Juiz determinou perícia prévia sobre a documentação financeira e comercial da empresa. Laudo deve ser apresentado em cinco dias
Dez dias após receber um empréstimo de R$ 20 milhões, obtido mediante a comprovação de liquidez financeira, o grupo Antonio Ruette Agroindustrial apresentou um pedido de Recuperação Judicial à Vara de Monte Azul Paulista (SP). A notícia foi recebido com perplexidade pelos credores do grupo, conforme reportagem do Valor Econômico desta sexta-feira.
Para impedir que o pedido de recuperação, protocolado na quarta-feira (25), seja aceito, bancos e outros credores do grupo já se organizaram em bloco para apresentar contestações à Justiça. Segundo a matéria, o fundo americano Amerra Agri Oportunity, o banco holandês ABN AMRO, e a britânica ED&F Man Capital Markets, com a assessoria do escritório Santos Neto Advogados, já protocolaram uma petição nesse sentido. BTG Pactual e o Banco BBM devem fazer o mesmo.
O juiz Ayman Ramadan que analisa o pedido, solicitou ontem (26) que seja realizada a perícia prévia sobre a documentação apresentada pela Ruette, para verificar se os registros fiscais correspondem à insolvência declarada pela empresa. Também será analisada a impugnação de nove folhas do processo, de 541 a 550, “e valores indicativos da desnecessidade do procedimento”. O laudo da análise deverá ser apresentado em até cinco dias.
Veja a lista atualizada de usinas em recuperação judicial no Brasil
O escritório Santos Neto afirmou ao Valor que o índice de solidez informado pela empresa à Justiça é de acima de 1, o que não condiz com a alegada incapacidade de a empresa honrar suas dívidas. O pedido da Ruette é entendido como uma manobra para forçar os bancos a reverem seus créditos para baixo.
Fontes ouvidas pelo jornal acreditam que o octogenário à frente do grupo, Antonio Ruette de Oliveira, esteja tentando com o pedido evitar uma eventual dilapidação do patrimônio da família, caso a situação financeira das usinas se deteriore.
Dados financeiros e de produção
Segundo informações apresentadas pela própria companhia no final de 2014, a Ruette encerrou o exercício de 2013 com uma receita líquida de R$ 355,1 milhões e prejuízo de R$ 11,3 milhões. Foi informado ainda R$ 139,3 milhões de Ebitda com margem de 39,2% e endividamento líquido de R$ 452 milhões, em 31 de dezembro de 2013.
Como previamente noticiado pelo NovaCana, os dados constam no prospecto definitivo de uma oferta de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) em que a empresa foi beneficiária de R$ 18 milhões. A operação envolveu cinco sucroalcooleiras e totalizou a captação de R$ 80 milhões.
A Ruette possui duas unidades no interior de São Paulo, em Paraíso e Uberana, com capacidade combinada para processar 4 milhões de toneladas de cana. As instalações podem gerar 180 mil toneladas de açúcar e 200 milhões de litros por safra. A cogeração tem 28 MW de potência instalada, capaz de exportar 50 GWh.
Segundo o prospecto da oferta, na safra passada a Ruette cultivou uma área de cerca de 35 mil hectares de cana, com 93% da área colhida mecanicamente. Na safra 2015/16 a estimativa de moagem era de 3,6 milhões de toneladas, com a produção de 175 mil toneladas de açúcar e 181 milhões de litros de etanol, com exportação de energia de 52 GWh.
A seguir (exclusivo para assinantes):
- Os detalhes dos dados de produção das últimas três safras
- A evolução da produção da safra 2009/10 até o estimado para 2014/15
- O detalhado quadro econômico-financeiro dos últimos três exercícios
- O endividamento total e o índice de endividamento
Dez dias após receber um empréstimo de R$ 20 milhões, obtido mediante a comprovação de liquidez financeira, o grupo Antonio Ruette Agroindustrial apresentou um pedido de Recuperação Judicial à Vara de Monte Azul Paulista (SP). A notícia foi recebido com perplexidade pelos credores do grupo, conforme reportagem do Valor Econômico desta sexta-feira.
Para impedir que o pedido de recuperação, protocolado na quarta-feira (25), seja aceito, bancos e outros credores do grupo já se organizaram em bloco para apresentar contestações à Justiça. Segundo a matéria, o fundo americano Amerra Agri Oportunity, o banco holandês ABN AMRO, e a britânica ED&F Man Capital Markets, com a assessoria do escritório Santos Neto Advogados, já protocolaram uma petição nesse sentido. BTG Pactual e o Banco BBM devem fazer o mesmo.
O juiz Ayman Ramadan que analisa o pedido, solicitou ontem (26) que seja realizada a perícia prévia sobre a documentação apresentada pela Ruette, para verificar se os registros fiscais correspondem à insolvência declarada pela empresa. Também será analisada a impugnação de nove folhas do processo, de 541 a 550, “e valores indicativos da desnecessidade do procedimento”. O laudo da análise deverá ser apresentado em até cinco dias.
Veja a lista atualizada de usinas em recuperação judicial no Brasil
O escritório Santos Neto afirmou ao Valor que o índice de solidez informado pela empresa à Justiça é de acima de 1, o que não condiz com a alegada incapacidade de a empresa honrar suas dívidas. O pedido da Ruette é entendido como uma manobra para forçar os bancos a reverem seus créditos para baixo.
Fontes ouvidas pelo jornal acreditam que o octogenário à frente do grupo, Antonio Ruette de Oliveira, esteja tentando com o pedido evitar uma eventual dilapidação do patrimônio da família, caso a situação financeira das usinas se deteriore.
Dados financeiros e de produção
Segundo informações apresentadas pela própria companhia no final de 2014, a Ruette encerrou o exercício de 2013 com uma receita líquida de R$ 355,1 milhões e prejuízo de R$ 11,3 milhões. Foi informado ainda R$ 139,3 milhões de Ebitda com margem de 39,2% e endividamento líquido de R$ 452 milhões, em 31 de dezembro de 2013.


