Executivo da pioneira de etanol celulósico revela problemas que estão limitando a evolução da indústria de segunda geração no BrasilHá alguns anos o governo brasileiro resolveu tirar o atraso e mobilizou o BNDES e a Finep para incentivar o desenvolvimento do etanol de segunda geração no Brasil. O esforço do governo, no entanto, está deixando de lado questões importantes que estão atrapalhando o desenvolvimento desse novo combustível.
As informações dos problemas partem de ninguém menos que a GranBio, a pioneira na produção de etanol celulósico no Brasil, em evento acompanhado por poucas pessoas promovido pelo Grupo de Economia da Energia (GEE) da UFRJ. "Não estamos esperando subsídio do governo, nossos projetos são competitivos sem a necessidade de subsídio. O que esperamos é ter no Brasil um ambiente amigável a este tipo de inovação porque hoje enfrentamos situações bem complicadas", afirmou o vice-presidente executivo da GranBio, Alan Hiltner.
Conheça a seguir quais são as "situações complicadas" enfrentadas pela GranBio e como elas estão limitando o desenvolvimento do etanol celulósico no Brasil.
Há alguns anos o governo brasileiro resolveu tirar o atraso e mobilizou o BNDES e a Finep para incentivar o desenvolvimento do etanol de segunda geração no Brasil. O esforço do governo, no entanto, está deixando de lado questões importantes que estão atrapalhando o desenvolvimento desse novo combustível.
As informações dos problemas partem de ninguém menos que a GranBio, a pioneira na produção de etanol celulósico no Brasil, em evento acompanhado por poucas pessoas promovido pelo Grupo de Economia da Energia (GEE) da UFRJ. "Não estamos esperando subsídio do governo, nossos projetos são competitivos sem a necessidade de subsídio. O que esperamos é ter no Brasil um ambiente amigável a este tipo de inovação porque hoje enfrentamos situações bem complicadas", afirmou o vice-presidente executivo da GranBio, Alan Hiltner.
A empresa está enfrentando dificuldades para adquirir e aplicar a tecnologia necessária ao seu projeto. De acordo com o Hiltner, o trâmite para aprovação pela CNTBio da levedura que será usada na primeira planta da GranBio, pode demorar até dois anos por se tratar de um organismo geneticamente modificado. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a saccharomyces cerevisiae transgênica – produzida pela holandesa da DSM, parceira da GranBio – seria facilmente liberada por não apresentar risco para a saúde humana e animal. "Quando se passa dois anos para aprovar uma levedura, significa que a levedura que usamos aqui está sempre dois anos defasada em relação a que outros países estão usando", reclama.
O governo injetou recursos, mas não se preocupou em discutir um ambiente jurídico favorável. A regulação nacional continua atrasada e atrasando os projetos de segunda geração. Com uma intensa demanda tecnológica, os empreendimentos voltados para aproveitamento da biomassa precisam importar conhecimentos e equipamentos se quiserem acontecer comercialmente. Embora exista dinheiro para isso, há muitas barreiras legais.
Hoje a legislação brasileira não distingue um fermentador com pouco mais de 10 litros, de outro com capacidade de 2,1 milhões de litros – como os utilizados pela GranBio – ambos são classificados simplesmente como fermentadores industriais. Outra dificuldade está na importação de tecnologia de ponta porque há limitações para trazer equipamentos estrangeiros.
"Queremos aproveitar as empresas que estão lá fora sendo vendidas porque não conseguiram sobreviver e trazer estas plantas piloto para cá, mas há legislação no MDIC [Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior] que proíbe fazer isso porque considera o equipamento industrial usado, então temos dificuldade de internalizar tecnologia de ponta", relatou.
Para Hiltner, o único incentivo esperado pelas empresas de segunda geração é de um ambiente regulatório que estimule o empresariamento e a inovação.
"A nossa crença é que essa é uma nova revolução, o lugar certo para estar é o Brasil, aqui e agora. A gente tem que se conscientizar que o que falta para o país fazer é uma mudança de marco regulatório que incentive essa indústria. Se essa ficha cai e se a gente adota a mudança de marco regulatório como necessidade para desenvolver a indústria, aí eu acho que todos os desafios se destravam e o Brasil de fato assume uma condição de potência ambiental e potência biotecnológica", conclui.
