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FMC vê Brasil como motor global de inovação e projeta avanço acima da média mundial


Agência Estado - Publicado: 08 Ago 2025 - 08:05

O Brasil se consolidou como a maior unidade de negócios da multinacional americana de insumos FMC Corporation, responsável por cerca de 25% das vendas globais da empresa e à frente da operação nos Estados Unidos.

De acordo com a companhia, a participação brasileira vai desde a fase inicial de concepção de novas moléculas até a definição de estratégias de lançamento mundial, influenciando diretamente o portfólio global.

“Nós temos um centro de pesquisa em Paulínia (SP) que é parte do centro de inovações da FMC global. O processo de descobrimento de novas moléculas e de desenvolvimento de novos produtos ocorre aqui ao mesmo tempo que no nosso centro global. O Brasil orienta, influencia e participa da concepção dos novos produtos”, disse o presidente global da FMC, Ronaldo Pereira, em entrevista durante o Congresso da Andav 2025.

Segundo ele, o país é um dos primeiros a receber lançamentos estratégicos, como o feromônio Sofero Fall, para controle da lagarta-do-cartucho, e o herbicida Isoflex, para arroz e algodão. A empresa também criou a Academia de Ciências, em Paulínia, que já recebeu mais de 3 mil visitantes entre pesquisadores, distribuidores e produtores.

Ainda conforme o executivo, o Brasil reúne dois vetores de crescimento: expansão da área agrícola e alta velocidade na adoção de tecnologias. “Mais de 50% das novas áreas para alimentar o mundo vão vir do Brasil”, afirmou Pereira. “O ganho de participação vem fundamentalmente através das novas tecnologias”, completa.

Ele acrescentou que, nos próximos cinco anos, a FMC viverá “o momento mais fértil de tecnologia e inovação” em seus 140 anos de história.

O fortalecimento da operação brasileira ocorre após um ciclo de ajuste iniciado no fim de 2023, quando a empresa reduziu estoques elevados e mais caros que a média do mercado, formados no período de inflação e escassez durante a pandemia.

No primeiro trimestre de 2025, para não pressionar ainda mais os estoques de distribuidores e revendas, a FMC segurou o ritmo de vendas e investiu mais de R$ 50 milhões no país, ampliando equipes e operações. Parte desse capital veio da venda da operação comercial na Índia, redirecionada para mercados considerados mais atrativos.

No segundo trimestre de 2025, a receita global da FMC somou US$ 1,05 bilhão, alta de 1% na comparação anual, com volumes 6% maiores e preços 3% mais baixos – metade dessa queda ligada a contratos indexados a custos de fabricação. O Ebitda ajustado avançou 2%, para US$ 207 milhões, enquanto o lucro líquido caiu 77%, a US$ 67 milhões, em função de ganhos fiscais não recorrentes registrados no mesmo período de 2024.

Na América Latina, a receita cresceu 5% em moeda constante, com destaque para o Brasil, que já fechou entre 30% e 40% da carteira de pedidos para o segundo semestre, nível superior aos últimos dois anos.

A consolidação brasileira coincide com a lenta saída da crise de 2023/24 no setor de defensivos, marcada por estoques altos e dificuldades financeiras na distribuição. “O momento mais quente passou, mas ainda estamos tratando o que aconteceu nos anos passados. Os estoques estão em fase de normalização, a situação é melhor que há dois anos, mas ainda há espaço de eficiência a buscar”, avaliou o presidente da FMC no Brasil, Renato Guimarães.

A safra recorde de milho e soja traz liquidez ao produtor, mas o endividamento acumulado segue no radar. “Existe um nível de alavancagem no mercado que não se resolve em uma safra. Leva algumas safras para ser resolvido”, disse Guimarães.

Segundo ele, a empresa tem valores a receber de distribuidores em recuperação judicial e trata “caso a caso, dentro do que a lei permite”. Mas, apesar dos desafios, a distribuição segue estratégica e responde por cerca de 50% das vendas da FMC no país. “Nós apoiamos, suportamos os nossos distribuidores e não vamos deixar de fazer isso”, afirmou Guimarães.

O ambiente de negócios, contudo, permanece mais apertado que no período de euforia de 2019 a 2021. Pereira defende que a rentabilidade sustentável virá de “boas produções e preço de commodities estável”, sem oscilações extremas entre safras.

Eventos climáticos, como estiagens e excesso de chuvas no Sul e secas atípicas em Mato Grosso, reforçam a aposta da empresa na integração de soluções químicas, biológicas e digitais. Uma plataforma digital monitora 7 milhões de hectares no Brasil e prevê surtos de pragas com dias de antecedência, permitindo otimizar aplicações e reduzir custos.

Tarifas dos EUA

No cenário externo, a companhia estima impacto anual de US$ 15 milhões a US$ 20 milhões das tarifas adicionais dos Estados Unidos, já mitigado pela diversificação da produção em fábricas na Ásia, Américas e Europa.

A estratégia também inclui manter investimentos em inovação mesmo após a incorporação do portfólio da FMC Ventures à área de estratégia global, priorizando recursos para tecnologias em lançamento ou próximas do mercado.

Para o segundo semestre, a empresa projeta desempenho no Brasil acima da média global, sustentado por safra cheia, normalização gradual de estoques e novos produtos. “A história da FMC nos próximos cinco anos será definida pela tecnologia, e o Brasil é um forte consumidor de tecnologia”, concluiu Pereira.

Gabriel Azevedo