A FS, uma das maiores empresas de etanol do Brasil, anunciou nesta terça-feira, 8, a segunda fase de investimento no projeto BECCS (sigla em inglês para produção de bioenergia com captura e armazenamento de carbono), que acontece a partir da sanção da lei Combustível do Futuro.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou a nova lei em cerimônia oficial realizada durante a feira Liderança Verde Brasil Expo, em Brasília.
O investimento da FS, de cerca de R$ 350 milhões, será destinado à aquisição e implantação dos equipamentos de captura, desidratação, compressão e injeção de CO2 no subsolo, em Lucas do Rio Verde (MT), onde a empresa tem uma de suas unidades industriais.
Na primeira fase do projeto BECCS, a FS investiu aproximadamente R$ 110 milhões para a realização de estudos técnicos e perfuração de poço estratigráfico que comprovaram as condições geológicas adequadas para injetar o dióxido de carbono (CO2), no subsolo de Lucas do Rio Verde.
O Combustível do Futuro cria uma série de iniciativas de fomento à descarbonização, mobilidade sustentável e transição energética no Brasil. Dentre elas, está o marco legal de captura e estocagem geológica de dióxido de carbono (CCS/BECCS).
O início das obras para implantação de BECCS pela FS depende agora de licenciamento ambiental estadual e de autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que será responsável pela regulamentação da atividade de captura e armazenamento de carbono, de acordo com a nova Lei.
“O Combustível do Futuro é mais um marco importante para avançarmos na implantação do sistema BECCS, que resultará na produção do primeiro etanol carbono negativo do mundo”, relata o CEO da FS, Rafael Abud. “Esse avanço coloca novamente o país em destaque na implementação de tecnologias que contribuem para a transição energética sustentável. A adoção em larga escala do sistema BECCS pelo setor de etanol deverá reduzir sensivelmente as emissões de carbono nos modais rodoviário, aéreo e marítimo”.
Na produção de etanol há emissão biogênica de CO2 para a atmosfera na etapa de fermentação do milho. Com a tecnologia de BECCS, o mesmo CO2 emitido durante a fermentação é capturado mecanicamente e estocado no subsolo, fazendo com que a emissão do “berço ao túmulo” do etanol de milho seja considerada negativa.
A FS prevê iniciar as obras em maio de 2025, após conclusão da agenda regulatória, com término de obra previsto para junho de 2026. Segundo a empresa, serão gerados cerca de 230 empregos diretos durante a perfuração de poço, construção e montagem dos equipamentos de compressão e desidratação do CO2.
Recentemente, o projeto contou com o apoio da Finep, agência pública de fomento à inovação, que atua com foco em ações estratégicas, estruturantes e de impacto para o desenvolvimento sustentável do Brasil.
“A implementação de BECCS é um passo crucial para atingirmos a visão da FS, que é ser a maior produtora de combustível carbono negativo do mundo”, comenta o vice-presidente de sustentabilidade e novos negócios da FS, Daniel Lopes.
“Seguiremos firmes em nosso propósito e realizando grandes investimentos em inovação. Estamos agora empenhados em monetizar este projeto através da venda de créditos de carbono, um mercado bastante promissor, mas em desenvolvimento”, completa.
Com três unidades em operação no estado de Mato Grosso – em Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste – a FS tem capacidade para produzir cerca de 2,3 bilhões de litros de etanol por ano. Além disso, a companhia está em processo de expansão para atingir capacidade produtiva de 5 bilhões de litros de etanol por ano.