Amanda SchArr – NovaCana
As informações dos problemas partem de ninguém menos que a GranBio, a pioneira na produção de etanol celulósico no Brasil, em evento acompanhado por poucas pessoas promovido pelo Grupo de Economia da Energia (GEE) da UFRJ. "Não estamos esperando subsídio do governo, nossos projetos são competitivos sem a necessidade de subsídio. O que esperamos é ter no Brasil um ambiente amigável a este tipo de inovação porque hoje enfrentamos situações bem complicadas", afirmou o vice-presidente executivo da GranBio, Alan Hiltner.
Conheça a seguir quais são as "situações complicadas" enfrentadas pela GranBio e como elas estão limitando o desenvolvimento do etanol celulósico no Brasil.
Há alguns anos o governo brasileiro resolveu tirar o atraso e mobilizou o BNDES e a Finep para incentivar o desenvolvimento do etanol de segunda geração no Brasil. O esforço do governo, no entanto, está deixando de lado questões importantes que estão atrapalhando o desenvolvimento desse novo combustível.
As informações dos problemas partem de ninguém menos que a GranBio, a pioneira na produção de etanol celulósico no Brasil, em evento acompanhado por poucas pessoas promovido pelo Grupo de Economia da Energia (GEE) da UFRJ. "Não estamos esperando subsídio do governo, nossos projetos são competitivos sem a necessidade de subsídio. O que esperamos é ter no Brasil um ambiente amigável a este tipo de inovação porque hoje enfrentamos situações bem complicadas", afirmou o vice-presidente executivo da GranBio, Alan Hiltner.
A empresa está enfrentando dificuldades para adquirir e aplicar a tecnologia necessária ao seu projeto. De acordo com o Hiltner, o trâmite para aprovação pela CNTBio da levedura que será usada na primeira planta da GranBio, pode demorar até dois anos por se tratar de um organismo geneticamente modificado. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a saccharomyces cerevisiae transgênica – produzida pela holandesa da DSM, parceira da GranBio – seria facilmente liberada por não apresentar risco para a saúde humana e animal. "Quando se passa dois anos para aprovar uma levedura, significa que a levedura que usamos aqui está sempre dois anos defasada em relação a que outros países estão usando", reclama.
O governo injetou recursos, mas não se preocupou em discutir um ambiente jurídico favorável. A regulação nacional continua atrasada e atrasando os projetos de segunda geração. Com uma intensa demanda tecnológica, os empreendimentos voltados para aproveitamento da biomassa precisam importar conhecimentos e equipamentos se quiserem acontecer comercialmente. Embora exista dinheiro para isso, há muitas barreiras legais.
Hoje a legislação brasileira não distingue um fermentador com pouco mais de 10 litros, de outro com capacidade de 2,1 milhões de litros – como os utilizados pela GranBio – ambos são classificados simplesmente como fermentadores industriais. Outra dificuldade está na importação de tecnologia de ponta porque há limitações para trazer equipamentos estrangeiros.
"Queremos aproveitar as empresas que estão lá fora sendo vendidas porque não conseguiram sobreviver e trazer estas plantas piloto para cá, mas há legislação no MDIC [Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior] que proíbe fazer isso porque considera o equipamento industrial usado, então temos dificuldade de internalizar tecnologia de ponta", relatou.
Para Hiltner, o único incentivo esperado pelas empresas de segunda geração é de um ambiente regulatório que estimule o empresariamento e a inovação.
"A nossa crença é que essa é uma nova revolução, o lugar certo para estar é o Brasil, aqui e agora. A gente tem que se conscientizar que o que falta para o país fazer é uma mudança de marco regulatório que incentive essa indústria. Se essa ficha cai e se a gente adota a mudança de marco regulatório como necessidade para desenvolver a indústria, aí eu acho que todos os desafios se destravam e o Brasil de fato assume uma condição de potência ambiental e potência biotecnológica", conclui.
Amanda SchArr – NovaCana