A presidente da Petrobras, Graça Foster, considerou que os reajustes acumulados de 21,9% no preço do diesel e de 14,9% no da gasolina, nos últimos dez meses, não foram pouco. A executiva admitiu anda que as altas nos preços dos combustíveis pressionam a inflação e podem impactar na demanda. "Não podemos considerar (a possibilidade de) a inflação destruir o poder de consumo de vocês. Precisamos do poder de consumo de vocês", disse Graça Foster, em palestra na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, neste sábado (20).
Ao ser questionada, sobre a interferência do governo, maior acionista da companhia, nos preços dos combustíveis como forma de controle da alta da inflação, a presidente da Petrobras lembrou de debates sobre as altas nos preços do combustível no conselho de administração da companhia, citou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, presidente do órgão, e arrematou: "Não considero que o governo faça qualquer mal a Petrobras".
Como tem feito eventualmente quando indagada sobre etanol, a presidente da Petrobras elogiou o combustível de cana de açúcar e lembrou que as novas refinarias da estatal terão a capacidade de produção voltada para o diesel em detrimento da gasolina. "Por isso eu gosto muito mais de etanol, do que de gasolina", disse Graça.
Ela avaliou ainda que o retorno da mistura de etanol anidro à gasolina de 20% para 25%, em 1º de maio, marcará a revitalização do setor, do qual a estatal participa com a Petrobras Biocombustível. "Temos certeza que a volta do etanol será gloriosa e que os usineiros ficarão felizes com a volta aos 25%. O etanol tem tudo a ver com o Brasil", concluiu.
GUSTAVO PORTO