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Gigante do etanol de milho, FS aguarda sinal verde (e dólares) dos EUA para voltar a crescer

CEO de uma das maiores empresas de etanol de milho do Brasil explica como a demanda por SAF de sua controladora americana Summit Ag pode impulsionar novos investimentos e fala das perspectivas para faturar com projeto inédito para créditos de carbono


AgFeed - Publicado: 12 Jun 2024 - 09:24

Há cerca de 15 anos, produtores de Mato Grosso visitavam os Estados Unidos e ficavam impressionados com a produção de etanol a partir de milho. Era algo que parecia impraticável por aqui, onde a cana-de-açúcar do Centro-Sul reinava absoluta.

Mas, assim como levaram a soja para o Cerrado, estes mesmos agricultores também apostaram nas primeiras experiências para produzir etanol a partir de milho e, ainda, ficar com um ótimo ingrediente para ração, o chamado DDG. Com isso, eles atraíram o interesse de grandes investidores.

O primeiro grande projeto empresarial que trouxe escala para o etanol de milho no Brasil foi liderado pela FS, com início das operações em 2017. A empresa foi criada por meio de uma joint venture entre a brasileira Fiagril Participações e a gestora norte-americana Summit Agricultural Group.

Desde então o grupo foi crescendo. A companhia produzia 530 milhões de litros de etanol há seis anos e, atualmente, chega a 2,3 bilhões de litros em suas três plantas em Mato Grosso – a mais recente foi inaugurada no ano passado, em Primavera do Leste. As outras duas unidades ficam nos municípios de Lucas do Rio Verde e Sorriso.

Nestes últimos anos, a empresa esteve focada nas oportunidades do mercado brasileiro: produzir etanol e utilizar como matéria-prima o milho de segunda safra, cultura que vem crescendo fortemente em Mato Grosso. De carona, aproveitava a demanda por DDG, subproduto para a ração de bovinos, aves e suínos.

Em entrevista ao AgFeed, o CEO da FS, Rafael Abud, aponta que existem muitas oportunidades para que a empresa volte a abrir novas plantas, mas isso depende de acontecimentos que virão de fora do Brasil.

A exceção é a necessidade de o governo brasileiro aprovar o projeto Combustível do Futuro e, na sequência, criar regulamentações que viabilizem a comercialização (e a exportação) de produtos de baixo carbono – ou mesmo do próprio carbono, que será “injetado no solo”, junto à planta da FS de Lucas do Rio Verde.

Trata-se do chamado BECCS (sigla em inglês para a produção de bioenergia com captura e armazenamento de carbono). Hoje, somente os Estados Unidos possuem empresas que injetam o CO2 no subsolo para viabilizar uma “pegada negativa” de carbono em seus produtos.

A FS conseguiu concluir os estudos técnicos que deram o aval, do ponto de vista geológico, para ser a primeira a produzir “etanol de baixo carbono” a partir desta tecnologia no Brasil. Mas, além da regulamentação, falta o principal: o comprador internacional de seus créditos de carbono ou, pelo menos, alguém que tope pagar mais por um etanol que ajudou a sequestrar o carbono.

O CEO acredita que há grandes chances de que esse interesse venha de fora. Mas o olhar internacional não para por aí. Em março, a FS ganhou o certificado ISCC ao alcançar padrões globais para que seu etanol seja utilizado para a produção do SAF (sigla em inglês para o combustível sustentável de aviação).

Neste caso, a empresa já tem o produto e, também, o comprador. A gestora americana sócia da FS, a Summit Ag, está construindo nos EUA a maior planta de SAF do mundo, que pode ficar pronta em 2025 e vai produzir 1 bilhão de litros do biocombustível.

Abud disse ao AgFeed que “a logística está pronta” para o envio de etanol. Porém, aguarda certificações que precisam sair no mercado americano, desta vez mais específicas, para cada produtor de SAF e para cada fornecedor de etanol.

Enquanto isso, a missão do CEO da FS é seguir melhorando o perfil de dívida da empresa, que pretende buscar sua desalavancagem. Afinal, quando o sinal verde dos dólares de fora vier, será necessário aumentar a produção e a FS diz estar pronta para construir mais três fábricas, “mais que dobrando o volume de etanol produzido”.

