Etanol: Mercado: Futuro

Etanol: Mercado: Futuro

Fitch: Setor brasileiro de açúcar e etanol deverá ser pouco beneficiado


Fitch - Publicado: 02 Mai 2013 - 17:03
Para a Fitch, as recentes medidas anunciadas pelo governo brasileiro em apoio à produção doméstica de etanol não deverão mudar significativamente os fundamentos do setor, pois o limitado valor das reduções de impostos propostas pode resultar em leve melhora da geração de fluxo de caixa e dos níveis de alavancagem, de acordo com a Fitch Ratings.

A agência destaca que as recentes medidas podem beneficiar mais as companhias com maior flexibilidade em seu mix de produção e aquelas com estratégia mais focada na produção de etanol, assumindo que a cotação do preço do açúcar continuará pressionada.

Em 23 de abril de 2013, o governo federal anunciou um conjunto de medidas para promover investimentos na expansão da produção de etanol e, até certo ponto, aumentar a competitividade do etanol em relação à gasolina, uma vez que isso pode limitar as pressões inflacionárias. O primeiro dos dois incentivos governamentais permitirá uma redução de BRL120,00 por m³ (BRL0,12 por litro) na cobrança de PIS e Cofins. Os produtores deverão reter a maior parte dos ganhos de rentabilidade relativos à nova política, com cerca de 10% do total deles sendo distribuídos por toda a cadeia produtiva.

Os incentivos tributários e o anteriormente anunciado aumento da mistura de etanol anidro na gasolina para 25%, frente aos atuais 20%, provavelmente mudarão o mix de moagem da cana-de-açúcar para a produção de etanol para cerca de 54% na atual safra, em comparação com o atual mix de 50,5% da safra 2012/2013. A Fitch considera que o mix de produção 46% de açúcar e 54% de etanol seja consistente com a relativa flexibilidade da produção das companhias e com a dinâmica do setor.  Além disso, o benefício da rentabilidade do etanol para os produtores deverá compensar parcialmente o encolhimento das margens nos últimos anos, em função do aumento da produção, e aumentar a competitividade do etanol hidratado frente à gasolina.

O segundo dos principais incentivos anunciados pelo governo é o aumento do montante das linhas de crédito para renovação e expansão dos canaviais (Prorenova) a custos financeiros mais baixos, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Embora este incentivo seja positivo, tendo em vista o tamanho relativo do aumento de crédito, a Fitch não prevê nenhum benefício maior para o setor, uma vez que os recursos são repassados pelas instituições financeiras e continuará beneficiando companhias com perfis de crédito mais fortes. Um total de BRL4 bilhões em linhas de crédito deverá ser disponibilizado para que os produtores financiem os investimentos nas safras, a 5,5% ao ano e com prazos estendidos de até seis anos. Linhas de crédito para financiamento de estoques, a 7,7% ao ano, também foram anunciadas.

A nova política afetará os participantes do setor de forma diferente, dependendo de suas estratégias de produção e perfis de crédito.
Tags:Outros