A abertura de novos mercados para o farelo de milho brasileiro é vista com otimismo por uma das principais processadoras no Brasil. A FS Agrisolutions avalia que a medida aumenta a presença do produto no mercado internacional e estimula a cadeia produtiva do etanol feito a partir do cereal, que vem crescendo no país.
“Temos a oportunidade de levar o conhecimento para o mundo de toda essa evolução que o Brasil está conseguindo fazer no etanol de milho”, avalia o gerente-executivo de nutrição animal da FS, Victor Trenti.
Em novembro, o governo brasileiro anunciou a abertura dos mercados do Vietnã, Turquia, Tailândia e Nova Zelândia para o farelo de milho. Derivado da produção de etanol, o produto é conhecido comoo DDG (dried distillers grains, em inglês, ou grãos secos por destilação) ou DDGS (dried distillers grains with solubles, ou grãos secos por destilação com solúveis).
O produto é usado, principalmente, para alimentação de bovinos, suínos, aves, peixes e camarão. O Brasil produz cerca de 4 milhões de toneladas por ano. Mato Grosso, líder nacional na produção de etanol de milho, responde pelo maior volume: 2,4 milhões de toneladas.
A possibilidade de exportar para os novos mercados abertos anima a indústria do setor. A União Nacional de Etanol de Milho (Unem) avaliou que a medida atende a uma demanda por aumento de vendas externas. E renova a expectativa de abertura da China para o produto.
Na FS Agrisolutions, a principal aposta para o mercado externo é o que a empresa chama de DDG HP. Victor Trenti explica que o nome está relacionado ao teor de 40% de proteína, superior ao das variedades mais convencionais, entre 30% e 32%. “É um produto bem valorizado no Brasil e queremos levar estrategicamente para o mundo. Esses novos mercados são opções”, afirma o executivo.
Para das uma ideia do potencial, Trenti usa como referência os Estados Unidos. Segundo ele, os americanos produzem cerca de 25 milhões de toneladas de DDG e exportam em torno de 10 milhões de toneladas. O Vietnã responde por pelo menos 10% da demanda. Turquia e Nova Zelândia, 5% cada um.
“Estamos nos estruturando como exportadores de DDG e óleo de milho. Exportamos em pequenos volumes na América Latina, mas também queremos explorar esses novos mercados, que já conhecem o ingrediente e tem um potencial de aumentar a demanda”, avalia.
No balanço referente ao segundo trimestre fiscal de 2024 (julho a setembro de 2023), a FS Agrisolutions informa que aumentou em 28,6% a produção de DDG em relação ao mesmo período no ano fiscal 2023. O volume chegou a 426,5 mil toneladas.
No primeiro semestre fiscal 2024 (abril a setembro de 2023), o aumento foi de 31,3% na comparação com o mesmo período no ano fiscal anterior, para 814,3 mil toneladas.
As vendas cresceram 25,2% no trimestre e chegaram a 432,6 mil toneladas. No semestre fiscal, houve um aumento de 26,8%, com um volume de 802,9 mil toneladas.
Raphael Salomão