Os futuros de açúcar demerara registraram perdas expressivas ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Analistas, contudo, relacionaram a queda mais a uma liquidação de posições compradas por fundos do que ao relatório de safra da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), considerado altista. O suporte inicial voltou para os 15 cents por libra-peso.
Conforme Michael McDougall, diretor do Société Générale, "fundos brasileiros" estariam por trás da liquidação de lucros. Vale lembrar, porém, que uma liquidação assim já era esperada para esta semana, após a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) mostrar que o saldo comprado em 1º de dezembro totalizava impressionantes 212 mil lotes.
Quanto ao relatório da Unica, este apontou processamento 19% maior na segunda quinzena de novembro, com 18,7 milhões de toneladas. A produção de açúcar, porém, diminuiu 7%, para 704 mil toneladas, totalizando 29,4 milhões de toneladas no acumulado da safra 2015/16 (-6,4%). O nível de Açúcares Totais Recuperáveis também despencou na segunda metade de novembro, para 119,3 kg por tonelada (-13,6%).
Para McDougall, a única informação baixista do relatório diz respeito à queda no consumo de etanol em novembro ante outubro, de 8%, para 2,5 bilhões de litros. Especificamente para o etanol hidratado, o recuo foi de 15%, para 1,6 bilhão de litros. A avaliação que se faz aí é que a demanda menor por álcool abre espaço para que mais cana seja destinada ao açúcar.
Março caiu 30 pontos (1,96%) e fechou em 15 cents/lb, com máxima de 15,54 cents/lb (mais 24 pontos) e mínima de 14,95 cents/lb (menos 35 pontos). Maio recuou 30 pontos e terminou em 14,59 cents/lb. O spread março/maio permanece em 41 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.


O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 79,61/saca, alta de 0,11% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,89/saca (-1,09%).
