Os futuros de açúcar demerara voltaram a cair ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), mas desta vez romperam o importante suporte de 19,50 cents por libra-peso. Para analistas, o movimento sinalizou perda de fôlego no mercado, que agora foca as atenções no clima favorável à colheita de cana no Centro-Sul do Brasil. Mais perdas não estão descartadas para os próximos dias.

Praticamente todos os modelos climáticos apontam para uma segunda quinzena de junho de tempo aberto e seco, com temperaturas em ligeira elevação na principal área produtora do País. Apenas na próxima semana podem ser observados alguns episódios de chuva nos Estados de São Paulo e Paraná, mas nada que atrase o andamento dos trabalhos.
A previsão é baixista para um mercado que agora digere as geadas mais fracas do que o esperado no Centro-Sul e o retorno do dólar para o patamar de R$ 3,50 (ontem fechou em R$ 3,4801, ligeira baixa de 0,06%). A perspectiva que se traça é de usinas retomando com força a moagem e destinando maior parcela de matéria-prima para a fabricação do açúcar.
No curto prazo, os futuros tendem a ceder perante esses fundamentos, mas dificilmente devem voltar para o terreno de 16 cents/lb, observado antes da disparada recente. O déficit deve se confirmar no segundo semestre e isso ainda dá sustentação. O suporte está em 19 cents e a resistência, em 19,50 cents/lb.
Ontem, julho caiu 20 pontos (1,02%) e encerrou em 19,34 cents/lb, com máxima no dia de 19,51 cents/lb (menos 3 pontos) e mínima de 19,01 cents/lb (menos 53 pontos). Outubro recuou 22 pontos (1,12%) e terminou em 19,42 cents/lb. O spread julho/outubro variou de 10 para 8 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar aumentou de 48 para 59 na semana encerrada quarta-feira passada (8), segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 2 de julho.
Foi agendado o carregamento de 2,37 milhões de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos (SP), de onde sairão 1,85 milhão de t, ou 78% do total. Paranaguá responderá por 20% (484,99 mil t); e Maceió, por 2% (35,49 mil t).
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a terça-feira em R$ 84,10/saca (+1,19%). Em dólar, ficou em US$ 24,10/saca (+0,88%).
