O trabalho que deve orientar o planejamento energético do país de 2013 a 2022 coloca que será viável a instalação de greenfields em um futuro próximoComo faz todo ano, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou em detalhes suas projeções de consumo de combustíveis para os próximos dez anos. O trabalho da instituição, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), serve de referência nas discussões do governo sobre o planejamento da matriz energética.
Normalmente a EPE adota uma postura conservadora em suas projeções e evita avaliar questões políticas em definição para não acrescentar insegurança ao trabalho. Assim, a entidade apresentou números semelhantes às recentes projeções do Mapa e da Fiesp/MB Agro, mas surpreendeu ao revelar como acredita que os empresários do setor sucroenergético se organizarão para atender essa crescente demanda.
Veja a seguir os detalhes da posição do governo em relação aos investimentos em novas usinas.
Como faz todo ano, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou em detalhes suas projeções de consumo de combustíveis para os próximos dez anos. O trabalho da instituição, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), serve de referência nas discussões do governo sobre o planejamento da matriz energética. Neste momento o plano decenal está em consulta pública.
Normalmente a EPE adota uma postura conservadora em suas projeções e evita avaliar questões políticas em definição para não acrescentar insegurança ao trabalho. Assim, a entidade apresentou números semelhantes as recentes projeções do Mapa e da Fiesp/MB Agro, mas surpreendeu ao revelar como acredita que os empresários do setor sucroenergético se organizarão para atender essa crescente demanda.
Em relação à demanda, as projeções indicam que, em dez anos, o Brasil consumirá cerca de 20% mais energia, enquanto o consumo de etanol deve crescer 113,5%. Os números são apresentados no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2022.
Conforme o estudo, o consumo de etanol – anidro e hidratado – irá saltar de 11,432 mil/tep, valor estimado em 2013, para 24,408 mil/tep em 2022. A taxa anual de expansão é 9,3%, a mais alta entre todas as fontes energéticas. Em termos de participação na oferta de energia, isso significa um crescimento de 4,6% para 6,6%, ao final dos dez anos.
"Para o período 2013-2022, projeta-se que o mercado brasileiro de etanol continuará em expansão, devido ao aumento expressivo da frota de veículos flex-fuel. No entanto, o crescimento terá menor intensidade, quando comparado ao Plano anterior [2012-2021], devido às restrições na oferta do produto. No mercado internacional, estima-se um crescimento marginal das exportações brasileiras, impactadas principalmente pelos problemas na produção doméstica. Ainda assim, o Brasil se manterá como um dos principais players no período analisado", explica o documento.
Entretanto, este não será exatamente um período de retomada maciça de investimentos. Conforme a pesquisa, nos primeiros anos do decênio a oferta de etanol continuará sofrendo limitações e apenas nove novas usinas devem ser implantadas. Entre diversos motivos são destacadas as restrições na produção de cana e a expansão da demanda externa de açúcar.
O período seguinte irá acentuar o crescimento da produção, a partir daí, impulsionado por mais projetos greenfield. "A partir de 2016, prevê-se uma aceleração do crescimento da oferta, com a implantação de novas unidades produtoras. Nesse contexto, vislumbram-se empreendimentos direcionados a facilitar e reduzir os custos de transporte e armazenagem de etanol", projeta o estudo.

Pela previsão do documento, o consumo de combustíveis deve continuar em patamares acima do crescimento econômico. O estudo considera uma taxa média de crescimento mundial de cerca de 4% ao ano, enquanto o PIB do Brasil se expande a uma taxa média de 4,8% ao ano. A demanda de combustíveis pelos veículos de ciclo Otto no Brasil foi estimada pela EPE em 5,4% ao ano.
Para atender a frota nacional, espera-se taxas elevadas de crescimento da demanda de etanol hidratado em 11,2% ao ano. Já o consumo de gasolina 'A', passa a crescer 3,1% ao ano. Apesar do índice menor do que o biocombustível, o ritmo de crescimento decenal da gasolina é maior do que o estimado no plano anterior. Segundo o documento, isso ocorre "em função da perda de competitividade do etanol hidratado frente à gasolina 'C' (gasolina A + etanol anidro). Com isso, o crescimento da demanda de gasolina C no período decenal chega a 3,8% ao ano e se deve tanto ao atendimento à frota dedicada a gasolina, quanto à parcela da frota flex fuel que consome esse combustível".
O índice será puxado por uma maior variação de consumo na primeira metade do decênio, com alta prevista de 18,6% ao ano. Nos últimos cinco anos, estima-se um ritmo bem mais contido em 4,3% ao ano.
No acumulado do período, a maioria das regiões terá a demanda aumentada em mais de três vezes – Norte (232%), Nordeste (242%), Centro-Oeste (244%). Fica um pouco mais atrás o Sudeste, que já é maior região consumidora, com incremento de 187%, e a exceção será a região Sul, que ao final do decênio terá a demanda ampliada em 70%, crescimento bem abaixo das demais.

