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Fitch Ratings: Preço menor do açúcar e outros fatores devem alterar cenário em 2018

Fitch Ratings 070515Em 2017, apesar da perspectiva positiva, não houve nenhuma elevação de rating. Agora, afirmações voltam a predominar e perspectiva das sucroenergéticas é estável

NovaCana 10 min de leitura

A perspectiva para o setor de açúcar e álcool da América Latina é estável para 2018, segundo a consultoria Fitch Ratings, uma das três maiores agências de classificação de risco de crédito no mundo.

Após um ano de 2017 com perspectiva Positiva e cenário favorável, especialmente no que se refere aos preços do açúcar, a região deve enfrentar fatores menos benéficos nos próximos meses, que podem vir a prejudicar uma parcela das empresas.

Porém, a maioria delas deve enfrentar de forma resiliente o próximo ano de preços mais baixos e mudanças importantes, como o RenovaBio, aprovado neste ano.

As avaliações constam do relatório “Perspectiva 2018: Açúcar e Etanol na América Latina”. A perspectiva na avaliação da agência é estável para 80% dos emissores analisados. Para os demais, a perspectiva é negativa devido a fatores específicos.

Saiba mais:

- Quais são as previsões para o próximo ano
- Perspectivas e ratings para empresas sucroenergéticas
- Tendências do mercado

A perspectiva para o setor de açúcar e álcool da América Latina é estável para 2018, segundo a consultoria Fitch Ratings, uma das três maiores agências de classificação de risco de crédito no mundo. Isso significa que a empresa não prevê nenhuma elevação ou redução na classificação das empresas do setor.

Após um ano de 2017 com perspectiva positiva e cenário favorável, especialmente no que se refere aos preços do açúcar, a região deve enfrentar fatores menos benéficos nos próximos meses, que podem vir a prejudicar uma parcela das empresas.

Porém, a maioria delas deve enfrentar de forma resiliente o ano de preços mais baixos, pois também estão previstas mudanças importantes, como os primeiros passos do RenovaBio, que recebeu sanção presidencial nos últimos dias de 2017.

As avaliações constam do relatório Perspectiva 2018: Açúcar e Etanol na América Latina. A perspectiva na avaliação da agência é estável para 80% dos emissores analisados. Para os demais, a perspectiva é negativa devido a fatores específicos.

Segundo a Fitch Ratings, em março de 2018, o setor começa a nova safra com estruturas de capital superiores às de 2017. As empresas também estarão munidas com o resultado de um ano de preços altos do açúcar e fluxos de caixa fortalecidos.

Assim, o cenário para 2018/19 deve permitir que a maioria das empresas enfrente com relativa tranquilidade a queda dos preços do açúcar prevista para o próximo ano. Depois da média de US$ 16,3 centavos/libra em 2017, a Fitch estima que o preço médio do açúcar deve ficar em US$ 14 centavos/lb em 2018.

Em relação aos resultados das companhias, a liquidez deve continuar baixa, ainda segundo a agência. O indicador, que mede a facilidade com que um ativo pode ser convertido no meio de troca da economia, reflete a capacidade das empresas de quitarem suas obrigações.

Por outro lado, o fluxo de caixa deve ser beneficiado por custos financeiros em queda e poucos investimentos em expansão.

“A volatilidade do fluxo de caixa e as restrições de liquidez são importantes para os ratings. Com exceção de alguns poucos casos, os emissores latino-americanos normalmente reportam índices caixa/dívida de curto prazo abaixo de 1,0 vez ao final de cada ano fiscal e têm flexibilidade financeira limitada”, indica a agência.

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Tendências para o setor

Para 2018, a Fitch prevê uma disparidade crescente entre as empresas que apresentam bons resultados atualmente e as empresas em dificuldades.

Na média, a geração de fluxo de caixa (FCF) deve ser neutra. Porém, segundo a agência, se houver condições climáticas favoráveis, empresas bem administradas devem reportar um fluxo de caixa entre neutro e ligeiramente positivo em 2018. Já as empresas ineficientes, com altos custos caixa, devem continuar gerando fluxo negativo.