Ao mesmo tempo, o executivo relata que acompanha os movimentos do governo brasileiro para abrir novos mercados que importem o DDG. Abud conta que já está exportando o produto e que tem boas expectativas. A ideia é convencer compradores internacionais de que seu DDG tem maior valor agregado, ganhando espaço em um ambiente que até pouco tempo era dominado por sua principal concorrente, a Inpasa.

Confira os principais trechos da entrevista do CEO da FS, Rafael Abud.

O projeto de carbono está dentro do ritmo esperado?
Acho que está sim. É sempre um processo de maturação, um pouco mais longo para qualquer indústria ou atividade nova, que seja pioneira. Para simplificar, são três grandes dimensões que impactam este projeto. Uma delas é a viabilidade geológica e técnica que acabamos de obter, com dados que validam a possibilidade de injeção na nossa planta de Lucas do Rio Verde. A segunda dimensão importante para este projeto é toda a parte regulatória. É uma atividade que ainda não é regulada no Brasil. O marco regulatório que inaugura essa atividade é o projeto de lei Combustível do Futuro, que está no Senado. Uma vez que esse projeto seja aprovado e a lei sancionada, passará por uma etapa de regulamentação, a ANP vai passar a regulamentar a atividade no Brasil. E tem uma terceira dimensão, talvez a mais importante, que é o mercado. Como que vamos monetizar os créditos que estamos gerando e remunerar a atividade.

Qual delas é o maior desafio?
A parte da viabilidade geológica foi um processo longo de estudo de viabilidade, que chegou nessa conclusão agora, depois de bastante investimento. A parte regulatória está andando em ritmo satisfatório também, tem expectativa que em poucos meses se tenha aprovação do PL e a regulamentação deve andar na sequência. Já os mercados é um processo mais difuso e disperso de maturação, já que tem muitas jurisdições diferentes, mercados regulados e voluntários de carbono diferentes no mundo, além do mercado de etanol que poderia eventualmente pagar prêmios por um produto de baixa pegada de carbono. Esse é mais espalhado e tem várias iniciativas que estamos trabalhando para conseguir monetizar os créditos.

Com a aprovação geológica, a unidade de produção de etanol carbono negativo já será construída?
Essa é nossa primeira planta de etanol de milho, que foi montada em 2017. E é lá onde fizemos os estudos geológicos. Se começasse a construir hoje, o projeto operacional, em escala comercial, teria pelo menos uns 18 meses de construção. Mas ainda não apertamos esse botão de construção. Dependemos de a atividade ser de fato regulada no Brasil. E precisamos conseguir avançar nas negociações comerciais para a monetização do crédito, sendo que estas duas coisas estão andando em paralelo.

Em que prazo serão investidos os R$ 350 milhões que a FS anunciou?
Nós já investimos R$ 100 milhões para chegar no estágio que chegamos. No momento que formos investir na construção do projeto operacional, estima-se um investimento adicional de R$ 350 milhões, ainda que isso dependa de refinos de engenharia, por exemplo. Portanto, potencialmente, pode chegar a R$ 450 milhões, mas ainda está pendente de engenharia detalhada e mais avanço nos projetos.

Você acredita que o marco regulatório sai este ano?
Estamos confiantes que sim, que a lei saia esse ano. Depois, tem uma série de regulamentações que precisam ser feitas, que são as resoluções da ANP, monitoramento e operação, regras de segurança, de controle ambiental, uma série de normativas que vão ser desenvolvidas. Já foi aprovada a lei na Câmara, que está em discussão no Senado. Tem boa vontade de todo mundo, porque é muito boa para o país, para a transição energética, porque contempla aumento de mistura de etanol, aumento de mistura de biodiesel, mandato de descarbonização no setor de aviação, biometano na cadeia da cana-de-açúcar e o CCS (Carbon Capture and Storage).

E quanto a monetização, estão otimistas?
Temos a expectativa de que há um caminho para monetizar, do contrário não teríamos investido neste projeto. Já temos inclusive muitas discussões para contratos de compra deste carbono, para a venda do etanol de baixo carbono com remuneração adicional. Tem muita conversa acontecendo e continuamos trabalhando forte neste lado comercial.