Como previamente noticiado pelo NovaCana, os dados constam no prospecto definitivo de uma oferta de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) em que a empresa foi beneficiária de R$ 18 milhões. A operação envolveu cinco sucroalcooleiras e totalizou a captação de R$ 80 milhões.
A Ruette possui duas unidades no interior de São Paulo, em Paraíso e Uberana, com capacidade combinada para processar 4 milhões de toneladas de cana. As instalações podem gerar 180 mil toneladas de açúcar e 200 milhões de litros por safra. A cogeração tem 28 MW de potência instalada, capaz de exportar 50 GWh.

Segundo o prospecto da oferta, na safra passada a Ruette cultivou uma área de cerca de 35 mil hectares de cana, com 93% da área colhida mecanicamente. Na safra 2015/16 a estimativa de moagem era de 3,6 milhões de toneladas, com a produção de 175 mil toneladas de açúcar e 181 milhões de litros de etanol, com exportação de energia de 52 GWh. Veja a evolução das safras desde 2010/11:

Editado às 12h41 - a data correta da solicitação de realização de perícia prévia é dia 26 de fevereiro, não dia 27 como informado anteriormente.
Atualização (Valor Econômico): Conforme o advogado de alguns dos credores, Domício Santos Neto, do Santos Neto Advogados, as informações prestadas pelo grupo à Justiça não indicam falta de liquidez. “O grupo informava R$ 50 milhões em caixa, R$ 198 milhões em estoques e um índice de liquidez acima de 1”, afirma. Na sua avaliação, a empresa tem a intenção de usar o Judiciário para forçar os bancos a reverem seus créditos em uma posição mais enfraquecida.
NovaCana
com informações do jornal Valor Econômico