O mercado futuro de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) deve continuar sustentado no curto prazo, apesar da queda de ontem. Entre outros fatores, o clima chuvoso e a qualidade da cana-de-açúcar abaixo do esperado no Centro-Sul do Brasil podem favorecer as cotações.
O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, admitiu ontem, em relatório de atualização quinzenal de moagem de cana no Centro-Sul, principal região produtora do mundo, que a fabricação de açúcar nesta safra 2015/16 deve ficar aquém do volume registrado na safra anterior. Segundo ele, as chuvas e a baixa concentração de ATR na matéria-prima "dificultam qualquer reação na produção".
Conforme o levantamento da Unica, embora na primeira quinzena de novembro a produção de açúcar tenha crescido 0,44% (1,19 milhão de toneladas) em relação ao mesmo período do ano passado, no acumulado da safra 2015/16 a fabricação do adoçante está 6,4% menor ante 2014/15. Já a produção de etanol aumentou 7,96% na quinzena (1,19 bilhão de litros) e 2,14% no acumulado da safra, fazendo com que o mix saísse de 43,65% (açúcar) e 56,35% (etanol) em 2014/15 para, respectivamente, 41,58% e 58,42% em 2015/16.
A moagem de cana na primeira quinzena de novembro subiu 10,7%, para 25,6 milhões de toneladas, um pouco acima da previsão do Banco Pine, que estimava moagem de 25,4 milhões de t. O Pine projetava produção de 1,24 milhão de t de açúcar e 1,24 bilhão de litros de etanol.
Além da menor fabricação de açúcar, o enfraquecimento do dólar em relação ao real nas últimas semanas também contribui para sustentar o mercado futuro de demerara. O real atingiu na semana passada o nível mais alto desde 2 de setembro último, em relação à divisa norte-americana. Ontem, apesar da queda do dólar, Nova York corrigia ganhos com vendas especulativas.
Pelos indicadores técnicos, o vencimento março/16 em Nova York tem como objetivo a resistência a 15,50 cents. O suporte está em 14,85 cents. Amanhã a Bolsa de Nova York não vai abrir, por causa de feriado nos Estados Unidos (Dia de Ação de Graças), retomando negócios na sexta-feira.
Entre outras notícias, a Platts Kingsman projetou que o déficit global de açúcar irá aumentar na temporada 2016/17, ante a atual. De acordo com a primeira projeção da consultoria para o próximo ciclo, a demanda pela commodity deve superar a produção em 6,44 milhões de toneladas. Para 2015/16 (de 1º de outubro de 2015 a 30 de setembro de 2016), a projeção é de déficit de 3,31 milhões de toneladas.



Cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) mostram que o açúcar cristal remunerou 31% a mais que o anidro e 41% a mais que o hidratado na semana passada. Comparando-se os dois tipos de etanol, o anidro remunerou 7% a mais que o hidratado. Conforme o Cepea, o preço médio do etanol anidro que seria equivalente ao do açúcar cristal foi calculado em R$ 2,5926/litro (sem impostos), no período. Para obter equiparação com o açúcar, o hidratado precisaria ter tido média de R$ 2,4364/litro e, com o anidro, de R$ 1,8632/litro, ambos sem impostos.
O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou na sexta a R$ 77,67/saca (+ 0,19%). Em dólar, o preço ficou em US$ 21,01.