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Grupo Maringá deve iniciar cogeração junto com moagem da safra 2021/22

Companhia registrou lucro líquido de R$ 82,5 milhões em seus negócios sucroenergéticos em 2020, crescimento de quase 90% na comparação anual

NovaCana 8 min de leitura

Assim como ocorreu com outras sucroenergéticas, o grupo Maringá afirmou que seus negócios de açúcar e etanol ampliaram seu lucro líquido em 2020, que ficou em R$ 86,52 milhões. O valor, que engloba as empresas Jacarezinho, Canavieira Jacarezinho e Maringá Energia, representa um aumento de 89,5% ante os R$ 45,65 milhões contabilizados em 2019.

Além de atuar no setor, o grupo também controla empresas na área de siderurgia com a Maringá Ferro-Liga. Os resultados agrupados e por segmento foram divulgados no site da companhia; já alguns dos desempenhos individuais foram publicados no Diário Oficial de São Paulo.

Embora os dados específicos da Maringá Energia não tenham sido apresentados, os números das outras duas sucroenergéticas e o resultado agrupado indicam que a empresa teve prejuízo. Isso, porém, era esperado: a previsão é que a comercialização de energia tenha início apenas na safra 2021/22.

“O ano de 2020 viu a materialização do projeto da Maringá Energia, em que o grupo investiu mais de R$ 70 milhões e que deverá, a partir do segundo trimestre de 2021, comercializar 15 MW médios de energia elétrica no mercado livre”, afirma a administração no relatório de divulgação de resultados.

Segundo a empresa, R$ 40 milhões foram levantados via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com a linha Financiamento a Empreendimentos (Finem) e o programa Fundo Clima. O restante foi investido pela controladora e pela usina Jacarezinho.

“A produção de energia via cogeração é mais um passo importante do grupo no provimento de produtos limpos e sustentáveis, que também contribuirá para ampliar e dar maior estabilidade às receitas operacionais da atividade sucroenergética”, afirma a administração, que complementa: “Estamos bastante animados com a perspectiva de evoluir nesta área de negócios ao longo dos próximos anos”.

Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes):

- Produção na safra 2020/21
- Impacto do clima e da pandemia de covid-19
- Resultados do grupo e das empresas
- Receita líquida
- Perfil do endividamento

Assim como ocorreu com outras sucroenergéticas, o grupo Maringá afirmou que seus negócios de açúcar e etanol ampliaram seu lucro líquido em 2020, que ficou em R$ 86,52 milhões. O valor, que engloba as empresas Jacarezinho, Canavieira Jacarezinho e Maringá Energia, representa um aumento de 89,5% ante os R$ 45,65 milhões contabilizados em 2019.

Além de atuar no setor, o grupo também controla empresas na área de siderurgia com a Maringá Ferro-Liga. Os resultados agrupados e por segmento foram divulgados no site da companhia; já alguns dos desempenhos individuais foram publicados no Diário Oficial de São Paulo.

Especificamente, a usina Jacarezinho, localizada no município paranaense de mesmo nome, obteve um lucro líquido consolidado de R$ 86,55 milhões em 2020. Já a Canavieira Jacarezinho, que administra terras próprias e parceiras dedicadas à cana-de-açúcar, obteve R$ 14,51 milhões. Na comparação com 2019, estes resultados representam crescimentos de 90,4% e 509%, respectivamente.

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Assim, embora os dados específicos da Maringá Energia não tenham sido divulgados, os números das outras duas companhias e o resultado agrupado indicam que a empresa teve prejuízo. Isso, porém, era esperado: a previsão é que a comercialização de energia tenha início apenas na safra 2021/22.

“O ano de 2020 viu a materialização do projeto da Maringá Energia, em que o grupo investiu mais de R$ 70 milhões e que deverá, a partir do segundo trimestre de 2021, comercializar 15 MW médios de energia elétrica no mercado livre”, afirma a administração no relatório de divulgação de resultados.

Segundo a empresa, R$ 40 milhões foram levantados via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com a linha Financiamento a Empreendimentos (Finem) e o programa Fundo Clima. O restante foi investido pela controladora e pela usina Jacarezinho.

“A produção de energia via cogeração é mais um passo importante do grupo no provimento de produtos limpos e sustentáveis, que também contribuirá para ampliar e dar maior estabilidade às receitas operacionais da atividade sucroenergética”, afirma a administração, que complementa: “Estamos bastante animados com a perspectiva de evoluir nesta área de negócios ao longo dos próximos anos”.

Produção, clima e covid-19

Em 2020/21, a usina Jacarezinho processou 2,53 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, queda de 3,44% ante a safra anterior. O resultado foi acompanhado de uma redução de 5,1% no rendimento dos canaviais, que produziram 83,1 toneladas de cana por hectare, e de uma perda de 0,07% na qualidade da matéria-prima, que fechou a temporada com uma média de 136,2 quilos de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada.

