Vice-presidente da empresa afirma que "quem tem açúcar celulósico barato, tem petróleo barato disponível" e critica empresas dos EUA que "prometeram muita coisa antes da hora"A GranBio quer provar que o processo escolhido para transformar celulose em açúcar é eficiente e seu etanol é economicamente viável, mas acredita que a aposta na biotecnologia renderá outros frutos. "Etanol é o começo da conversa, é a prova de conceito de que a hidrólise funciona, de que a quebra da celulose nas moléculas de açúcar dá certo", afirmou o vice-presidente executivo da GranBio, Alan Hiltner, durante o Seminário GEE - Desafios da Energia no Brasil, evento promovido pelo Grupo de Economia da Energia (GEE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro na semana passada.
Hiltner falou sobre diversos assuntos no evento, entre eles:
- Críticas às empresas norte-americanas que "prometeram muita coisa antes da hora"
- A operação da empresa que permite adquirir uma tonelada de matéria-prima por apenas US$ 25
- Com enzimas competitivas, pré-tratamentos relativamente maduros e leveduras mais rápidas na fermentação dos açúcares celulósicos, a indústria ainda não consegue ser competitiva
- A relação entre as políticas de energia e a biotecnologia
A primeira planta industrial de etanol celulósico no hemisfério sul é apenas o princípio do projeto da GranBio. Conforme um dos executivos da empresa, o objetivo é provar que o processo é eficiente e economicamente viável. "Etanol é o começo da conversa, é a prova de conceito de que a hidrólise funciona, de que a quebra da celulose nas moléculas de açúcar dá certo", afirmou o vice-presidente executivo da GranBio, Alan Hiltner, durante o Seminário GEE - Desafios da Energia no Brasil, evento promovido pelo Grupo de Economia da Energia (GEE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro na semana passada.
A primeira unidade, situada em Alagoas, só deve ser inaugurada no primeiro trimestre de 2014, mas Hiltner está convicto de que a biotecnologia vai crescer a velocidades espantosas. "O setor de biotecnologia, considerando os quatro campos principais – industrial, médica, ambiental e agrícola – tem potencial de crescimento de mais de 15% ao ano. Não dá para perder esta oportunidade, a crença da gente é de que o açúcar celulósico é o novo petróleo porque a partir dele fazemos toda a cadeia petroquímica".
A companhia, que anunciou uma planta de bio n-butanol em parceria com a Rhodia em agosto, pretende ir além. "É o nosso primeiro químico e vamos anunciar outras [plantas industriais], porque quem tem açúcar celulósico barato, tem petróleo barato disponível", assegurou.
A biotecnologia necessária para extrair o "petróleo verde" e inesgotável, possui quatro direcionadores principais, segundo Hiltner. O primeiro é a agenda de energia, seguida da agenda de sustentabilidade e, por último, a agenda de desenvolvimento e criação de emprego. A mais importante é a agenda de energia porque historicamente é a que impulsiona ou retrai essa indústria.
Junto a isso, a vulnerabilidade norte-americana devido à sua dependência energética impulsionou a indústria de biotecnologia, assim como pesquisas para outras fontes de energia. Entretanto, com a descoberta do shale gas, a agenda de biotecnologia passa a ser menos importante e começam a diminuir os incentivos a essa indústria.
"Mas nos anos áureos de 2009 e 2010, quando essa indústria chegou a receber 800 milhões de grant, dinheiro a fundo perdido nos EUA, se criou uma miríade de empresas que desenvolveram uma plataforma biotecnológica muito forte. Mas essas empresas, em sua maior parte, prometeram muita coisa antes da hora: essas promessas em grande medida não se realizaram. Passamos a viver um momento de descrédito com as indústrias de biotecnologia simplesmente porque os fungos, as bactérias e as leveduras se recusaram a continuar aumentando as suas produtividades no ritmo que os economistas, os planejadores ou quem fez os IPOs dessas indústrias disseram que elas tinham que se comportar", diz o vice-presidente da GranBio.
