A safra 2015/16 de cana-de-açúcar está em seu pico na região centro-sul do Brasil. Contudo, desde junho, a cana está em floração no estado do Paraná e, com menor expressão, em São Paulo. O processo causa “isoporização” da planta, o que faz com que a extração de açúcar se torne difícil, reduzindo o rendimento durante o processo industrial.
Ainda que não haja dados formais de registro, de acordo com a Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), as principais áreas afetadas até agora foram o norte do Paraná, chegando a 30% na cana mais jovem, além do centro-norte e noroeste do estado, com variações de 10% a 20%. De acordo com a Alcopar, outras regiões também registraram floração, mas não de forma tão significante.
A floração também foi observada no maior estado produtor do país, São Paulo, segundo afirmou um negociante de açúcar para a Platts. No estado, o fenômeno também pode estar acima dos níveis históricos nesta safra. Um produtor confirmou que usinas estão aplicando um inibidor de floração, embora este seja um procedimento caro, especialmente para companhias com dificuldades financeiras.
A última vez que a floração aconteceu nos canaviais da região centro-sul foi na safra 2011/12. Naquela época, a região esmagou 493,3 milhões de toneladas de cana, uma queda de 11% em comparação com a safra anterior. No entanto, a queda foi atribuída principalmente ao clima seco registrado em 2010, o que dificultou a plantação e o desenvolvimento da cana.
Desde o início da última safra, em abril, e até o final de julho, o total de cana esmagada atingiu 279,4 milhões de toneladas, um número praticamente estável em comparação com o mesmo período na safra passada (280,4 milhões). Desse total, o Paraná foi responsável por 19,2 milhões de toneladas, um montante 1,3% superior ao observado no mesmo período do ano passado. A produção total de açúcar totalizou 1,25 milhões de toneladas, um crescimento de 3,8% no ano. Enquanto isso, a produção total de etanol nesta temporada chegou a 706,5 milhões de litros, um aumento de 5,5%.
A Alcopar estima para a safra 2015/16 que o total de cana esmagada chegue a 430,8 milhões de toneladas, um ligeiro decréscimo de 5% em comparação com a safra anterior. Segundo um analista da Kingsman, no entanto, após os resultados fracos da chuvosa 1ª quinzena de julho, o volume total poderia ser reduzido por, pelo menos, 3 milhões de toneladas.
"Estamos revisando nossas estimativas, mas só teremos uma percepção de quanto podemos esmagar quando a estação de chuvas começar em nossa região, o que acontece a partir de outubro", disse a Alcopar.
Por sua vez, a Kingsman estima que o total de cana-de-açúcar esmagada nesta safra no centro-sul deva chegar a 587 milhões de toneladas, um aumento de 3% em comparação com a safra 2014/15.
Quando as flores de cana surgem, os colmos param de produzir novos entrenós e o crescimento da cana para, dando início a um processo conhecido como "isoporização", caracterizado por uma cana mais seca.
Devido à perda de água, há uma redução na densidade e no peso da cana; sendo que a perda de peso pode chegar a 30% quando acontecem altas taxas de floração. Embora a perda de água não diminua a quantidade de açúcar na cana, a sua extração se torna mais difícil e fica reduzido o rendimento durante o processo industrial.
"Acredito que mais açúcar vai para flores e para fora da própria cana; as flores utilizam a sacarose de cana para crescer", disse a analista da Kingsman, Maria Nunez.
Um boletim técnico do CTC, com análises referentes à julho desse ano, apresenta diagnóstico sobre o fenômeno.
Alessandra Rosete
Tradução e adaptação novaCana.com