraram um contrato de acionistas que permite ao BNDES vender suas ações no CTC para os demais acionistas, caso o CTC não abra o capital ou abra o capital abaixo de um preço predefinido, num prazo de sete anos, prorrogável por mais quatro anos.

Resultados financeiros

Terceira maior produtora de açúcar do país, a Guarani, controlada pela Tereos e pela Petrobras Biocombustível (PBio), encerrou a safra 2014/2015 com prejuízo de R$ 115 milhões. As perdas dobraram em relação à temporada anterior, quando a queda chegou a R$ 56,8 milhões.

A receita líquida consolidada somou R$ 2,4 bilhões, 5% maior na comparação com o período anterior. Segundo as demonstrações financeiras publicadas nesta sexta-feira no Diário Oficial do Estado de São Paulo, o incremento está diretamente relacionado a acréscimo na venda de energia e etanol, 27% e 18%, respectivamente, mesmo diante do recuo de 4% nas vendas de açúcar.

No entanto, conforme a empresa informou em nota no mês passado, “apesar do crescimento das vendas registrado pela divisão de cana-de-açúcar no Brasil, o impacto inflacionário sobre os custos não foi compensado pelos ganhos esperados de eficiência industrial, em parte devido às condições climáticas”.

O custo dos produtos vendidos alcançou R$ 2 bilhões no exercício encerrado no dia 31 de março, contra R$ 1,9 milhão do período anterior.

O prejuízo operacional chegou a R$ 34 milhões. Na safra anterior, a companhia obteve lucro de R$ 94,4 milhões.

O lucro bruto consolidado somou R$ 330 milhões, abaixo dos R$ 406,4 milhões alcançados na temporada passada.

O Ebitda Ajustado diminuiu 26% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 382,0 milhões.

Com uma dívida líquida total consolidada de R$ 2,5 bilhões no encerramento do exercício de 2014/15, a relação Dívida Líquida/Ebitda Ajustado foi de 6,8x, representando um aumento significativo frente aos 3,7x registrados no ano anterior. Analisando somente as operações da Guarani no Brasil, a alavancagem na safra 2014/15 foi de 5,3x frente a 3,1x na safra 2013/14.

Os investimentos somaram R$ 485,3 milhões, uma redução de 13% em relação ao ano anterior, explicada pela conclusão do programa de investimentos em cogeração de energia.

tereos tabela resultado

Resultados agrícolas

O rendimento agrícola da cana-de-açúcar foi de 76 tons/ha na safra 2014/15, contra 82 da safra anterior. A quantidade de ATR foi de 139 kg/tonelada, acima dos 136 da safra passada. A área estimada de colheita nas duas safras girou em torno de 114 mil hectares.

O custo de replantio da cana saltou de R$ 6.984 por hectare para R$ 7.483 em 2014/15.

O mix de produção priorizou menos o açúcar (58%) em relação ao ano anterior (63%), refletindo a maior atratividade relativa do etanol.

Para a safra 2015/16, a Guarani espera uma moagem similar à passada.

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