"Quanto à demanda brasileira de etanol anidro, estima-se que, em 2013, o consumo seja de 7,9 bilhões de litros, considerando-se o teor médio obrigatório de 23,3% [20% de janeiro a abril e 25% de maio a dezembro] adicionado à gasolina A em 2013 e de 25% para o restante do período decenal".
Assim como o hidratado, o consumo do etanol anidro também será impulsionado nos primeiros cinco anos do decênio a um ritmo de 7,9% ao ano. Na metade seguinte, a taxa cai e fica em 4,4% ao ano.
Em relação às diferenças regionais no crescimento de consumo, estas devem ser bem mais acentuadas em relação ao anidro. Ao final do período, o Nordeste terá o maior aumento acumulado de demanda, estimado em 121%, seguido pela região Norte, com um crescimento de 77%. O Sul terá um incremento de 47%. As principais regiões produtoras, Sudeste e Centro-Oeste, terão uma evolução de demanda de anidro menor, de 16% e 29%, respectivamente, influenciadas pelo maior consumo de hidratado.
Confrontando a evolução da consumo de gasolina e etanol, fica evidente que a EPE acredita que nos próximos 10 anos o consumo de gasolina crescerá mais que o de etanol na região Sudeste. No Sul, a taxa de crescimento será a mesma para os dois combustíveis, já nas demais regiões o etanol ganhará significativamente o espaço da gasolina.

Amanda SchArr – NovaCana
Normalmente a EPE adota uma postura conservadora em suas projeções e evita avaliar questões políticas em definição para não acrescentar insegurança ao trabalho. Assim, a entidade apresentou números semelhantes às recentes projeções do Mapa e da Fiesp/MB Agro, mas surpreendeu ao revelar como acredita que os empresários do setor sucroenergético se organizarão para atender essa crescente demanda.
Veja a seguir os detalhes da posição do governo em relação aos investimentos em novas usinas.
Como faz todo ano, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou em detalhes suas projeções de consumo de combustíveis para os próximos dez anos. O trabalho da instituição, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), serve de referência nas discussões do governo sobre o planejamento da matriz energética. Neste momento o plano decenal está em consulta pública.
Normalmente a EPE adota uma postura conservadora em suas projeções e evita avaliar questões políticas em definição para não acrescentar insegurança ao trabalho. Assim, a entidade apresentou números semelhantes as recentes projeções do Mapa e da Fiesp/MB Agro, mas surpreendeu ao revelar como acredita que os empresários do setor sucroenergético se organizarão para atender essa crescente demanda.
Em relação à demanda, as projeções indicam que, em dez anos, o Brasil consumirá cerca de 20% mais energia, enquanto o consumo de etanol deve crescer 113,5%. Os números são apresentados no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2022.
Conforme o estudo, o consumo de etanol – anidro e hidratado – irá saltar de 11,432 mil/tep, valor estimado em 2013, para 24,408 mil/tep em 2022. A taxa anual de expansão é 9,3%, a mais alta entre todas as fontes energéticas. Em termos de participação na oferta de energia, isso significa um crescimento de 4,6% para 6,6%, ao final dos dez anos.
"Para o período 2013-2022, projeta-se que o mercado brasileiro de etanol continuará em expansão, devido ao aumento expressivo da frota de veículos flex-fuel. No entanto, o crescimento terá menor intensidade, quando comparado ao Plano anterior [2012-2021], devido às restrições na oferta do produto. No mercado internacional, estima-se um crescimento marginal das exportações brasileiras, impactadas principalmente pelos problemas na produção doméstica. Ainda assim, o Brasil se manterá como um dos principais players no período analisado", explica o documento.
Retorno dos greenfields em 2016
Para dar conta de atender este crescimento, a EPE acredita que nos próximos três anos o setor sucroenergético deve começar a reverter a estagnação atual em termos de investimentos e volume produzido, aumentando a oferta do biocombustível de cana. "Entre 2013 e 2016, vislumbra-se o início da recuperação da oferta de etanol, motivado pelo retorno dos investimentos em renovação dos canaviais e em tratos culturais, que prosseguirão ao longo do período".Entretanto, este não será exatamente um período de retomada maciça de investimentos. Conforme a pesquisa, nos primeiros anos do decênio a oferta de etanol continuará sofrendo limitações e apenas nove novas usinas devem ser implantadas. Entre diversos motivos são destacadas as restrições na produção de cana e a expansão da demanda externa de açúcar.
O período seguinte irá acentuar o crescimento da produção, a partir daí, impulsionado por mais projetos greenfield. "A partir de 2016, prevê-se uma aceleração do crescimento da oferta, com a implantação de novas unidades produtoras. Nesse contexto, vislumbram-se empreendimentos direcionados a facilitar e reduzir os custos de transporte e armazenagem de etanol", projeta o estudo.
Gasolina
Ao mesmo tempo, a gasolina vai ter sua participação no consumo total de energia reduzida de 10,4% para 9%. Em volume, isso significará 33,29 mil/tep em 2022, um aumento de 26,9% em relação ao consumo atual. Ainda sim, o documento ressalta que "com a redução da produção de etanol [em relação ao estimado pelo PDE 2021] e o aumento da frota de veículos leves, prevê-se importação de gasolina ao longo de todo o período considerado".
Pela previsão do documento, o consumo de combustíveis deve continuar em patamares acima do crescimento econômico. O estudo considera uma taxa média de crescimento mundial de cerca de 4% ao ano, enquanto o PIB do Brasil se expande a uma taxa média de 4,8% ao ano. A demanda de combustíveis pelos veículos de ciclo Otto no Brasil foi estimada pela EPE em 5,4% ao ano.
Para atender a frota nacional, espera-se taxas elevadas de crescimento da demanda de etanol hidratado em 11,2% ao ano. Já o consumo de gasolina 'A', passa a crescer 3,1% ao ano. Apesar do índice menor do que o biocombustível, o ritmo de crescimento decenal da gasolina é maior do que o estimado no plano anterior. Segundo o documento, isso ocorre "em função da perda de competitividade do etanol hidratado frente à gasolina 'C' (gasolina A + etanol anidro). Com isso, o crescimento da demanda de gasolina C no período decenal chega a 3,8% ao ano e se deve tanto ao atendimento à frota dedicada a gasolina, quanto à parcela da frota flex fuel que consome esse combustível".
Hidratado: crescimento de 11,2% ao ano
Para 2013, a demanda nacional estimada de etanol hidratado é 11,6 bilhões de litros. No período decenal, estima-se um crescimento de 11,2% ao ano desta demanda. Em 2022, o volume deverá atingir 32,8 bilhões de litros.O índice será puxado por uma maior variação de consumo na primeira metade do decênio, com alta prevista de 18,6% ao ano. Nos últimos cinco anos, estima-se um ritmo bem mais contido em 4,3% ao ano.
No acumulado do período, a maioria das regiões terá a demanda aumentada em mais de três vezes – Norte (232%), Nordeste (242%), Centro-Oeste (244%). Fica um pouco mais atrás o Sudeste, que já é maior região consumidora, com incremento de 187%, e a exceção será a região Sul, que ao final do decênio terá a demanda ampliada em 70%, crescimento bem abaixo das demais.

