A AZC Orbis Invest, empresa de investimentos da Eslováquia com presença em oito países, entrou pela primeira vez nas Américas com a compra de uma fatia de 50% de uma usina sucroenergética em Minas Gerais, a Agropéu, de Pompéu. As companhias não informaram o valor do acordo.
O grupo eslovaco atua sempre em parceria com outros sócios em diversos setores no mundo, como transportes, distribuição, produção de combustíveis, alimentos, bebidas, biocombustíveis, construção, tecnologia e química.
Recentemente, a AZC deu início às suas atividades na Índia. O grupo, o maior produtor de biocombustíveis do Leste Europeu, já tem participação em 12 empresas do segmento.
A entrada da AZC no capital da Agropéu representa uma tacada estratégica da empresa eslovaca. Já para a companhia brasileira, o negócio permitirá a ela ampliar sua produção e sua presença no mercado brasileiro.
A Agropéu tem capacidade para moer 1,5 milhão de toneladas de cana-de-açúcar por safra. Diariamente, a empresa produz 15 mil sacas de açúcar e 500 milhões de litros de etanol e gera 40 megawatts-hora (MWh) de energia elétrica a partir do bagaço de cana.
A empresa mineira, fundada pela família Cordeiro em 1981 no âmbito do Proálcool, tem ainda com 20 mil hectares dedicados ao cultivo da cana, que não entraram na transação. Dessa área, 8 mil hectares são irrigados.
O diretor de desenvolvimento de negócios da AZC, Richard Szabó, disse ao Globo Rural, em nota, que escolheu o Brasil porque o país é “um dos players mais fundamentais do setor de açúcar e biocombustíveis”.
“[A operação] representa para nós um próximo passo natural e lógico, considerando que o Brasil tem um enorme potencial futuro na indústria de açúcar e biocombustíveis e histórico muito positivo na Europa”, afirmou.
Também em nota, o diretor-presidente da Agropéu e herdeiro dos fundadores da empresa, Geraldo Otacílio Cordeiro, disse: “Com a experiência internacional da AZC e nossa força local, estaremos prontos para expandir nossa atuação e contribuir ainda mais para o desenvolvimento da produção de açúcar, etanol e energia no Brasil”.
A transação contou com a consultoria técnico-financeira da Datagro, que aproximou as duas empresas. Para o diretor da consultoria, Guilherme Nastari, “os investimentos da AZC reforçam a importância e protagonismo do Brasil na produção de energias renováveis”.
Camila Souza Ramos