Qual é o caminho mais promissor?
Acho que será uma combinação, não vai ter um único caminho. Vamos conseguir monetizar uma parte destes créditos vendendo no mercado voluntário de carbono. E vamos monetizar uma parte destes atributos em mercados que pagam prêmio por baixo carbono. E, também, vamos acabar comercializando um pouco no RenovaBio, aqui no Brasil. Esse já está pronto, mas ainda tem valor mais baixo, que não é o ideal. Mas deve ser uma combinação de vários pontos de monetização.

Essa será a primeira planta do tipo no Brasil. Como isso funciona em experiências que já existem nos Estados Unidos?
Por lá também tem vários caminhos. Há alguns incentivos governamentais para isso e tem um mercado voluntário de créditos de carbono já um pouco mais desenvolvido, com compradores mais ativos. É uma soma de fontes de receita para esse carbono armazenado.

Qual é o potencial de captura de carbono e de receita para a planta no Brasil?
Na planta de Lucas do Rio Verde, estamos buscando injetar 100% do carbono que geramos no processo de fermentativo do etanol, o que dá 423 mil toneladas por ano de carbono injetado. A receita vai depender muito do preço do carbono, mas ainda não temos nenhum contrato de venda. Temos visto negócios no mercado voluntário desde US$ 60 até US$ 150 por tonelada. Realmente tem contratos nestes diversos preços, são diferentes mercados. Se multiplicar na faixa de US$ 100, esse volume que queremos injetar daria cerca de US$ 42 milhões. Algo nesta faixa de receita pode ser razoavelmente uma expectativa para o projeto.

Esta receita chegaria daqui a três anos?
Eu diria em menos tempo. No cenário otimista, esperamos nos próximos dois anos estar injetando carbono. Mas vai depender da velocidade da regulamentação, que é o principal gargalo.

Durante o Zero Summit, no início de 2023, você mencionou que a FS seria carbono negativo em três anos. O plano está mantido?
Este número continua no jogo. É o etanol produzido na planta de Lucas de Rio Verde que vai ser carbono negativo. O produto vai efetivamente estar sequestrando carbono da atmosfera à medida que ele é consumido.

Outra promessa para o etanol é o SAF. Como está vendo o potencial deste mercado?
Há uma convicção muito grande de que a rota de produção de SAF a partir do etanol funciona. Não tem dúvida em relação a isso, ainda que não tenha sido produzida em grandes escalas até o momento. Mas é uma tecnologia que, no geral, é conhecida. A grande questão agora é o desenvolvimento do mercado em si. Como vão funcionar os mandatos de mistura e quais vão ser os mecanismos de incentivo e de negociação e comercialização destes produtos. Semelhante ao mercado de carbono, cada país tem uma característica. Os Estados Unidos estão colocando muitos incentivos governamentais para viabilizar a indústria do SAF e estão participando do Corsia, a organização global que está desenvolvendo os mandatos para o setor de aviação civil. A Europa está colocando mandatos também, mas não está colocando incentivos, deixando que as companhias aéreas se virem no mercado para cumprir suas obrigações. O Brasil, com essa mesma lei que trata do CCS, está colocando um mandato de descarbonização do setor aéreo, em 10 anos, 1% ao ano, até descarbonizar 10%. O Japão também tem legislação neste sentido e outros países olhando a legislação.

Qual é a expectativa para o mercado global?
A expectativa é de que seja um mercado relevante. O mercado de combustível de aviação global é de quase 400 bilhões de litros, então qualquer mistura de biocombustível passa a ser um volume relevante. E acho que é uma oportunidade muito grande para o etanol ser matéria-prima para esse produto, especialmente o etanol de baixo carbono. Quanto menor a pegada de carbono da fonte de matéria-prima, melhor vão ser os mercados para este etanol para SAF. Tem também toda uma discussão de combustíveis marítimos e o etanol é um fortíssimo candidato a substituir o combustível fóssil na navegação.