Anidro: crescimento de 6,1% ao ano
O plano considera que o etanol anidro mantenha o percentual de 25% de mistura à gasolina ao longo do decênio e, com isso, alcance um consumo de 14,3 bilhões de litros em 2022. Para chegar a esse volume, a média de crescimento é de 6,1% ao ano em relação à demanda prevista para 2013."Quanto à demanda brasileira de etanol anidro, estima-se que, em 2013, o consumo seja de 7,9 bilhões de litros, considerando-se o teor médio obrigatório de 23,3% [20% de janeiro a abril e 25% de maio a dezembro] adicionado à gasolina A em 2013 e de 25% para o restante do período decenal".
Assim como o hidratado, o consumo do etanol anidro também será impulsionado nos primeiros cinco anos do decênio a um ritmo de 7,9% ao ano. Na metade seguinte, a taxa cai e fica em 4,4% ao ano.
Em relação às diferenças regionais no crescimento de consumo, estas devem ser bem mais acentuadas em relação ao anidro. Ao final do período, o Nordeste terá o maior aumento acumulado de demanda, estimado em 121%, seguido pela região Norte, com um crescimento de 77%. O Sul terá um incremento de 47%. As principais regiões produtoras, Sudeste e Centro-Oeste, terão uma evolução de demanda de anidro menor, de 16% e 29%, respectivamente, influenciadas pelo maior consumo de hidratado.
Confrontando a evolução da consumo de gasolina e etanol, fica evidente que a EPE acredita que nos próximos 10 anos o consumo de gasolina crescerá mais que o de etanol na região Sudeste. No Sul, a taxa de crescimento será a mesma para os dois combustíveis, já nas demais regiões o etanol ganhará significativamente o espaço da gasolina.

Amanda SchArr – NovaCana
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