Em menos de uma semana, usina foi avaliada por duas agências de classificação de risco
Três dias depois da Standard & Poor’s (S&P) avaliar na escala global e nacional a usina Jalles Machado, agora foi a vez da Fitch Ratings dar seu parecer sobre a empresa e suas duas usinas em Goiás.
Três dias depois da Standard & Poor’s (S&P) atribuir as notas BB-, na escala global, e brA, na escala nacional, à usina Jalles Machado, foi a vez da Fitch Ratings dar seu parecer sobre a empresa e suas duas usinas em Goiás.
A agência de classificação de riscos considerou a situação da sucroenergética como “estável”, e a exemplo da S&P, fixou o rating ou nota de crédito da empresa em BB- na escola global, e A+(bra) na escala nacional.
Esta foi a primeira vez que a usina tornou pública sua situação financeira por meio de duas agências.
Segundo o analista da Fitch Ratings, Alexandre Garcia, a divulgação da análise de crédito não significa, necessariamente, que haverá qualquer emissão por parte da empresa.
Contudo, a decisão da empresa de tornar estes dados públicos pode ser útil futuramente, uma vez que possíveis investidores já teriam conhecimento dos resultados da empresa.
Em geral, as classificadoras de risco atribuem dois níveis de rating: non-investment grade e investment grade. Tanto na escala de rating da Fitch, como na da S&P, a nota BB- está dois graus abaixo do nível de crédito cobiçado pelas usinas, o investment grade.
Para Garcia, a decisão da Jalles faz parte de um processo de “transparência e governança corporativa”.
Projeções para o mercado de açúcar e etanol
A nota BB- atribuída à Jalles Machado também reflete a visão da agência quanto ao mercado de açúcar e etanol.
Em suas projeções, a Fitch considera um preço para o etanol “em linha com a média dos últimos doze meses” e o dólar valendo aproximadamente R$ 2,30.
“Este cenário também considera que a Petrobras continuará impondo um limite indireto nos preços do etanol hidratado ao exercer um forte controle nos preços da gasolina”, analisa a agência.
Outro ponto considerado pela Fitch é a “volatilidade inerente dos preços do açúcar, atualmente em níveis baixos, bem como a dinâmica da indústria de etanol brasileira, que está fortemente ligada aos preços regulados da gasolina e à respectiva política energética do governo”.
Detalhes da avaliação
Na classificação da nota de crédito, a Fitch considerou “robusto” o modelo de negócios da usina, com 100% de cana própria e uma cobertura de irrigação que alcança 60% de suas lavouras.
A exemplo da S&P, a Fitch também destacou o variado portfólio de produtos da empresa, e a sua “forte performance agrícola resultante de investimentos adequados nos canaviais”, entre outros fatores, que ajudam a “explicar a baixa volatilidade do fluxo de caixa operacional da Jalles Machado em relação à maioria de seus pares”.
As margens Ebtidar - sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e leasing - da Jalles também foram consideradas “acima da de seus pares”.
Assim como a S&P, a Fitch também espera que a processadora de cana-de-açúcar apresente um caixa operacional livre positivo no exercício do ano fiscal 2015, embora não tenha mencionado valores.
A alavancagem média da empresa deverá permanecer, disse a Fitch. E ressaltou que a liquidez da Jalles tem sido historicamente fraca. O maior desafio da usina é “perseguir um perfil de vencimento das dívidas mais maduro e uma liquidez mais forte a fim de reduzir os riscos de financiamento, e o impacto inerente da volatilidade dos preços de açúcar e etanol sobre seu fluxo de caixa operacional”.
Quanto às sensibilidades ou riscos que poderiam afetar negativamente o rating da sucroalcooleira, a Fitch destaca uma possível deterioração no perfil financeiro da usina, com uma alavancagem líquida acima de 3.5x, bem como um índice de cobertura das dívidas de longo prazo abaixo de 1.2x.
Detalhes sobre a classificação da Fitch Ratings podem ser vistos aqui
Leonardo Siqueira – NovaCana