O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou nesta quinta-feira, 16, a defesa do Brasil no âmbito da Seção 301, legislação que embasou a aplicação de tarifas de 25% a produtos brasileiros.
Entre os pontos elencados, o MDIC cita que o país propôs tratar conjuntamente os mercados de etanol e açúcar, mas as autoridades americanas sequer discutiram o tema. “As tarifas dos EUA, acima da cota de 150 mil toneladas, alcançam cerca de 100%. Mas os EUA nunca responderam a essa proposta”, diz a nota.
Segundo o texto, as alegações de restrição injustificada ao acesso de mercado não encontram respaldo nos fatos nem nas normas multilaterais. “O Brasil mantém um dos mercados de etanol mais abertos e competitivos do mundo. As tarifas aplicadas ao etanol, de 18%, observam plenamente os compromissos multilaterais assumidos pelo país na OMC”, defende o governo brasileiro.
Em seguida, a pasta afirma que a política brasileira é aplicada de forma não discriminatória e sem direcionamento contra qualquer parceiro comercial. “O mercado brasileiro continua sendo relevante para exportadores norte-americanos, e as condições de acesso são compatíveis com as regras internacionais”, completa.
No texto, o governo brasileiro afirma não reconhecer a legitimidade do instrumento utilizado pelo governo americano, “sem amparo nas regras multilaterais de comércio”. Ainda assim, sustenta que, desde julho de 2025, foram realizadas mais de 30 reuniões com as autoridades daquele país.
“Não há qualquer justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. De acordo com estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil”, completa.
Segundo a nota, o Brasil iniciará imediatamente os trâmites previstos na Lei de Reciprocidade e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsia da Organização Mundial do Comércio (OMC).
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Flávia Said