A FS assinou um novo acordo para a venda de créditos de carbono gerados por seu projeto de BECCS (sigla em inglês para bioenergia com captura e armazenamento de carbono). A transação com a Freepoint Commodities Europe, subsidiária da comercializadora global de commodities Freepoint Commodities, prevê a compra futura de 10 mil créditos de carbono.
Por meio da tecnologia BECCS, a FS converte emissões biogênicas em remoções permanentes de carbono por meio da captura e do armazenamento geológico de CO2. O projeto, localizado em Lucas do Rio Verde (MT), deverá transforma a FS na primeira empresa do mundo a produzir etanol “carbono negativo”.
Reconhecida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) como projeto-piloto e referência para o desenvolvimento da regulamentação de CCS no Brasil, a iniciativa recebeu suas licenças de instalação em novembro de 2025.
Recentemente, o projeto também recebeu o reconhecimento de “First of its Kind” (primeiro de sua categoria), da Gold Standard, reforçando a posição da FS na vanguarda da implementação em larga escala de soluções de remoção de carbono e destacando a contribuição inovadora do projeto para o avanço do BECCS em mercados emergentes.
Segundo a companhia, a designação concede ao projeto um período de creditação estendido de 45 anos – 15 anos superior ao prazo padrão normalmente aplicado pela metodologia.
“O reconhecimento reforça o caráter pioneiro da iniciativa e permite a geração de créditos de remoção de carbono por um período mais longo”, afirma a FS, em nota. Ainda segundo a empresa, a extensão do período amplia o potencial de geração de créditos no longo prazo e pode influenciar positivamente seu valor, ao oferecer maior previsibilidade de oferta ao mercado.
“Esta transação reflete a crescente confiança do mercado na execução e na continuidade de longo prazo do projeto, sustentada por avanços técnicos relevantes e pela recente aprovação do financiamento de longo prazo de R$ 384,3 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”, afirma o vice-presidente de novos negócios e sustentabilidade da FS, Daniel Lopes.
Ele complementa: “Os resultados positivos dos testes de injetividade e o início da injeção de CO2 previsto para setembro de 2026 dão confiança ao mercado de que este será o primeiro projeto de BECCS do hemisfério sul”.
De acordo com a companhia, o projeto prevê a injeção contínua de CO2 ao longo de 30 anos, com potencial de armazenamento estimado em aproximadamente 12 milhões de toneladas de carbono.
A FS ainda afirma que o acordo com a Freepoint contempla a compra e venda dos créditos de carbono após os processos de validação e certificação, além da contratação de um serviço de avaliação preliminar (pre-rating) do projeto.
“A Freepoint tem satisfação em apoiar o projeto pioneiro de BECCS da FS, que reflete a crescente demanda por créditos de remoção de carbono duráveis e de alta integridade”, afirma o diretor sênior da Freepoint Commodities, Andrew Hallett. “Esperamos continuar trabalhando com a FS à medida que o projeto avance rumo à certificação e à operação comercial”, completa.
Os créditos de carbono gerados pela FS serão classificados como “créditos de remoção” e seguirão a metodologia da Gold Standard, uma estrutura de certificação reconhecida internacionalmente. O registro do projeto está previsto para julho de 2026.