"Quando nós da GranBio começamos a fazer as contas, vimos que a competitividade das outras três coisas – pré-tratamento, enzima e levedura – está radicalmente ligada ao preço da biomassa". Pesquisando com grandes fornecedores de matéria-prima nos EUA, os executivos descobriram que lá o preço da tonelada ficava entre US$ 70 a 75, um custo que não atenderia o objetivo da empresa: tornar o etanol celulósico competitivo com o de primeira geração.
Para obter uma fonte barata de biomassa, a pioneira do etanol celulósico no Brasil desenvolveu duas soluções. A primeira é o recolhimento do excesso de palha que fica nos canaviais das usinas tradicionais. Essa fonte permite à GranBio iniciar sua produção imediatamente, mas não dá independência à companhia, que precisaria se manter atrelada às unidades de primeira geração. Para solucionar isso, uma nova variedade de cana está em desenvolvimento.
"Apostamos que o futuro da cana é ser outra cana: que não produz açúcar essencialmente, mas produz fibra. Para isso, fomos buscar os ancestrais da cana". Para chegar a essa variedade rica em biomassa, foi importado germoplasma de variedades remotas de cana de todos os lugares do mundo. Essas espécies foram cruzadas na estação experimental situada em Alagoas e originaram uma nova variedade, chamada de cana-energia. "O resultado foi que conseguimos uma cana que tem um teor de açúcar muito baixo, de 6% a 7%, mas que tem uma produção de fibras muito alta, cerca de 70 toneladas de matéria seca por hectare", explicou.
"Então as operações que temos hoje, tanto coleta de palha como a operação de plantar e colher cana-energia, entregam na fábrica da GranBio matéria-prima abaixo de US$ 25 por tonelada comparados com aqueles US$ 75 por tonelada que é o que os americanos estão pagando", revelou.
Amanda SchArr – NovaCana
Hiltner falou sobre diversos assuntos no evento, entre eles:
- Críticas às empresas norte-americanas que "prometeram muita coisa antes da hora"
- A operação da empresa que permite adquirir uma tonelada de matéria-prima por apenas US$ 25
- Com enzimas competitivas, pré-tratamentos relativamente maduros e leveduras mais rápidas na fermentação dos açúcares celulósicos, a indústria ainda não consegue ser competitiva
- A relação entre as políticas de energia e a biotecnologia
A primeira planta industrial de etanol celulósico no hemisfério sul é apenas o princípio do projeto da GranBio. Conforme um dos executivos da empresa, o objetivo é provar que o processo é eficiente e economicamente viável. "Etanol é o começo da conversa, é a prova de conceito de que a hidrólise funciona, de que a quebra da celulose nas moléculas de açúcar dá certo", afirmou o vice-presidente executivo da GranBio, Alan Hiltner, durante o Seminário GEE - Desafios da Energia no Brasil, evento promovido pelo Grupo de Economia da Energia (GEE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro na semana passada.
A primeira unidade, situada em Alagoas, só deve ser inaugurada no primeiro trimestre de 2014, mas Hiltner está convicto de que a biotecnologia vai crescer a velocidades espantosas. "O setor de biotecnologia, considerando os quatro campos principais – industrial, médica, ambiental e agrícola – tem potencial de crescimento de mais de 15% ao ano. Não dá para perder esta oportunidade, a crença da gente é de que o açúcar celulósico é o novo petróleo porque a partir dele fazemos toda a cadeia petroquímica".
A companhia, que anunciou uma planta de bio n-butanol em parceria com a Rhodia em agosto, pretende ir além. "É o nosso primeiro químico e vamos anunciar outras [plantas industriais], porque quem tem açúcar celulósico barato, tem petróleo barato disponível", assegurou.
A biotecnologia necessária para extrair o "petróleo verde" e inesgotável, possui quatro direcionadores principais, segundo Hiltner. O primeiro é a agenda de energia, seguida da agenda de sustentabilidade e, por último, a agenda de desenvolvimento e criação de emprego. A mais importante é a agenda de energia porque historicamente é a que impulsiona ou retrai essa indústria.