“Entre os fatores que podem levar a um FCF positivo, estão os preços da cana mais baixos, reduzidos pela fórmula de preços do Consecana, menores custos financeiros, devido à acentuada queda da Selic e a ausência de significativos investimentos em expansão”, aponta o relatório.

A liquidez deve permanecer fraca, influenciada pela concentração de captação em empresas fortes. Os mercados de capital no Brasil e no exterior, segundo a agência, não são viáveis para a maioria das empresas do setor.

“A Fitch acredita que bancos e mercados de capital continuarão altamente seletivos e concentrarão a captação em companhias bem administradas, impondo, desta forma, obstáculos a emissores com dificuldades financeiras”, afirma.

Segundo a agência, a alavancagem do setor deve permanecer estável em 2018. A expectativa de preços mais baixos para o açúcar deve limitar a desalavancagem. Com a dívida em dólar, uma nova desvalorização do real pode prejudicar a capacidade do setor na melhora das estruturas de capital.

“Os produtores brasileiros de açúcar e etanol finalizaram a safra 2016/2017 com a menor mediana de alavancagem líquida desde a safra 2012/2013, uma vez que as companhias com operações mais eficientes canalizaram o FCF positivo para a amortização de dívidas”, diagnostica e continua: “Este processo continuou na safra 2017/2018 e foi ajudado por posições de açúcar atrativamente protegidas por hedge e pela ausência de investimentos em expansão”.

RenovaBio

A Fitch Ratings aponta que o RenovaBio, projeto de lei de incentivo à produção e consumo de biocombustíveis, pode ser um possível disruptor para o setor em 2018. O programa tramitou em regime de urgência no último bimestre de 2018, recebendo sanção presidencial em 27 de dezembro.

Segundo a agência, a proposta “tem o potencial de criar um positivo ambiente de demanda para o etanol e de aumentar a lucratividade e a sustentabilidade do setor a médio e longo prazos”.

A Fitch ainda acredita que a nova política pode estimular a produção de etanol no Brasil, reduzir as exportações de açúcar e aumentar os preços internacionais do produto.

Conforme o documento, o programa exigiria, entre outras medidas, que os distribuidores de combustíveis fósseis compensassem o conteúdo de carbono das vendas comprando créditos de carbono emitidos por produtores certificados de etanol.

Com isso, o mercado de etanol tem potencial para melhorar os fundamentos do setor de açúcar a médio prazo, “desde que o governo brasileiro defina um cronograma de implementação do programa de crédito de carbono”, complementa.

Afirmações devem prevalecer em 2018

Em relação aos ratings, a Fitch acredita que a trajetória deve se manter estática, com predominância de afirmações – quando o rating é revisado e nenhuma alteração é feita – na América Latina.

As afirmações voltaram a predominar em 2016, após o auge de crise em 2015, quando o número de rebaixamentos foi superior. Em 2017, todas as empresas brasileiras analisadas mantiveram suas posições, com um único rebaixamento registrado – a Corporación Azucarera del Peru, que passou de BB para BB-.

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“A Fitch acredita que as afirmações dominarão as ações de rating das companhias latino-americanas de açúcar e etanol em 2018. O ambiente de preços mais incerto e a concentração da oferta de dívida em companhias bem administradas continuarão criando obstáculos para as que estão em dificuldades financeiras”, diz o documento.

Com isso, é provável que as elevações fiquem restritas e a disparidade do setor aumente com possíveis rebaixamentos. “Podem ocorrer rebaixamentos, especialmente de emissores que não conseguiram melhorar o desempenho operacional e a liquidez na última safra”.

Fatores altistas e baixistas

O grupo de empresas avaliado no relatório tem mantido os ratings estáveis nos últimos meses.

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Entre os destaques, a Raízen Combustíveis tem, hoje, rating de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (IDRs - Issuer Default Ratings) em BBB e sua perspectiva é considerada estável pela Fitch Ratings. Na escala nacional, a empresa tem nota AAA.