Na navegação, o tema também está adiantado?
O framework regulatório do SAF está mais avançado, a via de combustível nos motores também está definida, isso funciona. Mas o setor marítimo apesar de estar um pouco menos avançado do ponto de vista regulatório, já tem soluções tecnológicas também. Os maiores fabricantes de motores para navios já desenvolveram a solução do motor flex para navio que possa ser abastecido não só com bunker e com o diesel, que são os combustíveis usados hoje, mas também com etanol e metanol. E já estão vendendo os navios com essas motorizações. É uma realidade, ainda que muito incipiente.

A FS já tem perspectiva de vender para este segmento?
Nada em negociação. Estamos observando o desenvolvimento, mas estamos prontos para participar deste mercado quando ele se consolidar. E acho que o etanol certamente é um candidato, é uma solução técnica muito boa.

Voltando a falar do SAF. A FS tem entre seus controladores a Summit Ag, que está construindo a maior planta de SAF do mundo nos EUA. Qual será a capacidade lá?
Essa planta está em desenvolvimento. Ela vai consumir aproximadamente 450 milhões de galões de etanol, ou 1,7 bilhão de litros por ano. E vai produzir quase 1 bilhão de litros de SAF por ano.

E a FS será fornecedora desse etanol?
Hoje, do ponto de vista logístico e técnico do nosso etanol, estamos prontos. Mas é preciso atender determinados critérios de pegada de carbono no âmbito regulatório dos EUA e estamos neste processo de certificação do nosso produto para atender aos critérios de carbono e sustentabilidade. Praticamente ninguém tem isso aprovado, é algo muito novo. Todos estão no processo. Acredito que nos próximos 12 meses devem começar a sair várias aprovações.

Mas a empresa já vem obtendo algumas certificações.
Já saíram algumas certificações, mas o que não saiu ainda, na jurisdição americana, é uma rota de um produtor específico integrado a um fornecedor de matéria-prima determinado, com uma pegada de carbono própria. Você tem lá uma série de critérios que tem que atender, mas isso ainda não saiu. Saíram indicativos genéricos. Já tivemos a certificação da nossa matéria prima tornando-a apta para fornecer para o mercado de SAF. Mas o produtor de SAF precisa de uma certificação vinculada à nossa também. Isso só vai ser possível obter quando as plantas estiverem construídas, então, vai levar pelo menos mais dois anos para ver as primeiras plantas de SAF produzindo em escala.

Quanto calcula que poderia exportar para lá?
É difícil dizer. Em um cenário extremo poderíamos mandar todo o nosso etanol. Tudo vai depender de uma relação de preço e viabilidade, comparado ao mercado doméstico. O mercado brasileiro é suficiente para absorver uma parcela relevante da produção de etanol no mundo, mas vai depender sempre de precificação. O que acreditamos, inclusive com nosso projeto de descarbonização, é que teremos preços melhores com o nosso etanol de baixo carbono nestes mercados, como o de SAF. Mas são mercados ainda bastante incipientes, muita coisa para ser definida.

Isso também será o gatilho para abrir as outras três novas plantas que ainda planejam para o Brasil?
Sem dúvida. Na medida que há mais mercados comprando etanol no mundo, isso abre espaço para produzir mais aqui no Brasil.

Qual é a produção atual da FS no Brasil?
Temos uma capacidade produtiva instalada de 2,3 bilhões de litros de etanol por ano. Consumimos 5,3 milhões de toneladas de milho por ano. Isso nas três plantas que estão operando, hoje atuando na capacidade máxima.

Quando decidirem construir mais três plantas, subirá para quanto?
Neste momento não estamos construindo nenhuma planta adicional. Mas, se a gente voltar a crescer, poderia ir para algo próximo a 5 bilhões de litros. Porém, isso depende de uma série de fatores. E, neste momento, estamos focados na consolidação das operações atuais e, mais para frente, retomar o crescimento.

Em quanto tempo acredita que superam o eventual “excesso de alavancagem”?
Neste ano fiscal já observamos uma recuperação importante dos preços do etanol. Na bomba, os preços voltaram a patamares mais normais em relação à gasolina. E a safra de milho que está sendo colhida agora está com preços bem abaixo do milho que nós processamos no ano passado. Esta combinação de preços melhores de etanol e custo mais baixo de milho faz com que nossa margem se recupere mais próximo das médias históricas e, com essas margens, podemos desalavancar a companhia de forma muito rápida. Ao longo deste ano fiscal devemos ter um processo muito relevante de desalavancagem.

