Os principais executivos da indústria petrolífera e ministros chegam a Houston, no Texas, nesta semana para uma das maiores conferências de energia do mundo, encorajados por fusões badaladas, preços estáveis e menos pressão para uma transição em grande escala para combustíveis limpos.
Os preços globais do petróleo têm se mantido em uma faixa entre US$ 75 e US$ 85 por barril, um patamar que alimenta os lucros, mas não fere o crescimento econômico, apesar da guerra no Leste Europeu e de turbulências no Oriente Médio. Os mercados de ações continuam a estimular negócios, tornando a Big Oil (grupo das maiores empresas petrolíferas do mundo) ainda maior.
A conferência anual CERAWeek será realizada em um momento em que a demanda por gás e petróleo continua a crescer, junto com energia solar, eólica e biocombustíveis. Mercados de energia acomodaram uma reordenação dos fluxos globais, com consumidores recorrendo a mais fornecedores regionais de energia ou enfrentando cadeias de abastecimento marítimas mais longas.
“Uma coisa notável é a estabilidade (do preço), dada a turbulência geopolítica”, disse o vice-presidente da organizadora da conferência S&P Global, Daniel Yergin, também autor sobre energia global vencedor do prêmio Pulitzer.
Ao contrário de conferências anteriores, quando as conversas foram dominadas por batalhas por participação de mercado entre produtores de petróleo dos EUA e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), discussões sobre guerras de preços foram suplantadas por questões de segurança energética, disse Yergin.
“Quando a demanda estava baixa e os preços estavam baixos, era muito fácil ver um caminho para a transição de energia, mas com a (guerra) Rússia-Ucrânia e choques de preços, a segurança energética está novamente na mesa”, acrescentou Yergin.
Espera-se que mais de 7,2 mil pessoas ouçam sobre as últimas perspectivas para os mercados de energias dos líderes das principais produtoras, BP, Chevron, Exxon Mobil, Saudi Aramco, Sinopec e Petronas.
Os desenvolvimentos globais de gás natural liquefeito (GNL) e políticas climáticas dos EUA serão um dos principais tópicos em sessões separadas das grandes exportadoras Cheniere Energy e Venture Global, enquanto a secretária de Energia dos EUA, Jennifer Granholm, e o assessor da Casa Branca John Podesta pressionarão pelas metas climáticas do governo.
Embora os preços de petróleo estejam fortes, o gás natural foi sobrecarregado por um excesso de produção. “Este ano será um ano de transição para um mercado de gás e energia muito mais positivo no próximo ano”, afirmou o estrategista de energia na empresa financeira Macquarie Group, Vikas Dwivedi.
Entre as ausências mais notáveis da conferência deste ano, realizada durante o mês sagrado islâmico do Ramadã, estão os principais ministros de petróleo de Arábia Saudita, Kuwait e Iraque. Nenhuma autoridade da Rússia é esperada depois de eles não participarem no ano passado.
A ausência da Opep ocorre com os preços globais oscilando em torno de US$ 85 por barril, um patamar que, segundo Dwivedi, cobre os orçamentos dos seus membros, mas não acelera a transição para veículos elétricos e combustíveis renováveis.
Arathy Somasekhar