Ambos os ratings indicam grau de investimento, quando a empresa tem probabilidade de calotes baixa e é considerada segura para investidores.

Para o futuro, uma elevação dos ratings da Raízen é improvável, segundo a agência. Por outro lado, uma deterioração da estrutura de capital e uma geração de fluxo de caixa mais fraca, com alavancagem líquida ficando acima de 2,5 vezes, poderiam levar a um rebaixamento. Na projeção para 2018, a alavancagem está em 1,8 vez e a liquidez em 2,1 vezes.

A segunda melhor avaliada no apanhado da agência é a Corporación Azucarera del Peru, em BB- e com perspectiva estável. A empresa já está na faixa de grau especulativo, quando há mais chances de calote, mas ainda há certa segurança.

Entre os fatores que contribuiriam para uma elevação, a Fitch cita uma possível alavancagem líquida abaixo de 3 vezes, em bases sustentadas, o que melhoraria o fluxo de caixa ao longo do ciclo de investimento. Em contrapartida, a deterioração da liquidez e a alavancagem líquida acima de 4 vezes em 2018 poderiam levar a um rebaixamento. Por enquanto, a projeção da alavancagem para 2018 é de 3,2 vezes e a liquidez da empresa peruana está em 6,6 vezes, o melhor resultado entre as empresas avaliadas.

Na sequência, Biosev e Jalles Machado têm rating B+, mas a Biosev possui perspectiva negativa e a Jalles Machado tem perspectiva estável. Ambas têm rating A- no ranking nacional.

Para a Biosev, qualquer demonstração de redução do suporte da Louis Dreyfus Commodities Holding Group poderia significar um rebaixamento. Já o fluxo de caixa neutro ou positivo, após a redução da estrutura de custo caixa, pode resultar em uma elevação no próximo ano. A empresa tem classificação B+ desde abril de 2016, quando foi rebaixada de BB-.

Já a Jalles Machado poderia alcançar uma elevação se a boa soma de caixa e estoques de produtos acabados em valor de mercado for pelo menos equivalente ao dobro da dívida de curto prazo. Em uma avaliação anterior, a Fitch ressaltou que a empresa poderia se beneficiar de um modelo de negócio fortalecido e dos preços do açúcar protegidos por hedge ainda na safra de 2017/2018. A nota da empresa foi rebaixada de BB- para B+ em 2015.

Por fim, a USJ possui classificação CCC, que caracteriza um grau altamente especulativo. Nesse caso, uma elevação é improvável, segundo a agência. Em linhas gerais, as classificações CCC demonstram compromissos financeiros problemáticos e possibilidade real de calote, sendo que a empresa só deve ter capacidade de cumprir suas obrigações mediante condições de negócios e econômicas favoráveis. Um rebaixamento pode ocorrer, segundo a Fitch, caso o fluxo de caixa para o ano fiscal de 2018 não se materialize.

O índice de liquidez da empresa está em 0,4 vez na projeção para 2018, o que indica que a disponibilidade de financiamentos de longo prazo está escassa. Isso pode obrigar a USJ a rolar sua dívida, principalmente a curto prazo. Ao mesmo tempo, a alavancagem está alta, em 4,5 vezes, um dos piores resultados entre as empresas avaliadas no relatório – na frente apenas da Biosev, com 5,1 vezes.

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Segundo a Fitch, o setor de açúcar e etanol em geral recebe ratings na categoria B devido à natureza intensiva em capital e à característica de commodity da produção, segundo a agência. A volatilidade do fluxo de caixa e as restrições de liquidez são importantes para os ratings.

Com exceção de alguns poucos casos, de acordo com a Fitch, os emissores latino-americanos normalmente reportam índices de caixa sobre dívida de curto prazo abaixo de 1 vez ao final de cada ano fiscal e têm flexibilidade financeira limitada.

Mariana Ohde – NovaCana

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