Os futuros de açúcar demerara fecharam perto da estabilidade ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), firmando-se em torno dos 17,50 cents por libra-peso. A avaliação é de que a pressão de venda para além desse patamar é forte, assim como a retração da demanda. Em contrapartida, novos fundamentos limitam perdas expressivas, de modo que os contratos tendem a permanecer no terreno de 17 cents/lb no curto prazo.

Ontem, por exemplo, o Conselho de Açúcar e Cana da Tailândia projetou uma queda de 14% na produção de açúcar pelo país na safra 2015/16, que por lá se encerra em setembro, para algo entre 9,5 milhões e 9,6 milhões de toneladas. "Esperávamos produzir mais, só que a seca (decorrente do El Niño) afetou tanto a qualidade quanto a quantidade de cana (disponível)", afirmou ao Wall Street Journal o secretário-geral do Conselho, Somsak Jantararoungtong.
A menor produção na Tailândia soma-se a uma safra também em queda na Índia. E, paralelamente, há chuvas no Centro-Sul do Brasil provocando atrasos na colheita do ciclo 2016/17. Nesta terça-feira, foram relatadas precipitações esparsas por São Paulo e Paraná. A previsão da Climatempo é de que as chuvas retornarão, com até 100 mm de acumulados, a partir do dia 3 de junho.
Avanços mais expressivos, porém, também parecem estar limitados. Ontem o mercado testou os 17,70 cents/lb, mas não se segurou por muito tempo. Além da pressão de venda nesse patamar, há a retração de demanda, que, por enquanto, está firme. Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar aumentou de 40 para 49 na semana encerrada quarta-feira passada (25), segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 23 de junho. Foi agendado o carregamento de 1,90 milhão de toneladas de açúcar.
Ontem, julho caiu 3 pontos (0,17%) e encerrou em 17,49 cents/lb, com máxima no dia, portanto, de 17,70 cents/lb (mais 18 pontos) e mínima de 17,22 cents/lb (menos 30 pontos). Outubro recuou 2 pontos (0,11%) e terminou em 17,66 cents/lb. O spread julho/outubro variou de 16 para 17 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a terça-feira em R$ 77,27/saca (+0,42%). Em dólar, ficou em US$ 21,36/saca (-0,74%). A moeda norte-americana ficou em R$ 3,6111 (+0,92%).
