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Grupo Zilor reverte prejuízo com resultado positivo de R$ 148,29 milhões em 2019/20

Preços melhores dos produtos, produção mais elevada e redução de custos ajudaram no resultado positivo da empresa

NovaCana 12 min de leitura

Após duas safras com resultados no vermelho, o grupo Zilor conseguiu recuperar as finanças e reportar um resultado líquido positivo de R$ 148,29 milhões. De acordo com a empresa, este valor se deu principalmente pelo aumento das vendas, pela melhora no preço médio praticado e pelo recebimento de precatórios.

Além de considerar as demonstrações financeiras das três usinas do grupo – Barra Grande, Quatá e São José –, os resultados também incluem a empresa Biorigin, que atua no setor de biotecnologia.

A Zilor destaca que os números demonstram os efeitos dos processos de mudanças na companhia, iniciados em meados de 2018, com a renovação da gestão e a configuração do conselho de administração. Entre as alterações estão: reorganização societária; novas políticas, como a relacionada aos dividendos; alongamento da dívida; e ações de otimização de custos.

Além disso, desde 31 de dezembro de 2018, as companhias Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti foram incorporadas pela Açucareira Quatá. Com isso, a Companhia Agrícola Quatá teve um lucro de R$ 24,09 milhões em 2019/20 – 85,19% a menos que no ciclo anterior. Já a Açucareira Quatá saiu do prejuízo de R$ 49,08 milhões para um lucro de R$ 45,24 milhões em 2019/20.

Confira, na versão completa (para assinantes), gráficos e informações sobre:

- Evolução do desempenho financeiro do grupo Zilor
- Comparativo entre receitas e custos
- Receitas líquidas separadas por produtos
- Resultados operacionais
- Evolução do impacto cambial
- Evolução do Ebitda e margem Ebitda
- Lucro líquido e lucro bruto da companhia
- Perfil das dívidas: Endividamentos em curto e longo prazo

Após duas safras com resultados no vermelho, o grupo Zilor conseguiu recuperar as finanças e reportar um resultado líquido positivo de R$ 148,29 milhões. De acordo com a empresa, este valor se deu principalmente pelo aumento das vendas, pela melhora no preço médio praticado e pelo recebimento de precatórios.

Além de considerar as demonstrações financeiras das três usinas do grupo – Barra Grande, Quatá e São José –, os resultados também incluem a empresa Biorigin, que atua no setor de biotecnologia.

20200703 Zilor resultado líquido 201920

A Zilor destaca que os números demonstram os efeitos dos processos de mudanças na companhia, iniciados em meados de 2018, com a renovação da gestão e a configuração do conselho de administração. Entre as alterações estão: reorganização societária; novas políticas, como a relacionada aos dividendos; alongamento da dívida; e ações de otimização de custos.

Além disso, desde 31 de dezembro de 2018, as companhias Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti foram incorporadas pela Açucareira Quatá. Com isso, a Companhia Agrícola Quatá teve um lucro de R$ 24,09 milhões em 2019/20 – 85,19% a menos que no ciclo anterior. Já a Açucareira Quatá saiu do prejuízo de R$ 49,08 milhões para um lucro de R$ 45,24 milhões em 2019/20.

20200703 Zilor resultado usina 201920

Moagem maior e qualidade mais elevada

De acordo com o documento disponibilizado pela Zilor, o grupo apresentou melhoras na taxa de conversão de cana em açúcar e etanol, com um mix de produção mais direcionado para o biocombustível.

Outro destaque, segundo a companhia, foi a implementação de planos de produtividade. Eles tratam, principalmente, de manejo, controle de pragas, fertirrigação e irrigação, e qualidade operacional.

Na safra encerrada em 31 de março deste ano, a moagem total do grupo Zilor ficou em 10,83 milhões de toneladas, entre cana própria e de terceiros. O resultado foi considerado de “sólida performance operacional”, mesmo em um período de safra mais curto e com tempo mais seco. Na comparação com a temporada anterior, quando foram moídas 9,9 milhões de toneladas, o volume de 2019/20 foi 9,2% superior.

Sozinha, a usina Quatá processou 3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar – um aumento de 18,6% frente às 2,5 milhões de toneladas da temporada anterior. Já na região de Lençóis Paulista, onde estão as usinas Barra Grande e São José, a colheita foi de 7,8 milhões de toneladas, 6% a mais que as 7,4 milhões de toneladas de 2018/19.

Além disso, a produtividade ficou em 73 toneladas de cana por hectare, um acréscimo de 23,73% ante o ciclo passado. Conforme divulgado pela empresa, o desempenho reflete as melhorias feitas no processo produtivo, como a implantação da metodologia Lean – voltada para a gestão de processos dentro da empresa –, revisão e padronização de atividades e inclusão de projetos de melhoria de produtividade.

De acordo com o documento, foram usadas variedades mais apropriadas para a colheita totalmente mecanizada, aplicadas novas técnicas de manejo para aumento do ganho de biomassa, realizado o preparo profundo do solo, a manutenção da palha no campo para preservar a umidade da terra e a combinação de modelos mais eficientes de plantio.

