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Grupo Cevital quer investir US$ 750 mi em planta de etanol de milho no MT


Gcom-MT - Publicado: 17 Dez 2015 - 07:19 | Atualizado: 18 Dez 2015 - 09:07
Grupo Cevital quer investir US$ 750 mi em planta de etanol de milho no MT

Governador do Mato Grosso, Pedro Taques, recebe representantes do grupo argelino Cevital

Representantes do grupo Cevital, com sede na Argélia, apresentaram ao governador do Mato Grosso, Pedro Taques, o projeto de instalação de uma indústria de etanol de milho no município de Vera. O projeto prevê também, em um segundo momento, a instalação de outras agroindústrias, como uma esmagadora de soja e milho e uma fábrica de ração. A expectativa de investimentos na região é de 750 milhões de dólares, gerando três mil empregos, sendo mil diretos e dois mil indiretos. O complexo industriário será dividido em três etapas, com duração entre três e cinco anos para desenvolvimento.

A empresa trará uma tecnologia pouco utilizada no Brasil, o etanol de milho, mas muito difundida e utilizada em países como os Estados Unidos, gerando divisas e insumos para agropecuária, explicou o representante da Cevital no país, Paulo Hegg, durante reunião nesta terça-feira (15) no Palácio Paiaguás. “Queremos com isso agregar valor à matéria prima produzida no estado, gerando novos empregos e formando mão de obra mais especializada”, afirmou o executivo.

Vale lembrar que o etanol de milho não é inédito no país. Um exemplo é a unidade flex Usina Rio Verde, em Goiás. O projeto é uma joint venture entre a Usina São João, da USJ Açúcar e Álcool, e da norte-americana Cargill.

Investimento em Mato Grosso

Uma das principais razões do investimento da Cevital é o estado do Mato Grosso ser um grande produtor agrícola. O grupo já compra do Brasil, segundo Paulo Hegg, R$ 1,6 bilhões de dólares por ano de produtos como açúcar, soja e milho por meio de trades internacionais do Japão, Suíça, França e Inglaterra. “Chegamos à conclusão que devíamos estar mais próximos dos produtores e a maior parte destes produtos estão em Mato Grosso. Desta forma resolvemos priorizar o estado dentro da implantação no Brasil”, afirma.

O governador Pedro Taques agradeceu a presença dos executivos da Cevital e destacou que Mato Grosso tem um ambiente propício para atrair investimentos. “O interesse de uma empresa do nível da Cevital em investir em Mato Grosso ajudará a abrir portas para outros investidores estrangeiros e para novos mercados, como o africano”. Taques ofereceu todo apoio necessário ao grupo, destacando que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico estará em contato direto com os empreendedores buscando agilidade e viabilidade nos processos de licenciamento, energia, incentivos fiscais e financiamento de forma a trazer este investimento o mais rápido possível para o estado.

Novos mercados

O projeto, além de trazer agregação de valor com o processo de industrialização do milho e da soja, é importante por sair dos grandes centros e abrir novos mercados, destaca o secretário de Desenvolvimento Econômico, Seneri Paludo, que está à frente da negociação com o grupo argelino. “É um investimento extremamente significativo para Mato Grosso que trará crescimento para um município pequeno, uma região que ainda precisa ser desenvolvida e abrirá para produtores e empreendedores do estado um mercado de negociação com o norte africano”.

A parceria com o Legislativo por meio de leis que proporcionem condições jurídicas para os investimentos de grupos internacionais foi um ponto importante levantando por Seneri. Representando a Assembleia, o deputado Dilmar Dal Bosco, que ressaltou a seriedade do governador Pedro Taques no empenho de trazer ao estado grandes empreendedores. “É uma gestão que se preocupa com questões ambientais, de energia elétrica e no desenvolvimento e industrialização do interior. O Governo está no caminho certo para gerar empregos, promovendo o desenvolvimento econômico e preservação ambiental”.

Cevital

É uma empresa familiar privada, criada em 1971 na Argélia e dirigida pelo pai e cinco filhos. Até 1998, a empresa tinha como ponto central os setores siderúrgicos e metalúrgicos. Há 16 anos, se tornou uma das principais empresas do ramo agropecuário do mundo, sendo que hoje 60% do faturamento do grupo, em um total de US$ 5 bilhões de dólares por ano, vem da agroindústria.

Além da refinaria de açúcar na Argélia, com estrutura de um porto próprio e a produção de 2,7 milhões de toneladas por ano, a empresa atua em outros setores como óleo refinado e margarina. Após inserir no mercado europeu, com a implementação, dentre outros empreendimentos, de uma siderúrgica na Itália com um porto, que terá uma plataforma de recebimento de produtos brasileiros para distribuição na Europa, o próximo passo da empresa é investir no Brasil, em especial em Mato Grosso, e avançar as negociações com países africanos, como Sudão, Costa do Marfim, Angola e Moçambique.

Renata Prata
Com edição adicional novaCana.com