Açúcar: Mercado

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Preço do açúcar em NY registra a maior alta diária da década


Dow Jones Newswires - Publicado: 24 Fev 2016 - 09:25 | Atualizado: 24 Fev 2016 - 10:39

Os futuros de açúcar demerara surpreenderam ontem e fecharam em forte alta na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A valorização foi a maior da década, desconsiderando-se os períodos de troca de contratos. De acordo com analistas, a perspectiva de fortalecimento da demanda na União Europeia (UE) e fatores técnicos contribuíram para os ganhos, que podem ser parcialmente revertidos hoje, pois um embolso de lucros não está descartado.

"Há um sentimento de demanda reprimida na Europa, e o continente deve soltar novas cotas para importação, talvez ainda nesta semana", comentou João Paulo Botelho, da INTL FCStone. Conforme ele, os preços da commodity precisavam alcançar patamares mais altos para estimular produtores brasileiros a vender para a UE.

Ainda do lado fundamental, analistas citam as chuvas em áreas produtoras do Brasil nos últimos dias, mais fortes do que o previsto. Há quem aposte também na nova projeção da Organização Internacional do Açúcar (OIA) para o déficit na safra 2015/16, mas neste caso não há consenso. A entidade elevou sua estimativa de 3,52 milhões para 5,01 milhões de toneladas, mas o número não altera em nada o intervalo de projeções divulgadas até agora, que variam de quase 3 milhões para mais de 8 milhões de toneladas.

Em termos técnicos, fundos e especuladores, que cortaram o saldo comprado em mais de 150 mil lotes nas últimas quatro semanas, foram obrigados a realizar ajustes nesta terça-feira. Na semana encerrada em 16 de fevereiro, a posição comprada beirava os 27 mil lotes, bem menos que a de quase 200 mil reportada pela Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) em 19 de janeiro.

O fato é que o movimento de ontem, além de alterar todos os patamares gráficos, surpreendeu os participantes. "Desde a virada do mercado para cima, em setembro, médias móveis eram um parâmetro bastante preciso para prever o comportamento do mercado. Até hoje (ontem), quando pararam de funcionar", disse Robin Shaw, da Marex Spectron, à Dow Jones Newswires. "Essa é a natureza do mercado. Nada dura para sempre."

A resistência inicial está agora nos psicológicos 14 cents por libra-peso, seguida pela de 14,48 cents/lb, máxima de 21 de janeiro. Para baixo, o primeiro suporte surge em 13,50 cents/lb, mas o mais firme só é encontrado em 12,61 cents/lb, mínima desta semana.

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Março subiu 139 pontos (11,02%) e fechou a terça-feira em 14 cents/lb. Os lotes para maio avançaram 114 pontos (8,93%) e terminaram em 13,90 cents/lb, com máxima no dia de 13,92 cents/lb (mais 116 pontos) e mínima de 12,85 cents/lb (mais 9 pontos). Vale destacar que ordens automáticas de compra acionadas após os 13 cents/lb impulsionaram os ganhos. O spread março/maio variou de 15 pontos para o segundo para 10 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 80,80/saca, baixa de 0,27% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,40/saca (-0,73%).

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