Um protesto denominado "tractorazo" programado para hoje, 13, foi suspenso após um acordo entre o governo boliviano e representantes do setor sucroalcooleiro e canavieiro. As negociações envolvem o preço do etanol e um plano de compra de três anos.
O entendimento foi anunciado pelo ministro de hidrocarbonetos e energia, Franklin Molina; o presidente da Yacimientos Petrolófilos Fiscales Bolivianos (YPFB), Armin Dorgathen; e o chefe da Comissão Nacional dos Produtores de Cana-de-Açúcar da Bolívia (Concabol), Oscar Arnez.
“Depois de tantas reuniões, chegou-se a um acordo, talvez não cem por cento satisfatório para o setor, mas com muitos benefícios”, disse Arnez. Ele afirmou que “quase cumprimos o objetivo”, com um valor de 4,9416 bolivianos. A este respeito, expressou que os negociadores não estão contentes, “mas estão satisfeitos”.
“Com esse acordo, a medida de pressão de movimentação de tratores (marcha com tratores das fábricas de cana-de-açúcar e etanol até o centro de Santa Cruz) é automaticamente suspensa”, confirmou.
O governo nacional propôs inicialmente manter o preço do litro do etanol em 4,80 bolivianos, já que seu custo internacional é de 3,60.
O ministro, por outro lado, disse que o preço acordado satisfaz não só o setor, mas também permite “trabalhar de forma coordenada nos próximos anos”.
Ele informou que na reunião, também foi acertado o compromisso de volumes para os próximos três anos, o que deve dar segurança ao setor e permitir o planejamento na área industrial.
Molina ainda comentou que foi discutido o desenho de um plano estratégico para o setor com oferta de financiamento e atendimento de outras demandas.
“No próximo ano, a YPFB poderá até adquirir um volume que ultrapassa os 200 milhões de litros”, antecipou. “Isso, por sua vez, nos permitirá desenvolver parte das políticas públicas que visam aumentar o consumo de etanol. também para massificar este aditivo tão importante na gasolina”.
O programa de produção e comercialização de etanol anidro, como aditivo de origem vegetal para mistura com gasolina na Bolívia, teve início com a Lei 1.098, com o objetivo de substituir as importações de combustíveis líquidos de origem fóssil.
A política energética visa reduzir as importações de combustíveis líquidos e, também, contar com a contribuição da produção nacional na geração de uma economia produtiva.