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Fluxo de caixa negativo e liquidez fraca: as perspectivas da Fitch para as sucroenergéticas

dinheiro-queda-310516A agência de classificação de riscos Fitch Ratings divulgou esta semana um relatório sobre as perspectivas para a maioria dos produtores nacionais de açúcar e etanol nos próximos dois anos

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A agência de classificação de riscos Fitch Ratings divulgou esta semana um relatório sobre as perspectivas para a maioria dos produtores nacionais de açúcar e etanol. Mesmo mantendo a expectativa de um ano estável para o setor sucroenergético, no que se refere aos ratings das companhias, a agência vê pouco espaço para que a capacidade das empresas cresça nos próximos dois anos.

“Como os credores ainda absorvem os defaults dos dois últimos anos, a capacidade de acesso ao crédito e aos mercados de capital destas empresas continuará limitada”, explica a Fitch, que ainda completa: “O risco de refinanciamento continua elevado para a maioria das empresas brasileiras de açúcar e etanol, visto que a recente recuperação dos preços ainda não se traduziu em posições confortáveis de liquidez”.

A análise ainda observa o impacto dos preços de açúcar e etanol, as dificuldades de acesso ao crédito e a polarização acentuada do setor.

A agência de classificação de riscos Fitch Ratings divulgou esta semana um relatório sobre as perspectivas para a maioria dos produtores nacionais de açúcar e etanol. A agência prevê para o ano fiscal de 2017 uma perspectiva de fluxo de caixa negativo e liquidez fraca para a maior parte do setor. A consequência é que não haja aumentos da capacidade de produção nos próximos dois anos, beneficiando, dessa forma, os preços futuros.

“Como os credores ainda absorvem os defaults dos dois últimos anos, a capacidade de acesso ao crédito e aos mercados de capital destas empresas continuará limitada”, explica a Fitch em relatório. O documento ainda completa: “O risco de refinanciamento continua elevado para a maioria das empresas brasileiras de açúcar e etanol, visto que a recente recuperação dos preços ainda não se traduziu em posições confortáveis de liquidez”.

Ainda assim, a agência observa que as companhias com ratings elevados podem se beneficiar da atual retomada de preços para se desalavancar. “Os preços internacionais do açúcar começam a refletir as expectativas de aumento do déficit global e de redução do nível dos estoques frente à demanda”, afirma.

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Dessa forma, a expectativa da Fitch é de que as empresas com práticas de hedge eficientes e presença no mercado varejista sejam as mais beneficiadas pelo recente aumento de preços. O cenário-base considerado para as empresas do setor considera o valor de US$ 0,15 por libra-peso de açúcar na safra 2016/2017.

Polarização acentuada

A agência prevê uma polarização setorial após dois anos de preços reduzidos do açúcar e do etanol, de problemas climáticos, aumento dos juros e substancial desvalorização do real. “As empresas do setor bem gerenciadas que concentraram seus esforços em corte de gastos, melhora da produtividade e aumento da utilização de suas usinas agora podem se beneficiar de preços mais elevados para se desalavancar e aumentar a liquidez”, aponta em relatório.

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As companhias com posições mais fracas, por sua vez, deverão ter dificuldades para reduzir a alavancagem e manter liquidez adequada. “O preço do etanol hidratado, em particular, subiu em resposta à crescente demanda, aliviando os fluxos de caixa das empresas menos capitalizadas”, pondera a agência.

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Acesso ao crédito permanece restrito

De acordo com o relatório divulgado, a Fitch acredita que o mercado internacional de títulos continuará fechado em 2016, mesmo para as empresas brasileiras de açúcar e etanol com bons ratings.

“Créditos de médio e longo prazo sem garantias continuam escassos e a maioria das companhias precisa refinanciar suas dívidas de curto prazo. Os bancos apertaram as condições de crédito e financiamento, e o financiamento no mercado doméstico de capitais não é uma opção realista”, garante.

Mesmo assim, confirmou que espera ano mais estável para o setor, em que as afirmações de rating do setor superem os rebaixamentos em 2016 – embora não descarte completamente novas ações negativas. Até o momento, a Fitch manteve os ratings da Raízen Energia em BBB e revisou a perspectiva de crédito da Jalles Machado de negativa para estável. Já os ratings da Biosev foram rebaixados para B+.

Além disso, a Fitch chegou a rebaixar os ratings da U.S.J. Açúcar e Álcool para RD – uma queda motivada pela troca das notas sem garantias com vencimento em 2019. Nesse caso, a agência fez uma leitura diferente da S&P Global Ratings, que havia rebaixado a classificação da USJ antes da troca devido à falta de pagamento, mas que subiu a classificação da empresa após a troca.

No entanto, a agência viu com bons olhos a aceitação da prorrogação do pagamento dos juros acumulados no vencimento, que foi passou de 2019 para 2021. Como consequência, a nota da companhia foi elevada para CCC.

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Renata Bossle – NovaCana

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