O governo federal está criando um grupo interministerial para repensar o futuro dos carros no Brasil. O resultado deste trabalho virá com um programa para substituir o polêmico e malfalado Inovar-Auto.
O nome Inovar-Auto 2 foi descartado depois que a OMC condenou o programa original brasileiro, classificando-o como uma forma de protecionismo e colocando uma mancha de nível mundial na iniciativa. A nova versão do programa foi preliminarmente batizada de Rota 2030, com metas para os próximos 13 anos.
A ideia com que os técnicos do governo trabalham deve beneficiar o setor de etanol e o desenvolvimento dos veículos elétricos no Brasil. A redução do IPI com base nas cilindradas do motor, conforme incentiva o atual Inovar-Auto, deve dar lugar para uma base considerando o nível de eficiência dos veículos. Ou seja, o imposto passaria a ser mais leve nos carros que consomem e poluem menos.
A possibilidade de a tributação dos carros no Brasil deixar de se basear nas cilindradas dos motores abre uma grande oportunidade para a venda, no país, de carros puramente elétricos.
Em setembro do ano passado, a diretora do MDIC, Margarete Gandini, disse que uma das propostas sendo consideradas envolvia uma mistura entre cilindrada e consumo para a concessão de incentivo tributário de IPI. “Outra fórmula é criar metas anuais, como nos Estados Unidos, ou colocar uma meta futura, como acontece na Europa”, citou também.
No entanto, o Rota 2030 envolverá ainda diversos incentivos com o objetivo de estimular o desenvolvimento da indústria automobilística. Além da eficiência energética, as metas incluirão pesquisa e desenvolvimento em engenharia, além da segurança dos carros.
Na avaliação do ministério, as montadoras vão ser menos fabricantes de veículos e mais plataformas embarcadas de tecnologia, que agem como soluções em mobilidade e logística.
O MDIC apresentou ontem (dia 18) um esboço do programa para representantes das montadoras. O ministério deve publicar em breve uma portaria com os detalhes para a reformulação do Inovar-Auto.
O secretário de Desenvolvimento e Competitividade Industrial do Mdic, Igor Calvet, afirmou ao Valor Econômico que o objetivo do novo regime é propiciar uma integração competitiva do Brasil no mercado global. O governo aposta que o mundo terá cinco ou seis grandes polos de produção automobilístico no futuro. Na avaliação do ministério, as montadoras vão ser menos fabricantes de veículos e mais plataformas embarcadas de tecnologia, que agem como soluções em mobilidade e logística.
O grupo de ministérios e instituições formado pelo governo incluiu – além do o MDIC – Ministério da Fazenda, Planejamento, Ciência e tecnologia, Comunicações, Ibama, Denatran, ABDI e BNDES. Os trabalhos desta equipe devem ser concluídos até 30 de agosto.
novaCana.com
Com trechos do Valor Econômico e Automotive Business