Para completar, a área estimada de colheita da empresa aumentou 5,6%, de 39,22 mil para 41,42 mil hectares entre as safras 2018/19 e 2019/20. Já a quantidade de açúcar total recuperável (ATR) passou de 133,75 quilogramas por tonelada para 134,18 kg/t, um aumento de 0,32%. Conforme a Zilor, o menor volume de chuvas contribuiu para a maior concentração de ATR na cana.

20200703 Zilor indicadores operacionais 201920

Ainda de acordo com a companhia, o mix de produção para o etanol aumentou de 65% para 67% no comparativo entre as duas temporadas, tendo sido produzidos 530 milhões de litros do renovável em 2019/20. Deste volume, 339 milhões de litros foram de anidro (+10,1%) e 191 milhões foram de hidratado (-2%). No total, o aumento foi de 5,37% entre as duas safras.

Por sua vez, houve uma ampliação de 18,1% na produção de açúcar, com a maior moagem compensando a queda no mix de produção. Desta forma, a produção passou de 408 mil toneladas em 2018/19 para 482 mil toneladas em 2019/20.

A produção de energia elétrica também teve um incremento, de 12,2%, indo de 455 gigawatts-hora para 511 GWh entre 2018/19 e 2019/20.

Resultado operacional

As receitas líquidas da Zilor com produtos vendidos chegaram a R$ 2,17 bilhões em 2019/20, um aumento de 14,96% ante os R$ 1,89 bilhões do ciclo anterior. Deste montante, a maior parte veio da venda de etanol: R$ 1 bilhão, 14,4% a mais que um ano antes. Com a venda de açúcar, a receita chegou a R$ 533,10 milhões, o que representa um incremento de 33,1% ante a safra 2018/19, quando os ganhos foram de R$ 400,80 milhões.

20200703 Zilor composição receita 201920

Conforme o relatório da companhia, a melhora para o renovável se deu por conta dos melhores preços dos combustíveis no mercado internacional, somados com a manutenção da política de repasse de preços praticados no mercado interno. Já para o adoçante, um maior volume foi vendido a um preço mais favorável.

Por fim, a energia elétrica representou R$ 131,5 milhões das receitas líquidas – 12,1% a mais que os R$ 117,30 milhões vistos na temporada anterior.

20200703 Zilor receita custos 201920

Já os custos com produtos vendidos ficaram em R$ 1,61 bilhão, representando um aumento de 5,5% contra os R$ 1,52 bilhão gastos no ciclo 2018/19. Com isso, a relação entre as receitas e os custos foi de 74,07% na temporada 2019/20.

De acordo com a Zilor, foi implementada “uma série de iniciativas para redução de custos”, que inclui a cronoanálise da operação, a otimização de pessoal e a renegociação de grandes contratos. Com isso, o lucro bruto da companhia em 2019/20 foi de R$ 669,24 milhões – 65,48% maior que um ano antes.

20200703 Zilor resultado bruto 201920

Por sua vez, a margem bruta atingiu 30,7%, o que representa um aumento de 9,4 pontos percentuais frente ao mesmo período do ano anterior. “O avanço no indicador é resultado tanto da melhora de preços dos produtos, como do menor custo produtivo impactado positivamente pela produtividade”, afirma a Zilor.

Como resultado da evolução operacional e otimização dos custos, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia teve um aumento de 138,4%, passando de R$ 471,86 milhões para R$ 1,12 bilhão entre as duas temporadas. Além disso, o Ebitda ajustado foi de R$ 596,4 milhões, uma melhora de 62,2% no comparativo ano contra ano.

Com isso, a margem Ebitda ajustada foi de 27% em 2019/20. Segundo a Zilor, os melhores resultados dos indicadores aconteceram devido ao aumento de preços e do volume de vendas observados no período, sendo também parcialmente compensados por um baixo crescimento de custos e redução de despesas.

20200703 Zilor ebitda ajustado 201920

Dívidas em alta

Na safra 2018/19, a Zilor iniciou um processo de alongamento da dívida. Desde então, dentre as captações efetuadas está a emissão de debêntures no valor de R$ 560 milhões, concluída em 21 de junho de 2019.

Já na temporada 2019/20, o grupo realizou uma operação sindicalizada de R$ 560 milhões e uma emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) no valor de R$ 600 milhões em novembro de 2019. Conforme o relatório da empresa, o CRA terá amortização semestral entre outubro de 2021 e de 2024.

De acordo com a Zilor, as captações tiveram prazos acima de cinco anos e se somaram a outras, alavancando a posição de caixa e o perfil da dívida. Para a empresa, isto possibilita a otimização de investimentos, o que deve resultar em mais eficiência e produtividade.

“Enquanto buscamos consolidação da melhor performance operacional e otimizações que estamos implementando ao longo do tempo, continuaremos o processo de alongamento, que pode resultar em novas emissões e captações bilaterais com os bancos”, detalha a companhia.

