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Fitch Ratings compara resultados financeiros de grandes nomes do setor sucroenergético

biosev usina 1900Raízen, Biosev e outras estão presentes em relatório de agência de classificação de risco

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O mais recente relatório da agência de classificação de risco Fitch Ratings trouxe uma comparação dos resultados financeiros atualizados de grandes empresas do setor.

Com dados de 2015 a 2017, é possível analisar a evolução de indicadores da Raízen Energia, da Biosev, da USJ Açúcar e Álcool, da Jalles Machado e da Usina Santo Ângelo (USA).

Com base nesses resultados, a Fitch divide as empresas de acordo com suas possibilidades de inadimplência, ou seja, seu risco de crédito, resultando em uma avaliação útil para credores.

Leia mais:

- Os resultados financeiros das empresas analisadas
- O rating mais recente da Fitch
- Gráficos comparativos entre as empresas
- O destaque da USA dentre os pares

O mais recente relatório da agência de classificação de risco Fitch Ratings, divulgado em dezembro do ano passado, trouxe uma comparação dos resultados financeiros de grandes empresas do setor.

Com dados de 2015 a 2017, é possível analisar a evolução de indicadores da Raízen Energia, da Biosev, da USJ Açúcar e Álcool, da Jalles Machado e da Usina Santo Ângelo (USA), de Pirajuba (MG), companhia que é tema central da publicação.

Entre os anos analisados – marcados por uma melhora no mercado internacional de açúcar –, um dos destaques é que a Biosev e a USA tiveram os maiores crescimentos de receita bruta, enquanto a USJ e a Raízen tiveram aumentos mais discretos. Já a Jalles Machado teve uma diminuição na receita entre 2016 e 2017, mas, ainda assim manteve um resultado positivo no período.

Por outro lado, a Jalles Machado foi a única companhia entre as analisadas que teve crescimento na margem de Ebitdar operacional tanto entre 2015 e 2016 quanto entre 2016 e 2017, mesmo que este tenha sido um pouco menor. No mesmo indicador, a USA e a Raízen tiveram um crescimento seguido de queda, enquanto a USJ teve uma queda seguida de um crescimento e a Biosev teve apenas quedas.

Em relação à alavancagem, a Jalles Machado, a USJ e a Biosev terminaram 2017 com valores mais altos do que em 2015, indicando que elas aumentaram a distância entre seus desempenhos operacionais e suas dívidas. Enquanto isso, a USA e a Raízen tiveram diminuições nos seus índices entre os anos analisados.

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Classificação da Fitch

Com base nesses resultados, a Fitch Ratings divide as empresas de acordo com suas possibilidades de inadimplência, ou seja, seu risco de crédito. Dentre elas, a mais bem posicionada na última relação, divulgada no início de janeiro, é a Raízen, com rating nacional de longo prazo AAA(bra). Esse é o maior índice dentre as avaliações e assegura aos investidores o menor risco de calote.

Em seguida vêm a USA, que foi classificada com rating nacional de longo prazo A-(bra), que indica um risco de crédito baixo. A previsão da agência é que esse índice permaneça estável graças ao eficiente modelo de negócios da usina e a alguns indicadores, como alavancagem financeira reduzida e liquidez satisfatória, além da expectativa de manutenção do fluxo de caixa livre, que permite investimentos em melhorias.

Por ser uma empresa de porte relativamente pequeno dentro do setor sucroenergético brasileiro, o custo caixa de produção da USA é baixo e está em linha com o apresentado pela Jalles Machado, que também possui rating nacional de longo prazo A-(bra), com perspectiva estável na classificação da agência.

“Assim como a Jalles Machado, o modelo de negócios da USA se favorece de custos de arrendamento de terra mais baixos que os registrados por usinas localizadas no estado de São Paulo, de incentivos fiscais na venda de etanol e da venda de excedente de energia gerado para o sistema brasileiro”, relata a agência.

Já a Biosev, que também é analisada pela Fitch, possui rating nacional de longo prazo A-(bra) graças à sua positiva ligação com a Louis Dreyfus Company (LDC). Contudo, a companhia possui perspectiva negativa, pois seu perfil financeiro é inferior em relação ao da USA e seu custo caixa de produção é mais alto. Isso significa que a Fitch não descarta a possibilidade de um rebaixamento já na próxima análise financeira da companhia.

Por último está a USJ Açúcar e Álcool que, com rating nacional de longo prazo CCC(bra), encontra-se em uma situação altamente especulativa, com uma real probabilidade de calote.

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USA em destaque

Em destaque no relatório da Fitch, o rating da USA é beneficiado pelo perfil açucareiro da empresa, que é um dos maiores da indústria. Além disso, seu desempenho operacional está acima da média, gerando melhores resultados. “O rendimento da USA foi de 89,7% na safra 2016/2017, comparando-se favoravelmente aos 87,3% reportados pelas usinas do Centro-Sul do país e posicionando a companhia como umas das 25 mais eficientes em uma lista de 181 pares”, demonstra o relatório.

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Para as próximas safras, a perspectiva da Fitch é de que o quadro da empresa se mantenha positivo: “A USA continuará apresentando liquidez satisfatória nos próximos três anos, o que minimizará os riscos de volatilidade da geração operacional de caixa e, consequentemente, de refinanciamento”.

Contudo, mudanças adversas nas condições dos negócios, sejam elas econômicas ou financeiras, podem afetar a capacidade de pagamento de algumas obrigações no prazo esperado, o que influenciaria na avaliação.

No caso da Usina Santo Ângelo, a Fitch explica que o rating pode sofrer alterações de acordo com alguns desdobramentos específicos. Por exemplo, a avaliação pode melhorar caso o índice de caixa seja igual ou superior a 2,0 vezes a dívida de curto prazo e o cenário de liquidez fique mais favorável para o setor sucroenergético. Porém, a nota pode cair se a alavancagem líquida ajustada da usina for superior a 2,5 vezes e o índice de caixa e aplicações financeiras somado à relação do fluxo de caixa das operações pela dívida de curto prazo for inferior a 1,5 vez.

Ainda assim, com um custo caixa baixo como o da USA, dentre outros indicadores positivos, é possível manter as margens e o fluxo de caixa das operações superiores na comparação com outras companhias do setor. De acordo com a Fitch, a empresa possui rendimento industrial acima da média do setor, posicionando-a entre as trinta maiores do Centro-Sul do Brasil, de um universo superior a 160 empresas – um fator que pode garantir a estabilidade do rating.

Rafaella Coury – NovaCana

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