A história da biotecnologia e a agenda de energia
O executivo explica que "a indústria de energia e biotecnologia começaram juntas por um erro histórico". Os norte-americanos notaram que após terem jogado a bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, os sobreviventes passaram a desenvolver modificações genéticas em si e nos seus descendentes. Desde o episódio, percebida a associação entre energia e modificação genética, o departamento de energia dos Estados Unidos tem sido o maior financiador da indústria de biotecnologia no planeta. "Essa foi uma agenda puxada pela energia e quando essa agenda de energia muda, a agenda da biotecnologia muda também, que é o que estamos vendo acontecer agora".Junto a isso, a vulnerabilidade norte-americana devido à sua dependência energética impulsionou a indústria de biotecnologia, assim como pesquisas para outras fontes de energia. Entretanto, com a descoberta do shale gas, a agenda de biotecnologia passa a ser menos importante e começam a diminuir os incentivos a essa indústria.
"Mas nos anos áureos de 2009 e 2010, quando essa indústria chegou a receber 800 milhões de grant, dinheiro a fundo perdido nos EUA, se criou uma miríade de empresas que desenvolveram uma plataforma biotecnológica muito forte. Mas essas empresas, em sua maior parte, prometeram muita coisa antes da hora: essas promessas em grande medida não se realizaram. Passamos a viver um momento de descrédito com as indústrias de biotecnologia simplesmente porque os fungos, as bactérias e as leveduras se recusaram a continuar aumentando as suas produtividades no ritmo que os economistas, os planejadores ou quem fez os IPOs dessas indústrias disseram que elas tinham que se comportar", diz o vice-presidente da GranBio.
Matéria-prima barata
Com enzimas competitivas, pré-tratamentos relativamente maduros e leveduras mais rápidas na fermentação dos açúcares celulósicos, ainda faltava uma matéria-prima para tornar essa indústria competitiva. Para enfatizar o impacto desse componente sobre o custo de produção, Hiltner explica que a tecnologia de segunda geração demanda de quatro a cinco toneladas de biomassa para converter em uma tonelada de etanol."Quando nós da GranBio começamos a fazer as contas, vimos que a competitividade das outras três coisas – pré-tratamento, enzima e levedura – está radicalmente ligada ao preço da biomassa". Pesquisando com grandes fornecedores de matéria-prima nos EUA, os executivos descobriram que lá o preço da tonelada ficava entre US$ 70 a 75, um custo que não atenderia o objetivo da empresa: tornar o etanol celulósico competitivo com o de primeira geração.
Para obter uma fonte barata de biomassa, a pioneira do etanol celulósico no Brasil desenvolveu duas soluções. A primeira é o recolhimento do excesso de palha que fica nos canaviais das usinas tradicionais. Essa fonte permite à GranBio iniciar sua produção imediatamente, mas não dá independência à companhia, que precisaria se manter atrelada às unidades de primeira geração. Para solucionar isso, uma nova variedade de cana está em desenvolvimento.
"Apostamos que o futuro da cana é ser outra cana: que não produz açúcar essencialmente, mas produz fibra. Para isso, fomos buscar os ancestrais da cana". Para chegar a essa variedade rica em biomassa, foi importado germoplasma de variedades remotas de cana de todos os lugares do mundo. Essas espécies foram cruzadas na estação experimental situada em Alagoas e originaram uma nova variedade, chamada de cana-energia. "O resultado foi que conseguimos uma cana que tem um teor de açúcar muito baixo, de 6% a 7%, mas que tem uma produção de fibras muito alta, cerca de 70 toneladas de matéria seca por hectare", explicou.
"Então as operações que temos hoje, tanto coleta de palha como a operação de plantar e colher cana-energia, entregam na fábrica da GranBio matéria-prima abaixo de US$ 25 por tonelada comparados com aqueles US$ 75 por tonelada que é o que os americanos estão pagando", revelou.
Amanda SchArr – NovaCana