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Fitch coloca mais quatro usinas em observação negativa

fitch ratings 241014Setor está passando por "período de forte queima de caixa”

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A agência de classificação de riscos Fitch Ratings, que na semana passada rebaixou a nota de crédito da GVO ante a possibilidade de um default (calote), analisou a situação financeira de mais cinco usinas.

A Fitch vê um “risco sistêmico” no setor de açúcar e etanol brasileiro, o qual é evidenciado pela inadimplência da Aralco e pelo anúncio da GVO de que considera uma reestruturação da dívida.

“Estes fatos tornam extremamente difícil para as companhias obter financiamento de capital de giro e assegurar a compra de cana-de-açúcar de terceiros”, analisa.

A agência de classificação de riscos Fitch Ratings, que na semana passada rebaixou a nota de crédito da GVO ante a possibilidade de default (calote), analisou a situação financeira de cinco usinas: Biosev, Jalles Machado, Tonon Bioenergia, Usina São João e Raízen.

Com exceção da Raízen, cuja nota de crédito obteve uma perspectiva estável, o rating das demais sucroalcooleiras foi colocado sob observação negativa, informou a agência.

A Fitch vê um “risco sistêmico” no setor de açúcar e etanol brasileiro, o qual é evidenciado pela inadimplência da Aralco e pelo anúncio da GVO de que considera uma reestruturação da dívida.

“Estes fatos tornam extremamente difícil para as companhias obter financiamento de capital de giro e assegurar a compra de cana-de-açúcar de terceiros”, analisa.

Na avaliação da Fitch, a pressão sobre o fluxo de caixa livre e a liquidez das usinas continuará ao longo dos próximos 12 meses.

A agência também fez comentários sobre a recuperação dos preços do açúcar no mercado internacional e as questões políticas que cercam a política energética brasileira.

“A recuperação dos preços internacionais do açúcar está demorando mais do que o esperado para se materializar, e aumentos nos preços de etanol são incertos”, disse a agência por meio de comunicado.

Moagem afetada

Devido à seca que tem afetado o Centro-Sul, a moagem de cana-de-açúcar deverá cair no ano fiscal de 2015.

A produtividade agrícola também será menor, lembrou a agência, causando uma redução na projeção dos volumes moídos, “o que afetará a diluição de custos fixos e aumentará o patamar dos preços de equilíbrio”.

“O Estado de São Paulo, onde USJ e Tonon concentram suas operações de moagem e a Biosev mantém 55% de sua capacidade instalada, tem sido o mais afetado pela estação especialmente seca”.

A Jalles Machado, que até este ano não tinha tornado públicas suas informações financeiras, não deverá ser afetada, uma vez que suas usinas estão em Goiás, que não enfrenta clima adverso.

Período de queima de caixa

Com uma grande escala de produção e uma diversificada base de ativos, a Raízen conta com um perfil de crédito que a tornará “capaz de atravessar este período de forte queima de caixa”, analisou a agência de classificação de riscos.

Além de destacar a fragmentação do mercado brasileiro de etanol, no qual a Raízen detém uma participação de 11%, a Fitch também fez comentários sobre a rede de distribuição de combustíveis da empresa e sua geração de biomassa.

“O negócio de distribuição (downstream) atualmente responde por cerca de 45% do EBITDA da empresa e por 41% de seu fluxo de caixa das operações (CFFO), o que reduz a volatilidade do fluxo de caixa associada à indústria de açúcar e etanol. A Raízen tem, ainda, forte liquidez — BRL2,3 bilhões em caixa. Seus acionistas, Shell Brazil Holdings BV, subsidiária da Royal Dutch Shell Plc ('AA'), e Cosan S.A Indústria e Comércio (‘BB+’ (BB mais)), fortalecem ainda mais a posição de liquidez da companhia por meio de uma linha de crédito de USD500 milhões”, analisou.

Sensibilidades

A Fitch alertou ainda para a possibilidade de mais rebaixamentos. “O atual nível de queima de caixa e a fraca posição de liquidez das companhias do setor devem resultar em rebaixamentos no curto prazo, caso os preços do açúcar e do etanol não se recuperem rápida e substancialmente”, disse.

Cotações em alta, no entanto, levariam a fluxos de caixa operacionais “mais robustos” e melhorariam as posições de liquidez, “o que geraria ações de ratings positivas”.

“Medidas governamentais que aumentem a demanda por etanol no Brasil ou um aumento do crédito bancário ao setor serão vistas como positivas. Uma política de ajuste de preços de combustíveis transparente, por parte da Petrobras, provavelmente também elevaria a confiança de credores no setor e impulsionaria ações de rating positivas”, avaliou a agência.

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Leonardo Siqueira - NovaCana

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