Os futuros de açúcar demerara fecharam em alta ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Durante o pregão, porém, chegaram a registrar perdas de mais de 20 pontos. Dessa forma, o ajuste no positivo foi visto por participantes como algo altista. Na avaliação deles, ganhos maiores ocorrerão caso os contratos superem a resistência de 15,20 cents por libra-peso.
A sustentação ainda advém do mix alcooleiro no Centro-Sul do Brasil, das chuvas em excesso na principal região produtora do País, do cenário de déficit para 2015/16 e da recente apreciação do real ante o dólar. Nesta segunda-feira, a moeda norte-americana encerrou a R$ 3,8158, em baixa de 0,63%. Em novembro, acumula desvalorização de 1,13%.
Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, pondera, no entanto, que há ainda forças baixistas pesando sobre o mercado. "Embora não tenhamos visto preços tão remuneradores para o açúcar em tantos anos, uma breve consulta aos preços negociados no mercado físico é suficiente para concluirmos que os ventos que sopram no futuro não passam de leve brisa no físico, que ainda apresenta descontos para embarque imediato", resume, em relatório. "Enquanto não houver mudança substancial no basis (prêmio ou desconto), não se tem como validar que o mercado é altista com todas as letras."
Graficamente, os futuros trabalham dentro do pequeno intervalo que vai de 15 cents a 15,20 cents por libra-peso. Para além disso, aparecem os 14,80 cents e os psicológicos 15,50 cents/lb.
Ontem, março subiu 14 pontos (0,93%) e fechou em 15,18 cents/lb, com máxima de 15,22 cents/lb (mais 18 pontos) e mínima de 14,82 cents/lb (menos 22 pontos). Maio avançou 12 pontos (0,82%) e terminou em 14,79 cents/lb. O spread março/maio variou de 37 para 39 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.
E pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos reduziram o saldo comprado em açúcar em 17.130 lotes na semana encerrada em 10 de novembro. A posição passou de 198.107 para 180.977 lotes.



O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a segunda-feira em R$ 76,98/saca, alta de 0,54% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,18/saca (+0,95%).
Conforme o centro de estudos, "mesmo com compradores diminuindo um pouco as aquisições no spot, representantes de usinas ainda estiveram firmes nos valores de venda do açúcar cristal". Na semana passada, a média do Indicador foi de R$ 75,82/saca, maior patamar real desde fevereiro de 2012.
Quanto às paridades, de 9 a 13 de novembro a remuneração obtida com as vendas de açúcar cristal no spot paulista foi 14,45% superior à recebida com as vendas externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi, portanto, de R$ 75,82/saca, as cotações do contrato março na ICE Futures US equivaleriam a R$ 66,25/saca.
