Resultados do grupo por usina evidenciam situação diferenciada da Unidade Quatá, que acumula prejuízos e prioriza a venda de derivados de levedura
Controladora de três usinas em São Paulo, o Grupo Zilor está comemorando as estratégias adotadas na safra 2015/16. No período, a companhia apostou biotecnologia e na produção de etanol anidro, saindo de um prejuízo de R$ 58,2 milhões em 2014/15 para um lucro líquido de R$ 33,4 milhões.
Em seu resultado agrupado, a companhia destacou uma melhora em seu lucro bruto, o que indica uma redução do custo unitário de seus produtos em relação ao preço de venda. Ainda assim, das três usinas de etanol e açúcar, apenas a Unidade São José, localizada em Macatuba, apresentou lucro no período.
Leia mais:
- Resultado geral do Grupo Zilor e individual das usinas
- Análise da relação receita-custos
- Perfil da dívida das companhias
- Exposição do Grupo Zilor ao risco cambial
Controladora de três usinas em São Paulo, o Grupo Zilor está comemorando as estratégias adotadas na safra 2015/16. No período, a companhia apostou biotecnologia e na produção de etanol anidro, saindo de um prejuízo de R$ 58,2 milhões em 2014/15 para um lucro líquido de R$ 33,4 milhões.

Individualmente, apenas a Unidade São José, localizada em Macatuba, apresentou lucro, com R$ 24,91 milhões. Já a Usina Barra Grande de Lençóis, em Lençóis Paulista, apresentou prejuízo de R$ 4,96 milhões, enquanto a Unidade Quatá, no munícipio de mesmo nome, perdeu R$ 1,04 milhão.

O Grupo Zilor engloba outras empresas além das três usinas, incluindo sua companhia agrícola. O resultado do da empresa de biotecnologia, Biorigin, está incorporado ao da Unidade Quatá.
Em seu resultado agrupado, o Grupo Zilor apontou uma melhora em seu lucro bruto, o que indica uma redução do custo unitário de seus produtos em relação ao preço de venda. A receita em 2016 foi de R$ 1,8 bilhão, com custos de R$ 1,4 bilhão. Levando em consideração também as variações nos valores dos ativos biológicos, os custos representaram 75% da receita e geraram um lucro de R$ 477,5 milhões.
Na safra anterior, a receita havia sido de R$ 1,5 bilhão, enquanto os custos foram de R$ 1,2 bilhão. Nesse caso, os custos representaram 78% da receita e resultaram em um lucro bruto de R$ 333,5 milhões.

Da receita bruta com vendas de produtos, os derivados de levedura representaram R$ 359,8 milhões, ou 19,7% do total. Isso representa um ganho de participação nos negócios do grupo, uma vez que essa relação era de 16,6% na safra anterior.
O etanol também se destacou, com sua participação na receita indo de 39,7% para 45,9%, com R$ 871,4 milhões. Por sua vez, o açúcar, perdeu espaço com uma receita de R$ 518,1 milhões e 27,3% de participação no total, em detrimento dos 32,6% de 2014/15.

A Zilor não divulgou os volumes de etanol produzidos, mas informou ao Valor Econômico que o anidro representou 73% da produção total e cresceu 54% ante a safra passada, gerando uma receita 53% maior com o biocombustível.
Nas usinas, a maior receita bruta foi registrada na Unidade São José (R$ 607,11 milhões), seguida pela Unidade Quatá (R$ 583,51) e pela Usina Barra Grande de Lençóis (556,89). Desconsiderando os ativos biológicos, a relação receita-custo das usinas é de 77,9%, 78,7% e 80,4%, respectivamente.

Dessa forma, a Unidade São José também esteve na liderança nas vendas de etanol (R$ 342,31 milhões) e açúcar (R$ 231,64 milhões). Por sua vez, a Usina Barra Grande de Lençóis se destacou na arrecadação por meio de sua unidade de cogeração de energia elétrica, com R$ 71,74 milhões. Já a Unidade Quatá registrou uma receita de R$ 26,7 milhões com a venda de derivados de levedura.
Esse número, de acordo com a empresa, é resultante dos investimentos realizados na safra 2014/15 para a Biorigin, que devem totalizar R$ 203 milhões – ainda são esperados R$ 15 milhões durante a safra 2016/17. O objetivo era aumentar a capacidade de produção em 60%. “Estima-se a duplicação do negócio tanto em receita líquida quanto em geração de caixa”, aponta a companhia em relatório.

Dívidas do Grupo Zilor somam R$ 1,7 bilhões
Considerando os investimentos feitos na Biorigin, a Unidade Quatá é a usina do Grupo Zilor mais comprometida com empréstimos, que somam R$ 922 milhões. Desse total, R$ 411 milhões são em dívidas de curto prazo.
Tanto a Usina Barra Grande de Lençóis quanto a Unidade São José possuem menos de R$ 300 milhões de dívidas com financiamentos.


No total, ao final da safra 2015/16, o Grupo Zilor acumulava 1,7 bilhão em dívidas com empréstimos e financiamentos. Esse valor é apenas 3,8% maior que os 1,6 bilhão registrados em 2014/15. Desse montante, R$ 700,99 milhões estão comprometidos com vencimento em até um ano.


Menor exposição ao dólar e queda no risco cambial
Ao valorizar as exportações dentro de sua estratégia cambial, o Grupo Zilor também conseguiu diminuir sua exposição ao risco cambial. Na safra 2014/15, a empresa estava comprometida com um passivo em dólar equivalente a R$ 531,9 milhões. Esse número caiu em 36%, indo para R$ 340,2 ao final da safra 2015/16.
Em compensação, as relações comerciais com a Europa aumentaram e comprometeram a empresa com o equivalente a R$ 227,1 milhões, um aumento de 157% na comparação com os R$ 88,1 milhões da temporada anterior.

Considerando apenas empréstimos e financiamentos, em 31 de março de 2016, o Grupo Zilor possuía dívidas em moeda estrangeira equivalentes a R$ 648,3.

Essa exposição a moedas estrangeiras aconteceu principalmente na Unidade Quatá, comprometida com a Biorigin. A usina possui empréstimos e financiamentos tanto em dólares (R$ 336,18 milhões) quanto em euros (R$ 140,238).

Renata Bossle – NovaCana