Companhia lança balanço financeiro com detalhamento das suas dívidas
Em recuperação judicial desde dezembro do ano passado, a Tonon Bioenergia encerrou o primeiro trimestre da safra 2016/17, período findo em junho deste ano, com um prejuízo operacional de R$ 11 milhões.
No mesmo trimestre da safra 2015/16, a companhia havia registrado lucro operacional de um pouco mais de R$ 73 milhões.
Os números da companhia, segundo parecer da auditoria responsável, reforçam a “existência de incerteza significativa” em relação à capacidade de continuidade operacional dos negócios da Tonon, atualmente em recuperação judicial.
Os detalhes da crítica situação e do nível de endividamento do grupo estão apresentados a seguir.
Em recuperação judicial desde dezembro do ano passado, a Tonon Bioenergia encerrou o primeiro trimestre da safra 2016/17, período findo em junho deste ano, com um prejuízo operacional de R$ 11 milhões. No mesmo trimestre da safra 2015/16, a companhia havia registrado lucro operacional de um pouco mais de R$ 73 milhões.
Dona de três usinas, a companhia sediada em Bocaína (SP) informou, no entanto, um lucro líquido de R$ 138 milhões. A melhor receita financeira, influenciada pela variação cambial, contribuiu para que a companhia terminasse o trimestre com o indicador positivo.
Apesar do resultado, em nota explicativa destaca-se que esse dinheiro ‘ainda não está em caixa’. “A desvalorização do dólar frente ao real nos três meses da safra foi de cerca de 9,8%, gerando uma variação cambial ativa de R$275,052 milhões, mas parte substancial desse valor refletirá no caixa somente em sua liquidação (2019 a 2020)”, exprime-se no documento.

Incertezas
Além disso, a Ernest&Young, auditoria responsável pela revisão das informações contábeis, em seu parecer, mais uma vez, se absteve de conclusões sobre as informações contábeis de Tonon.
A auditoria reforça a “existência de incerteza significativa”. Ou seja, segundo os auditores, as dúvidas quanto à capacidade de continuidade operacional dos negócios da companhia sucroenergética, atualmente em recuperação judicial, permanecem relevantes.
Acrescenta-se que ao final do primeiro trimestre da temporada 2016/17, a Tonon possuía prejuízos acumulados de R$ 1,757 bilhão. Além disso, o passivo circulante da companhia excedia o o ativo circulante em R$ 2,651 bilhões e o patrimônio líquido apresentou resultado negativo de R$1,332 bilhão.
“Por essa razão e, devido ao fato da companhia depender do sucesso na implementação do processo de recuperação judicial, não foi possível concluir se as informações deveriam ser preparadas com base na continuidade normal dos negócios ou em uma base de liquidação”, discorre a Enerst&Young.
Custo diminui, mas é acompanhado pela queda na receita
A receita operacional da companhia no primeiro trimestre da safra, composta pela venda de açúcar, etanol e energia elétrica, correspondeu a R$ 140,9 milhões, uma queda de 27% em relação ao mesmo período da safra 2015/16.

O custo operacional acompanhou o movimento de que queda de um trimestre para o outro e fechou o primeiro trimestre de 2016/17 em R$ 152 milhões (queda de 8% em relação ao mesmo período da temporada anterior).
Dívidas possuem vencimento em curto prazo
A companhia obteve um recuo de 6,88% em relação ao endividamento de R$ 2,8 bilhões com empréstimos e financiamentos declarados à época da entrada do processo de recuperação judicial. No primeiro trimestre da atual temporada, as dívidas com empréstimos e financiamentos estavam R$ 2,6 bilhões.


Mais de 96% das dívidas da Tonon são referentes ao passivo circulante, ou seja, possuem vencimento em até um ano (curto prazo).
A Ernest&Young afirma que isso se deve ao fato de que a companhia reclassificou para passivo circulante diversos empréstimos e financiamentos quando realizou o pedido de recuperação judicial. "Os contratos preveem que a dívida pode ser exigida a qualquer momento no caso de pedido de recuperação judicial", explica o documento.
Dessa maneira, a companhia ainda listou os termos e condições dos empréstimos em aberto que podem ser conferidos abaixo (valores em milhares de R$).

O relatório ainda destaca que a exposição da companhia está substancialmente atrelada ao dólar americano. Isso se deve ao fato de mais de R$ 1,8 bilhão das suas dívidas com empréstimos e financiamentos estarem relacionados a bonds.


Já em relação às dívidas de longo prazo, as parcelas do financiamento classificados como passivo não circulante vencem entre 2016 e 2020, e a maior parte do cronograma de pagamento deve ser cumprida nas duas próximas temporadas.

Marina Gallucci – NovaCana