O consumo de etanol perdeu fôlego nos últimos anos, mas o governo visualiza espaço para que a demanda pelo combustível volte a crescer, retomando até mesmo patamares recordes verificados em 2009. Segundo o secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Marco Antônio Martins, estão sendo criadas facilidades para que a produção de etanol cresça de forma significativa, e que o preço do combustível seja competitivo no longo prazo.
"Estamos criando condições para reduzir o custo de produção de etanol. Depois daquele boom de 2008, tudo ficou mais caro. Vejo espaço para o etanol voltar a crescer. Espero que, quanto antes isso ocorra, melhor", afirmou, durante a conferência "UK Energy in Brazil 2013", que ocorre nesta terça-feira, no Rio.
Em 2009, 54% do consumo do mercado de automóveis era tomado pelo combustível derivado da cana-de-açúcar. Atualmente, essa participação está entre 30% e 35%. A expectativa é que já haja algum incremento este ano, visto que a previsão da safra de canaindica um aumento de 10% a 15% na produção.
Martins frisou que o etanol deve ser competitivo no longo prazo, e não apenas em função da variação imediata de preço no mercado. Para ele, com a condição atual, o etanol não se torna um competidor forte num espaço de tempo maior.
"Já tivemos mais de 50% do mercado automotivo abastecido pelo etanol. Queremos que se volte a esse patamar", observou.
O aumento da renda do brasileiro foi determinante para o crescimento do mercado de combustíveis no Brasil nos últimos anos. De acordo com Martins, esse incremento foi de 6%, em média, nos últimos quatro anos. Essa variação foi considerada muito forte pelo secretário, o que acabou acarretando um não acompanhamento da produção de etanol.
"A produção de etanol foi insuficiente para acompanhar esse mercado", admitiu.
Portal Terra
Etanol conseguirá recuperar participação no mercado do país
O governo federal espera que nos próximos anos o etanol volte a competir de igual para igual com a gasolina, fazendo com que a metade da frota de veículos rode primordialmente com o biocombustível.
De 2009 para cá, o uso de etanol por parte dos consumidores em seus carros encolheu por problemas de oferta e de preço.
"Esperamos que o etanol seja competitivo e é isso que buscamos... Em dois ou três anos, quero até que passe isso", disse nesta terça-feira o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Almeida, referindo-se à parcela da frota rodando com álcool.
Atualmente, o percentual de carros que rodam apenas com etanol varia entre 30 e 35 por cento, de acordo com o secretário, mas esse índice pode chegar a mais de 50 por cento nos próximos anos.
"Estivemos perto disso em 2009, perto de 54 por cento", afirmou Almeida a jornalistas, após um evento do setor de petróleo no Rio de Janeiro.
O governo decidiu que, a partir de maio, a mistura de etanol anidro à gasolina vai subir de 20 para 25 por cento. Uma safra maior de cana-de-açúcar no país deve ajudar a suprir essa maior demanda. O etanol hidratado é utilizado nos carros que usam o biocombustível.
Almeida espera que nos próximos anos o etanol retome seu espaço no mercado nacional apoiado na desoneração da produção e na adoção de novas tecnologias, como o plantio decana transgênica e o etanol de segunda geração.
"Estamos trabalhando para reduzir o custo de produção de etanol", disse ele. "Temos que ser competitivos com cana geneticamente modificada mais resistente, com etanol de segunda geração. O governo vai continuar com redução de imposto e dando financiamento."
Fontes do governo disseram à Reuters que um decreto presidencial deverá ser editado em abril, estabelecendo redução de PIS/Cofins para o etanol.
Rodrigo Viga Gaia - Reuters