Os futuros de açúcar demerara iniciaram a semana em alta na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Ordens automáticas de compra acionadas após o rompimento da resistência de 16 cents por libra-peso contribuíram para os ganhos. A movimentação ratificou o viés de alta para os contratos, que agora têm teto inicial nos 16,30 cents por libra-peso.
Sem grandes novidades nos fundamentos, o mercado segue sustentado pela perspectiva de oferta apertada neste ano. "Pela análise de consumo nos países da Ásia, Oriente Médio e Norte da África, e considerando a limitação de aumento na capacidade de produção de alguns países, estimamos que tanto a safra 2016/17 quanto a 2017/18 podem apresentar déficit", comentou Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, em relatório. "O consumo mundial cresce a taxas de 1,9% até 2,2% enquanto a produção se arrasta nos 1,6% a 1,7%", acrescentou.
A análise vai ao encontro do que se verifica no Brasil em termos de instalações. De acordo com cálculos do BTG Pactual, o País deve trabalhar no ciclo que começa em abril com 97% da capacidade de moagem, bem mais do que os 74% observados no início da década. Não há no curto prazo qualquer indício de novas usinas, de modo que o setor local se aproxima do seu limite em termos de produção.
Paralelamente, participantes atentam para o clima no Centro-Sul do País. A frente fria que vem do Sul chegou ontem ao Paraná e deve se espalhar por São Paulo e Minas Gerais a partir de hoje. Conforme a Climatempo, até 150 mm são esperados, volume capaz de provocar novos atrasos na colheita de cana.
Graficamente, os futuros operam com resistência, portanto, nos 16,30 cents/lb, respeitados ontem. Para baixo, o suporte inicial passou para os psicológicos 16 cents/lb.

Maio avançou 32 pontos (2%) e terminou a segunda-feira em 16,29 cents/lb, com máxima no dia de 16,32 cents/lb (mais 35 pontos) e mínima de 15,77 cents/lb (menos 20 pontos). Julho subiu 28 pontos (1,76%) e encerrou em 16,19 cents/lb. O spread maio/julho variou de 6 para 10 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a segunda-feira em R$ 76,66/saca, alta de 0,48%. Em dólar, ficou em US$ 21,23 (-0,09%). A moeda norte-americana terminou em R$ 3,6163 (+1,03%).
Conforme o centro de estudos, os preços internos em queda e os externos em alta reduziram a vantagem da venda do cristal no spot paulista frente às exportações. De 14 a 18 de março, o açúcar cristal no spot paulista proporcionou rendimento 4,48% maior que a exportação - na semana anterior, a vantagem era de 10%. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 77,06/saca, as cotações do contrato maio na ICE Futures US equivaleriam a R$ 73,76/saca.
