2ª Geração

2ª Geração

GranBio inicia produção de etanol de segunda geração


- novaCana.com - - Publicado: 24 Set 2014 - 13:44 | Atualizado: 06 Out 2014 - 17:37

Pioneira na produção em escala comercial do etanol de segunda geração (2G) no hemisfério sul, a GranBio anunciou nesta quarta-feira (24) o início da produção em sua primeira fábrica. A Bioflex 1, unidade construída em São Miguel dos Campos, em Alagoas, já opera há dez dias produzindo etanol a partir da palha da cana-de-açúcar.

“Quando anunciamos a construção da fábrica em Alagoas, em meados de 2012, assumimos o risco da inovação e do pioneirismo em um projeto com potencial transformador para as indústrias de biocombustíveis e bioquímicos”, afirma o presidente da GranBio, Bernardo Gradin. “Mais do que a inauguração de uma fábrica, esse projeto é uma prova de que o Brasil pode liderar a indústria de biotecnologia mundial a partir de seu potencial agrícola”.

O investimento total na primeira unidade com capacidade para produzir 82 milhões de litros e gerar 61 MWhora de energia foi de US$ 265 milhões. Os recursos foram distribuídos entre a construção da fábrica, US$ 190 milhões, e o sistema de cogeração, US$ 75 milhões. Para a geração de vapor e energia elétrica o investimento foi feito em conjunto com a Usina Caeté, do grupo alagoano Carlos Lyra.

No momento, a unidade opera com 20% da capacidade e estão sendo fabricados em torno de 100 mil litros por semana. Dentro de um mês a expectativa é alcançar uma ocupação de 50% e com isso gerar 1 milhão de litros por mês a partir de outubro. Esse volume deve aumentar paulatinamente até que a unidade atinja a sua capacidade total, com a produção de 8 milhões de litros ao mês, o que segundo o presidente da companhia, pode ocorrer já na metade de 2015.

Quando operar a plena capacidade, a GranBio espera que o custo de produção do etanol de segunda geração seja 20% mais baixo que o do biocombustível de primeira geração.

Em operação: Usina da GranBio em São Miguel dos Campos (AL)granbio-usina pronta1

Cogeração com lignina

A GranBio e a Usina Caeté criaram uma parceria para a cogeração através de uma terceira empresa, a Companhia Energética São Miguel dos Campos. Instalado ao lado da Bioflex, o sistema de cogeração é alimentado com bagaço de cana-de-açúcar e lignina – subproduto gerado no processo de produção do etanol de segunda geração. A solução é inédita no Brasil e o uso da lignina traz a vantagem de oferecer menor umidade e, portanto, melhor eficiência na queima.

A caldeira do sistema de cogeração permanecerá em operação durante onze meses no ano, o equivalente a oito mil horas, no período de safra e entressafra da usina Caeté. Assim, além de atender às necessidades das duas fábricas, a caldeira gerará um excedente de energia elétrica da ordem de 135 mil MWh/ano. A energia para exportação é suficiente para abastecer uma cidade de 300 mil habitantes. Inicialmente a comercialização será no mercado livre.

Vista panorâmica da Bioflex, a usina da GranBio: "Nenhum outro combustível produzido em larga escala é mais vantajoso para o meio ambiente"Vista panorâmica da Bioflex 1, a usina da GranBio em São Miguel dos Campos (AL)

Mudanças no projeto

Com previsão inicial de inauguração para o primeiro trimestre de 2014, a Bioflex passou por mudanças no projeto que resultaram na ampliação da cogeração e também melhorias feitas a partir da experiência da usina 2G italiana Beta Renewables, parceira da GranBio e provedora da tecnologia para conversão da biomassa. As modificações fizeram com que o projeto custasse 35% mais do que o planejado.

Além disso, as alterações foram acompanhadas de um período de chuvas intenso, o que provocou o adiamento da partida da planta. O tempo total de construção foi de 20 meses. Apesar do atraso, a companhia considera que o prazo foi menor do que qualquer outro empreendimento desse porte. As obras foram gerenciadas pela GranEnergia, empresa que, como a GranBio, também é controlada pela GranInvestimentos S.A, holding da família Gradin.

A GranBio desenvolveu um sistema de coleta, armazenamento e processamento de palha equivalente a 400 mil toneladas por ano para a Bioflex. A fábrica utiliza a tecnologia de pré-tratamento Proesa da empresa italiana BetaRenewables (do Grupo M&G), as enzimas da dinamarquesa Novozymes e as leveduras da holandesa DSM.

A principal fonte de recursos do empreendimento foi o BNDES, que já investiu R$ 600 milhões até o momento. Diretamente o banco financiou R$ 300 milhões, através do PAISS – Plano de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico. Outros R$ 300 milhões vieram através do braço de participações do banco, o BNDESPar, que é sócio da GranBio, e ainda deve injetar outros R$ 300 milhões.

GranBio quer mandar pelo menos metade da produção da usina para a Califórnia (EUA)Tubulações e tanques da usina de etanol celulósico

Destino da produção do E2G

O etanol 2G da GranBio é o combustível produzido em escala comercial mais limpo do mundo em intensidade de carbono (CI). O biocombustível está prestes a ser certificado pelo governo da Califórnia – destino planejado de pelo menos metade de produção da usina.

A empresa afirmou que já obteve comprovação pelo Air Resources Board (ARB), órgão regulador do estado norte-americano, de um CI de 7,55 gCO2/MJ para o etanol de palha. O valor é ligeiramente superior ao CI de 6,98 CO2e/MJ solicitado pela GranBio. A decisão ainda não foi anunciada pelo Carb.

“O cálculo leva em conta as emissões de CO2 desde a coleta da matéria-prima, passando pelos insumos e consumo de energia, até o transporte e distribuição em porto da Califórnia. Nenhum outro combustível produzido em larga escala é mais vantajoso para o meio ambiente e para reversão das mudanças climáticas que o da GranBio”.

Como revelado com exclusividade pelo portal novaCana.com, a Califórnia é o mercado alvo da GranBio. Ao estado dos EUA a companhia pretende enviar, no mínimo, metade de sua produção, no entanto, isso não deve acontecer nos próximos meses. Para exportar, a empresa precisa de um lastro de 10 milhões de litros o que deve conseguir no segundo trimestre de 2015, segundo Gradin.

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