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Fitch, S&P e BTG Pactual avaliam situação de usinas e veem risco maior no setor

Canavial-fogo-110214Enquanto a situação é crítica para algumas empresas do setor, outras desfrutam de situação mais confortável
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Agências de risco rebaixam avaliação de empresas sucroalcooleiras por temores quanto à liquidez e riscos de refinanciamento. No entanto os investidores parecem diferenciar os grupos melhor estruturados.

"Eles contrataram uma boutique local para ajudá-los na modelagem", disse um banqueiro. "O que estão dizendo é: minha situação é muito pior, tomem cuidado."

Conheça a seguir os destaques das avaliações da Aralco, Virgolino de Oliveira (GVO), Tonon e USJ.

Problemas no setor sucroalcooleiro brasileiro estão chegando a um ponto crítico, com os investidores preocupados com a situação de crédito da Aralco. Em dificuldade, empresa vem realizando o pagamento dos cupons da dívida – próximo será em maio.

Seguidas baixas históricas nas cotações de açúcar nos últimos anos exacerbaram os problemas da Aralco em meio a rumores sobre uma reestruturação. O cenário de incerteza chegou a respingar sobre títulos de açúcar no Peru, à medida que empresas queimam reservas para honrar o serviço da dívida.

Títulos da Aralco com vencimento em 2020 e juros a 10,125% eram negociados na última quinta-feira na faixa dos 15 centavos de dólar – outra queda brusca em relação ao começo do ano, quando já haviam caído para a zona dos 45 cents.

As agências Fitch e S&P rebaixaram a nota de crédito da Aralco para CCC e B- respectivamente, mencionando temores quanto à liquidez da empresa no curto prazo e riscos de um refinanciamento como consequência.

O próximo pagamento do instrumento está marcado para 7 de maio. Após a contratação da BR Virtus Partners como conselheira da empresa em janeiro, crescem rumores sobre uma possível inadimplência.

"Eles contrataram uma boutique local para ajudá-los na modelagem", disse um banqueiro. "O que estão dizendo é: minha situação é muito pior, tomem cuidado."

MANOBRAS DE SOBREVIVÊNCIA
A Virgolino de Oliveira (GVO), com quatro usinas na região de São Paulo, também sofreu um baque, com títulos de 2018 e 2022 oscilando forte no secundário por conta de dúvidas quanto à capacidade da usina em cobrir os pagamentos.

A S&P rebaixou a avaliação da GVO de B para B-, mencionando riscos de um refinanciamento de US$ 600 milhões em títulos em haver e o impacto de gastos com juros da dívida no fluxo de caixa da empresa.

Ainda assim, portadores de títulos de 2018 conseguiram receber em janeiro, e a suposição de que a GVO fosse honrar o pagamento de 9 de fevereiro para papéis de 2022 levou a uma alta desses títulos na quarta-feira, para 49/50 cents.

A diferença entre as cotações da GVO e da Aralco demonstra que os investidores estão sabendo distinguir entre os dois créditos – e que acreditam que a GVO conseguirá se manter até o aumento da produção e a retomada dos preços.

"O verdadeiro desafio em relação à GVO é a estrutura das dívidas. Levando em conta os baixos níveis de produção, eles estão muito alavancados", disse um banqueiro-sênior. "Mas foram feitos investimentos, então isso deve compensar no ano que vem."

Uma possível redução nos subsídios à gasolina após a eleição presidencial também pode se traduzir num maior consumo de etanol nas bombas, o que pode beneficiar as empresas do ramo de açúcar.

"Um cenário melhor para os preços do açúcar e do etanol ainda deve demorar 12 meses", disse outro banqueiro. "A pergunta é: será que a GVO consegue sobreviver pelos próximos 12 meses quando houver maior pressão sobre os balancetes?"

Analistas do BTG Pactual afirmaram num relatório recente: "Embora a Aralco tenha menos necessidades de refinanciamento do que a GVO, os riscos de reestruturação parecem mais significativos dado que a empresa se encontra em situação de quebra de cláusulas e possui um valor patrimonial menor, o que limita suas opções de flexibilidade financeira."

FAZENDO DISTINÇÕES
A queda nas cotações da GVO e da Aralco refletiu sobre outros nomes do setor. No entanto, há sinais de que os compradores estejam começando a fazer distinções.

Por exemplo, os títulos de 2020 a 9,25% da Tonon ganharam vários pontos e alcançaram 82-83 na última quarta, após serem negociados a 78 na terça.

A Tonon é vista como a mais saudável do grupo. Ao contrário do que acontece com a maioria das companhias de açúcar da região, geridas pelas famílias proprietárias, a Tonon tem um corpo gestor profissional eleito pelo fundo privado Terra Viva, que controla 35% da empresa.

Ademais, a empresa contraiu menos dívidas que seus pares, recorrendo à venda de patrimônio e a uma injeção de capital para levantar fundos e fazer frente a despesas de capital. Seu índice de dívida líquida está em 3x, contra índices de 5x a 7x de nomes como Aralco, GVO e USJ.

A USJ, cujos títulos 2019 a 9,875% estão sendo negociados na faixa de 82, é apreciada graças à grande extensão de terras que detém, o que reduz os custos de leasing e pode ser usado como garantia de dívidas, se necessário. Além disso, o grupo mantém uma parceria (joint venture) com a multinacional americana Cargill.

Tanto a Tonon como a USJ viram os seus papéis caírem bons 20% desde abril do ano passado, o que pode ter criado boas oportunidades de compra.

Uma história parecida está em cartaz no Peru, onde títulos com prazo de 10 anos a 6,375% da Coazucar (BB+/BB) caíram para 76,50 devido a temores de contágio.

"Um crédito BB não deveria estar sendo negociado assim", disse um trader corporativo. "Estamos falando de 200 pontos-base acima da Cemex."

A dúvida entre os banqueiros é se os investidores americanos mais ousados, em situação difícil, vão se envolver no setor brasileiro de açúcar, como fizeram nos casos da OSX, do ex-bilionário Eike Batista, e do setor de construção no México.

Alguns banqueiros já veem vantagem nos títulos da GVO, prevendo uma recuperação de valor de 25 cents por dólar.

"Comprando papéis da GVO a 50, você pode perder 25 ou ganhar 50, no caso de haver pagamento integral. Portanto, há um risco positivo de 2 para 1, com um bom pagamento durante a espera", disse um banqueiro.

Para outro banqueiro sênior, contudo, isso ainda depende de outros fatores.

"Seria preciso títulos nas mãos de investidores em dificuldades, mas no geral eu acho que eles ainda não conhecem o setor", disse. "Eles estão fazendo a lição de casa, mas ainda não começaram a comprar."

Paul Kilby (Reuters)
Tradução e adaptação NovaCana
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