A capacidade de refinanciamento das companhias de açúcar e álcool, especialmente entre aquelas com classificação de risco mais baixo, é atualmente a preocupação principal da Fitch, disse o analista sênior do segmento, Claudio Miori, durante evento organizado pela agência em São Paulo.
"A capacidade de rolar dívidas de curto prazo e o acesso a linhas de longo prazo têm se mostrado complicados, a não ser em casos em que se oferecem terras como garantia", disse Miori. Segundo ele, os bancos bilaterais e o próprio BNDES têm feito empréstimos em condições mais restritivas. Ele lembrou que esse é um segmento intensivo em capital, com capex (investimento em bens de capital) elevado, e que as companhias com rating menor têm um fluxo de caixa negativo. Portanto, disse, "o risco de refinanciamento dessas empresas de ratings menores é muito alto".
Ele afirmou que o cenário para o açúcar em 2015 de modo geral é conservador, mas que no médio prazo existe perspectiva de recuperação de preços e influência positiva no caixa dessas empresas. Miori notou ainda que, havendo recuperação dos preços do açúcar, também melhora o humor do mercado e outras formas de financiamento voltam a ficar disponíveis.
"Entendemos que o setor continuará pressionado em 2015, os estoques globais estão elevados e mesmo que o déficit global exista (oferta menor que demanda) não vai ser relevante para recuperar os preços agora", disse. No entanto, acrescentou, algum efeito positivo pode acontecer na próxima safra global. Ele disse ainda que o real enfraquecido pode agir contra essa tendência, já que os exportadores podem ficar estimulados a colocar mais açúcar no mercado e ao mesmo tempo reduzir os preços para manter a competitividade.
Cynthia Decloedt