“Não faltaram dificuldades associadas ao clima. O ano de 2020 foi de chuvas abaixo da média histórica, o que reduziu a produtividade dos canaviais”, justifica a companhia, que segue: “A safra 2020/21 exigiu das usinas inúmeras e constantes adaptações na estratégia de produção ao longo de todo o ano”.

Um dos fatores que demandou estas mudanças foi a pandemia de covid-19, que afetou o consumo de combustíveis e os preços do etanol. “A usina Jacarezinho, valendo-se da flexibilidade do mix de produção que possui, alterou seu planejamento de maximização de etanol para maximização de açúcar, atingindo aproximadamente 60% de [direcionamento de matéria-prima para o] adoçante”, completa.

Em 2020/21, a companhia produziu 191,73 mil toneladas de açúcar, crescimento de 44,8% na comparação anual. Deste volume, 156,76 mil foram do produto bruto, destinado à exportação, e 34,97 mil, do branco.

“Ficou atraente produzir açúcar para o mercado internacional, uma vez que grandes produtores mundiais como Índia e Tailândia enfrentaram problemas com suas lavouras de cana, reduzindo a oferta”, relata a administração.

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Neste contexto, a produção de etanol da Jacarezinho caiu 31,7%, indo de 130,02 milhões de litros em 2019/20 para 88,76 milhões em 2020/21. A queda mais significativa se deu para o hidratado, de 36,8%, enquanto o anidro viu sua produção cair 27,2%. No total, a unidade fabricou 38,75 milhões de litros do primeiro e 50,01 milhões do segundo.

“No final do segundo trimestre de 2020, a demanda de etanol começou a reagir e esta reação se estendeu por todo o segundo semestre”, observa o grupo Maringá. Entretanto, isso não foi suficiente para tornar a produção do biocombustível mais economicamente vantajosa. “Mesmo com a retomada da demanda, a cotação do açúcar no mercado internacional manteve sua remuneração mais atraente do que a do etanol”, pondera.

Receita em alta

Apesar da queda na moagem, a sucroenergética pôde aproveitar os bons preços e registrou uma melhora nos rendimentos. Considerando todos os negócios com atuação no setor, o grupo Maringá contabilizou um crescimento de 26,04% na receita líquida, alcançando R$ 447,17 milhões.

A maior parte deste valor veio da usina Jacarezinho, que divulgou uma receita líquida consolidada de R$ 447,14 milhões em 2020. Além disso, a companhia apresentou uma melhora no seu desempenho operacional, uma vez que os custos de produção representaram o equivalente a 71,7% da receita, ante 77,3% em 2019.

Com isso, a usina obteve um lucro bruto de R$ 126,90 milhões no ano passado, avanço de 57,4% na comparação com os R$ 80,61 milhões vistos um ano antes.

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“Os indicadores financeiros foram bastante beneficiados pelo cenário de preços em reais mais remuneradores, potencializados pela flexibilidade do mix de produção e pela boa performance dos açúcares”, reforça a administração.

Outro número que evidencia essa melhora é o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado dos negócios sucroenergéticos do grupo Maringá. Em 2020, este indicador operacional teve uma elevação de 28,8%, chegando a R$ 209,56 milhões.

Por sua vez, a margem Ebitda – que observa a relação entre o Ebitda e a receita líquida – subiu um ponto percentual, para 46,9%.

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Perfil da dívida

Mesmo com os maiores resultados, a posição da dívida líquida do grupo Maringá aumentou 4,42% em comparação com o valor contabilizado um ano antes, indo de R$ 314,21 milhões para R$ 328,09 milhões.

O movimento é justificado pelos investimentos, segundo a companhia. Em relatório, a administração argumenta que, desconsiderando a Maringá Energia, o endividamento líquido teria um decréscimo de 2% em relação ao ano anterior.

O grupo ainda relata que a relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado ficou em 1,6 vez em 2020, o que foi classificado como um “nível confortável pelos padrões de mercado”; em 2019, o indicador era de 1,9 vez. “O perfil da dívida líquida permanece alongado, integralmente no longo prazo”, completa.

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Considerando apenas a usina Jacarezinho, que acumula a maior parte deste montante, a dívida bruta com empréstimos e financiamentos somava R$ 416,32 milhões em 31 de dezembro de 2020, elevação de 9% ante a posição vista ao final de 2019.

Deste total, R$ 82,65 milhões estavam comprometidos com dívidas que vencem ao longo de 2021, enquanto R$ 333,68 milhões são referentes a débitos com vencimentos mais longos. Na comparação com a posição de um ano antes, houve queda de 3,2% nos débitos de curto prazo e aumento de 12,6% nos de médio e longo prazos.

Renata Bossle – NovaCana

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