A remoção das tarifas do Reino Unido sobre o etanol dos Estados Unidos no acordo comercial entre os dois países pode ser o sinal de morte para a deficitária planta de etanol da Associated British Foods (AB Foods) em Hull, norte da Inglaterra, após um alerta no mês passado de que seu futuro era incerto.
O acordo comercial anunciado na quinta-feira, 8, deve zerar as tarifas da Grã-Bretanha sobre o etanol dos EUA, atualmente em 19%. A cota deve envolver 1,4 bilhão de litros (370 milhões de galões), o que excede em muito as exportações dos EUA para o Reino Unido no ano passado.
O presidente-executivo da AB Foods, George Weston, disse à Reuters em 29 de abril que os negócios de etanol do grupo enfrentavam “problemas significativos” com “importações efetivamente subsidiadas”.
O grupo, que também é dono da Primark e de uma série de marcas presentes em supermercados – incluindo Twinings e Ovaltine (conhecida no Brasil como Ovomaltine) –, disse que a maneira como as regulamentações do Reino Unido estavam sendo aplicadas ao etanol estava prejudicando a viabilidade comercial de sua fábrica Vivergo, em Hull, que produz biocombustível e ração animal.
A AB Foods está pedindo mudanças nas regulamentações do Reino Unido para o etanol em relação às importações. A empresa alertou que, a menos que as negociações com o governo “melhorem a situação”, poderá desativar ou fechar a planta, colocando cerca de 150 empregos em risco.
“Temos muito claro o que precisamos fazer com o negócio do etanol – essa é uma questão regulatória para a qual precisamos do apoio do governo”, afirmou.
No entanto, a abertura do mercado de etanol do Reino Unido aos produtores dos EUA significa que o negócio agora enfrenta um novo desafio.
“A decisão do governo de permitir importações de etanol isentas de tarifas dos EUA para o Reino Unido está causando grande ansiedade em muitas pessoas no nordeste da Inglaterra, principalmente nos funcionários, fornecedores e agricultores envolvidos na indústria de etanol do Reino Unido”, disse um porta-voz da AB Foods nesta sexta-feira.
Eles acrescentaram que a empresa estava trabalhando nos detalhes e “nas implicações” com o governo.
O Sindicato Nacional dos Agricultores da Grã-Bretanha alertou, ainda na quinta-feira, que a medida pode significar a perda de um mercado lucrativo para os produtores de terras que abastecem a indústria de etanol.
A Renewable Energy Association alertou que o acordo poderia permitir que produtores norte-americanos, apoiados por créditos fiscais dos EUA, vendessem para a Grã-Bretanha a uma taxa mais barata do que os fornecedores nacionais podem igualar.
A Ineos fechou sua fábrica de etanol em Grangemouth, na Escócia, em janeiro, culpando a redução na demanda por etanol na Europa e a crescente pressão das importações de etanol de outras regiões.
A concessão britânica sobre etanol e carne bovina foi feita em troca da remoção, pelos EUA, de tarifas adicionais de 25% sobre aço e alumínio, e de uma cota de 100 mil carros com uma taxa de 10%. As tarifas restantes permaneceram inalteradas.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer disse que o acordo salvaria empregos nas indústrias automobilística e siderúrgica.