Em 31 de março de 2020, a posição das dívidas de longo prazo com empréstimos e financiamentos da Zilor chegou a R$ 2,13 bilhão – 14,43% a mais que os R$ 1,86 bilhão registrados exatamente um ano antes. Já a curto prazo, as dívidas tiveram uma retração de 19,42% no mesmo comparativo, passando de R$ 809,48 milhões para R$ 652,27 milhões.

Somando os débitos com empréstimos e financiamentos, a Zilor tem um endividamento bruto de R$ 2,79 bilhões, 4,21% a mais do que na posição de um ano antes. Porém, excetuando os valores em caixa e o equivalente de caixa no valor de R$ 1 bilhão, a empresa detinha uma dívida líquida de R$ 1,79 bilhão em 31 de março de 2020, 2,5% a menos que o visto um ano antes.

20200703 Zilor dividas 201920

Além disso, a Zilor reduziu a dívida bruta por moeda estrangeira na demonstração financeira mais recente. A fatia de débitos em dólares passou de 24% para 20% no comparativo entre as duas safras. Porém a desvalorização cambial, especialmente no fim da safra, aumentou o saldo da dívida em moeda estrangeira.

Desta forma, a desalavancagem poderia ser sido maior no período não fosse a depreciação da moeda nacional. Segundo os números apresentados, a alavancagem da empresa ficou em três vezes em 2019/20. O indicador, medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, demonstrou uma melhora ante o ciclo anterior, quando a alavancagem foi de cinco vezes.

Despesas e receitas financeiras

Na safra passada, as despesas financeiras do grupo Zilor somaram R$ 474,73 milhões, enquanto as receitas foram de R$ 164,33 milhões, chegando a aumentos de 51,12% e 13,42%, respectivamente.

20200703 Zilor despesas receitas finaceiras 201920

Já o impacto cambial do grupo envolveu uma perda de R$ 79,91 milhões ante os R$ 49,4 milhões negativos do período anterior. Com isso, o resultado financeiro líquido ficou em R$ 390,31 milhões negativos.

20200703 Zilor cambio 201920

Porém vale destacar que o resultado não contempla uma nova regra contábil, o IFRS 16, que muda a forma de contabilização de alguns resultados relacionados a arrendamentos e aluguéis. A mudança começou a valer em 1º de janeiro de 2019 e impacta diretamente no balanço patrimonial e nas demonstrações de resultados.

Na safra 2019/20, o resultado financeiro da Zilor, excluindo hedge e IFRS 16, foi negativo em R$ 280,3 milhões. Na comparação com o ciclo anterior, isso implica em uma queda de 26,2%.

Além disso, a companhia informa que os investimentos da safra passada foram de R$ 357,3 milhões, 14,4% a mais que um ano antes. Somente para a área de manutenção, a empresa direcionou R$ 301,2 milhões, sendo que R$ 103,1 milhões foram destinados ao plantio de cana.

De acordo com a companhia, este aumento reflete, principalmente, a estratégia da aumentar o investimento em ativo biológico para melhorar produtividade.

Perspectivas positivas

Dado o atual contexto de incertezas no mercado de combustíveis, a sucroenergética relata que ajustou o fluxo de caixa previsto para um pior cenário e, ainda assim, tem a expectativa de que terá recursos suficientes para seguir operando no futuro previsível. “A incerteza remanescente de continuidade não é material, principalmente considerando o fluxo de caixa realizado em abril e maio, quando comparado com este fluxo de caixa ajustado”, completa.

O grupo destaca que, apesar da crise desencadeada pela pandemia de coronavírus, as perspectivas para o etanol seguem positivas, especialmente pelo começo do RenovaBio. A Zilor foi uma das primeiras companhias a concluir a certificação no programa.

Segundo o grupo, até 31 de março, a companhia já havia fixado preço para a venda de 264,07 mil toneladas de açúcar na safra 2020/21 e de 112,78 mil toneladas em 2021/22. As negociações envolveram preços médios de R$ 1.281 por tonelada e R$ 1.356/t, respectivamente.

Conforme a empresa, estes volumes representam 90% da exposição da commodity para 2020/21 e 48% para a temporada 2021/22. “Estamos protegidos da volatilidade dos preços de açúcar. Nossa projeção mais atual aponta para preço médio de açúcar 4% superior nesta safra em relação ao ano passado”, detalha o documento.

Em contrapartida, a perspectiva para o etanol é de preço 23% inferior em relação ao ano passado. Porém a Zilor pontua que a recente recuperação do preço do petróleo, combinada com o câmbio valorizado, cria expectativas de preços mais vantajosos. “Nossa projeção mais recente é de preço 8% abaixo do ano passado, portanto, sensivelmente melhor do que projetávamos em março”, pontua o documento.

Além disso, a Zilor observa que a maior parte da cana moída pelo grupo vem de terceiros. Em um cenário de queda de preços, isto funciona como um “hedge natural” para a empresa, já que o custo da cana também cai, acompanhando os preços de açúcar e etanol.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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