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Grupo Virgolino de Oliveira vai à Justiça contra Copersucar


O Estado de S. Paulo - Publicado: 14 Jul 2015 - 10:02 | Atualizado: 14 Jul 2015 - 11:19

Maior acionista individual da Copersucar, com 11,05% de participação na companhia, o Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) deixou a comercializadora de açúcar e etanol, com quem mantinha um acordo de exclusividade de entrega das commodities por dois anos. A empresa decidiu recorrer à Justiça para não cumprir esse acordo.

Fontes ligadas à operação relatam que, diante da crise enfrentada e pelo fato de não ter receita com as operações, já que recebera antecipadamente pelo açúcar e pelo etanol contratado, o GVO ingressou com um pedido de liminar para não entregar os produtos à Copersucar.

Na prática, o GVO pretende “desbloquear” esses produtos, vendê-los a outros clientes e renegociar a dívida que possui com a Copersucar pela antecipação de receita. Caso não consiga a liminar para destravar uma receita futura com a venda do açúcar e do etanol, o GVO avaliaria até mesmo um pedido de recuperação judicial, informou uma fonte.

Uma das acionistas do GVO, Carmen Ruete, confirmou que a companhia deixou a Copersucar, mas afirmou que a operação ocorreu “numa boa, sem problemas”. Carmen e a família foram afastadas do comando do GVO e o executivo Joamir Alves assumiu a presidência da companhia sucroenergética em janeiro com a missão principal de equacionar um passivo estimado em R$ 3 bilhões.

Carmen Ruette participa das decisões através de reuniões mensais com o executivo. "Ela está a par de tudo o que vem acontecendo, e a última palavra é sempre dela. Tem uma preocupação muito grande na volta das operações e na geração de empregos”, explicou Alves.

Em abril deste ano, enquanto a GVO ainda tentava uma solução com a Copersucar, Joamir Alves afirmou: “A Copersucar é excelente e não temos nada a reclamar. É uma ótima comercializadora, mas possui um esquema próprio de venda que não é necessariamente o que precisamos neste momento. Dentro da nossa situação, precisamos de mais agilidade na venda do açúcar e do álcool para gerar caixa e saldar as obrigações”.

Questionado sobre o que teria levado o GVO ao endividamento e consequente crise financeira e operacional, Joamir Alves falou em “combinação de fatores”. “Entre 2007 e 2008 o Grupo fez investimentos grandes acreditando que o álcool realmente teria participação importante na matriz energética brasileira. E, hoje, se consome menos álcool, em relação ao total de gasolina, do que se consumia há dez anos. Os investimentos não maturaram e o Governo resolveu manter o preço da gasolina de forma superficial. Aí, o mercado também foi entupido de açúcar, o que fez o preço desabar. Quem fez investimento naquela época está passando por dificuldades agora”, afirmou.

Criada em 2008 a partir de uma cooperativa de usinas, a Copersucar comercializa com exclusividade açúcar e etanol de suas associadas, com 42 usinas, além de operar para outras companhias do setor. Na safra 2014/2015, a empresa teve prejuízo de R$ 10,9 milhões. Procurada a Copersucar não retornou.

Texto de O Estado de S. Paulo, via Brasilagro, com informações adicionais do Itapiranews