Os futuros de açúcar demerara iniciaram a semana firmes na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A alta de ontem já era esperada, como consolidação após o forte tombo de quinta-feira (24), antes do feriado de Páscoa. Mas os contratos continuam abaixo da resistência de 16 cents por libra-peso, o que indica um período de maior pressão às vésperas do início da safra 2016/17 no Centro-Sul do Brasil.
"Os sinais de que precisávamos para consolidar a alta robusta do mercado de açúcar em Nova York não se confirmaram porque o físico continua devagar e o enfraquecimento dos spreads demonstra que os participantes já não acreditam em falta de disponibilidade de açúcar para maio", comentou Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, em relatório semanal.
Essa percepção justifica a sustentação mais forte no longo prazo, bem como o spread novamente em nível normal. Ontem, maio avançou 7 pontos (0,44%) e terminou em 15,94 cents/lb, com máxima no dia de 16,25 cents/lb (mais 31 pontos) e mínima de 15,60 cents/lb (menos 27 pontos). Julho, por sua vez, avançou 15 pontos (0,94%) e encerrou em 16,03 cents/lb. O spread maio/julho variou de 1 para 9 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.
Para o longo prazo, participantes ainda avaliam que é o de déficit de produção, que pode chegar a 8 milhões de toneladas, o principal driver de preços. No curtíssimo prazo, porém, sobressai o câmbio no Brasil. Hoje, a oscilação do dólar ante o real estará no foco das atenções dado o cenário político interno, com a possibilidade de o PMDB abandonar a base de apoio da presidente Dilma Rousseff. Ontem, já refletindo esse cenário, a divisa cedeu 1,54%, para R$ 3,6244.


E pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) fundos elevaram em 61.176 lotes o saldo comprado em açúcar na semana encerrada em 22 de março. A posição passou de 141.628 para 202.804 lotes.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a segunda-feira em R$ 76,84/saca, leve alta de 0,03%. Em dólar, ficou em US$ 21,17 (+1,68%).

Conforme o centro de estudos, após quase seis meses remunerando mais que as exportações, as vendas internas de açúcar cristal perderam "fôlego" na semana passada e praticamente zeraram a vantagem que mantinham sobre as externas. O spot paulista rendeu apenas R$ 1,03 a mais por saca de 50 kg na comparação com os embarques ao exterior, a menor vantagem desde outubro do ano passado.
De 21 a 24 de março as vendas de cristal no spot paulista remuneraram 1,37% mais. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 76,59/saca, as cotações do contrato com vencimento em maio na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) equivaleriam a R$ 75,56/saca.