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O fundo do poço para as usinas de açúcar e etanol já passou

4 itau bba ebtda x dívida.fwO momento ainda é delicado e a sobrevivência das usinas continua sendo a prioridade, mas a sensação destacada pelo Itaú BBA é de que o pior já passou
NovaCana 6 min de leitura
Março de 2014, o fundo do poço do setor sucroalcooleiro. Esta foi a previsão feita pelo Itaú BBA no final de 2012, após analisar os sinais da mais completa carteira de clientes com os dados financeiros do setor de etanol e açúcar do país. A data do vaticínio sombrio chegou e os mesmos indicadores agora apontam para um momento diferente, apesar da sobrevivência de boa parte das usinas ainda estar em jogo.

A "sensação" de que o fundo do poço já passou aparece com os últimos dados da situação financeira de 63 grupos do setor que juntos possuem uma capacidade de moagem de cerca de 400 milhões de toneladas.

Março de 2014, o fundo do poço do setor sucroalcooleiro. Esta foi a previsão feita pelo diretor comercial do Itaú BBA para açúcar e etanol, Alexandre Figliolino, no final de 2012, após analisar os sinais da mais completa carteira de clientes com os dados financeiros do setor de etanol e açúcar do país.

A data do vaticínio sombrio chegou, mas o cenário não é tão ruim quanto imaginava o especialista há um ano e meio. Para a safra que inicia em abril, ele avalia que ainda está se "atravessando um momento bastante delicado, totalmente dedicado à sobrevivência e busca de eficiência com redução de custo", entretanto, o momento atual dá "a sensação que o 'fundo do poço' ficou para trás".

O respiro vem apoiado na tendência positiva do açúcar que deve apresentar preços em reais remuneradores para 2014, segundo Figliolino, "principalmente para aqueles produtores de baixo custo". Esta perspectiva mais positiva para o açúcar segue em linha com alguns relatórios recém divulgados, como do Rabobank e do Banco Standard Chartered.

Entretanto, mesmo para as companhias com melhor desempenho o horizonte continua não sendo favorável a novos investimentos com o papel do etanol hidratado no futuro da matriz de combustíveis ainda indefinido e sem políticas suficientemente estimulantes para promover investimentos em cogeração de biomassa. Assim, o diretor do Itaú BBA pontua que "qualquer investimento novo depende do nível de alavancagem das companhias e taxa de retorno obtida".

A partir da avaliação de 63 grupos que compõe a carteira do Itaú BBA, uma estimativa elaborada pelo executivo no final do ano passado, prevê que os nove grupos mais eficientes conseguirão produzir açúcar com custos próximos a R$ 700/ton. As companhias da amostra responderam pela moagem de 366 milhões de toneladas de cana na safra 2012/13 e aproximadamente 400 milhões no período 2013/14.

A perspectiva é de que a maioria das companhias terá custos situados um pouco abaixo (13 grupos) ou levemente acima (22 grupos) de R$ 800/ton. O patamar oferece uma margem entre R$ 150 a 180 para os contratos negociados no mercado no futuro para junho e outubro de 2014, com preço FOB Santos para o açúcar VHP, respectivamente, de R$ 948/ton e R$ 978/ton.

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Ainda considerando os preços dos contratos futuros para junho e outubro próximos, 17% da amostra vai pagar para vender açúcar. Isso porque, na análise do Itaú BBA, 11 grupos terão custos para a produção de açúcar igual ou acima de R$ 1 mil por tonelada. Outros oito grupos vão ficar com margens bastante reduzidas pelos custos estimados em R$ 900/ton.

Já o preço de venda do etanol hidratado tende a continuar não compensando o custo de produção para a maioria das companhias do setor. Na safra 2014/15 a previsão de preço médio do hidratado é de R$ 1,15. Nesse caso, apenas 22 grupos da amostra, com menores custos, conseguirão alguma margem de rentabilidade. Pela projeção de Figliolino, a grande maioria, 41 de 63, terá prejuízo ou não irá obter qualquer margem de ganho com a produção do biocombustível.

Com os preços comprimidos da safra 2013/14, a expectativa é que o ciclo encerre com uma receita de apenas R$ 120,00 por tonelada, um encolhimento significativo ante os R$ 128,4 registrados na safra 2012/13.

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Endividamento

A maioria dos grupos da amostra tem endividamento concentrado entre R$ 100 e 125 por tonelada. São 14 grupos nessa faixa de endividamento que tem 10% das despesas alocadas apenas para o pagamento de juros. Esse percentual de custo da dívida é o mesmo para os oito grupos que possuem endividamento entre R$ 75 e 100/ton e também dos nove grupos com endividamento na faixa de R$ 125 a 150/ton. Para as nove companhias com endividamento entre 150 e 200 R$/ton a despesa com juros é sutilmente superior, próxima a 11%.

A faixa mais alta de endividamento possui três grupos e fica acima dos R$ 200/ton resultando em uma despesa com juros próxima a 14%. No sentido oposto, o custo da dívida reduz sensivelmente para as empresas com endividamento até R$ 75/ton. Os dez grupos com endividamento entre 50 e 75 R$/ton têm um gasto com juros equivalente a 5% da dívida líquida. Para as seis companhias com dívida de até 50 R$/ton a despesa com juros cai para 1% apenas.

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Dos 63 grupos, estão com endividamento adequado 28 grupos que tem dívidas abaixo de R$ 100/ton.  Em razão destes números, que fazem referência à safra 2012/13, apenas 19 grupos, responsáveis por 24% da moagem da amostra, conseguiram fluxo de caixa livre positivo após capex e despesas com juros.

Em uma análise que extrapola a carteira do banco, Figliolino estima que 63% das empresas do setor sucroalcooleiro do Centro-Sul, que respondem pela moagem de 408 milhões de toneladas de cana, apresentam bom desempenho operacional. Essas empresas possuem capacidade para continuar enfrentando a crise sem deteriorar significativamente sua situação financeira.

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Ainda segundo o estudo, estão em situação pior as companhias que respondem por 25% do mercado, sendo responsáveis pela moagem de 155 milhões de toneladas. Estes grupos, na análise do banco, com alto nível de alavancagem estão em processo de deterioração. São grupos que para recuperar sua capacidade de investimento precisam recuperar eficiência operacional e ainda contar com uma melhora substancial dos preços.

Já companhias responsáveis por 12% da moagem, equivalentes a 81 milhões de toneladas, vivem a situação mais dramática e, na classificação de Figliolino, "estão em ponto de não retorno".

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Amanda SchArr – NovaCana
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