Há algum plano de IPO?
Neste momento não tem nenhuma movimentação estratégica, nenhum plano neste sentido.

Como a FS avalia o atual momento do mercado de DDG. Já estão exportando?
Sim, a FS é a única companhia hoje no mundo que produz um portfólio de DDG mais especializado. Temos um produto de alta proteína, um de alta fibra, um úmido e o óleo de milho. Somos o maior produtor de DDG de alta proteína no mundo, mas estávamos muito focados no mercado doméstico. De um ano para cá, a gente veio abrindo alguns mercados de exportação. Já fizemos exportações para o Chile e para o sudeste asiático, ainda que sejam pequenas, mas temos trabalhado para desenvolver este mercado. O projeto da Apex [Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos] e da Unem [União Nacional do Etanol de Milho] tem trabalhado para promover o DDG em vários mercados do mundo. Foram feitas missões comerciais, como no Vietnã, e participamos também.

Qual é a atual produção de DDG da FS e quanto está sendo exportado?
Nós produzimos 1,8 milhão de toneladas de DDG por ano, considerando todos os produtos. As exportações, ainda estamos fazendo como piloto, desenvolvendo o mercado. É ainda muito inicial, mas esperamos exportar volumes relevantes a partir do ano que vem. Mas o mercado doméstico é muito bom para nós, tem uma demanda importante.

Uma demanda internacional maior por DDG também pode justificar novos investimentos?
É um coproduto da nossa produção, extremamente valioso, importante, mas o principal direcionador de novos investimentos são os mercados de etanol. O DDG vem como complemento.

O DDG poderá ser relevante futuramente em termos de receita?
Acredito que sim. Normalmente se comercializava no mercado internacional o DDG convencional, de 31% de proteína. Nós oferecemos o DDG de alta proteína, que tem maior valor agregado e atende dietas de animais de maneira mais específica como aves e suínos. Na verdade, só nós somos produtores deste produto em escala, mas agora é que estamos desenvolvendo o mercado global para ele. No final, se produz aves e suínos no Vietnã e na Indonésia como no Brasil. É só uma questão de testar este produto e ver como ele funciona nas dietas destes animais, que níveis de conversão eles entregam, coisa que o mercado brasileiro já entendeu, já sabe fazer esta conta. Os nossos clientes são a BRF, a JBS e a Seara, por exemplo, todos utilizam esse produto com grande conhecimento.

Assim como alguns concorrentes, pensam em usar outra matéria-prima, como por exemplo o sorgo, para fazer etanol?
Não temos uma produção muito grande de sorgo. Sabemos que ele é viável, nos EUA tem etanol produzido totalmente partir do sorgo, mas na região em que operamos se produz pouco sorgo, por isso acaba não sendo uma alternativa. Neste momento, não está nos planos.

A FS é uma emissora frequente de títulos como CRAs e green bonds. A estratégia será mantida?
São as necessidades de capital e de financiamento da companhia. Nos últimos anos, isso financiou as nossas expansões, estivemos sempre construindo plantas novas ou expandindo capacidade destas plantas. Financiou o capital de giro da companhia. As necessidades foram suportadas pelos mercados financeiros, tanto brasileiro quanto internacional e bancário, com serie de emissões de CRAs e bonds no mercado internacional. Não estamos mais fazendo porque a necessidade de capital está bem atendida. Novas emissões que temos feito é mais para melhorar o perfil da nossa dívida, alongando prazos e barateando custos.

Por último, gostaria de saber se a mudança nos créditos do PIS/Cofins também afeta a empresa?
Sim, afeta da mesma forma, como qualquer empresa do setor agroindustrial. É uma medida que consome caixa, tira a competitividade e o incentivo muitas vezes para novos investimentos. Ainda estamos apurando os valores exatos porque é algo novo. Mas se a medida não for revertida, é um impacto potencial relevante.

Alessandra Mello