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Fitch considera que Jalles Machado é estável: entenda como rating da empresa pode subir ou cair

jalles machado 100415Fitch aponta quais indicadores podem levar a mudanças para cima ou para baixo nas notas de avaliação da companhia, além de apresentar o cenário da avaliação e as previsões de investimento na atual safra

NovaCana 7 min de leitura

Enquanto 2015 e os primeiros meses de 2016 representaram para diversas empresas sucroenergéticas o rebaixamento dos ratings pelas agências de classificação de risco – situação incitada tanto pela crise no setor quanto por sucessivos rebaixamentos na nota soberana do Brasil –, a previsão é de que a situação fique mais calma ao longo do ano.

Pelo menos é o que espera a agência de classificação de risco Fitch Ratings. Ainda no ano passado, depois de vários rebaixamentos sem que nenhuma elevação tenha ocorrido dentro das avaliações das companhias sucroalcooleiras, a Fitch já havia apontado uma possibilidade de mudança no quadro geral do setor.

Os primeiros sinais dessa expectativa começam a aparecer – ainda que de forma bastante tímida. No novo relatório elaborado sobre o cenário financeiro da Jalles Machado, a perspectiva dos ratings da companhia foi alterada de negativa para estável.

Diante da possibilidade de estabilidade em suas notas, a Fitch aponta quais indicadores podem levar a mudanças para cima ou para baixo nas notas de avaliação da companhia, além de apresentar o cenário da avaliação e as previsões de investimento na atual safra.  

Enquanto 2015 e os primeiros meses de 2016 representaram para diversas empresas sucroenergéticas o rebaixamento dos ratings pelas agências de classificação de risco – situação incitada tanto pela crise no setor quanto por sucessivos rebaixamentos na nota soberana do Brasil –, a previsão é de que a situação fique mais calma ao longo do ano.

Pelo menos é o que espera a agência de classificação de risco Fitch Ratings. Ainda no ano passado, depois de vários rebaixamentos, sem que nenhuma elevação tenha ocorrido dentro das avaliações das companhias sucroalcooleiras, a Fitch já havia apontado uma possibilidade de mudança no quadro geral do setor.

E os primeiros sinais dessa perspectiva começam a aparecer nas avaliações da agência – ainda que de forma bastante tímida.  No novo relatório elaborado sobre o cenário financeiro da Jalles Machado, a Fitch mudou a perspectiva dos ratings da companhia de negativa (indicando alta probabilidade de um rebaixamento futuro) para estável.  A melhora vem acompanhada da manutenção do rating de probabilidade de inadimplência em B+ e o rating nacional de longo prazo, que se manteve um pouco acima, em A- (o menor nível entre os classificados como de baixo risco).

Pontos de risco: dívidas e fluxo de caixa

Diante da possibilidade de estabilidade em suas notas, a Fitch apontou ainda indicadores que podem levar a mudanças para cima ou para baixo nas notas de avaliação da companhia. A agência entende que ainda existem pontos sensíveis na companhia, os quais poderiam levar a um rebaixamento dos ratings. Um deles seria uma relação entre a dívida líquida ajustada e o Ebitdar (lucros antes de juros, impostos, depreciação, amortização e custos de reestruturação) de 3,5 vezes ou acima. Considerando uma dívida de R$ 1,2 bilhão, conforme registrado em 31 de dezembro de 2015, essa relação estaria em 2,5.

O risco desse número aumentar, contudo, não parece ser alto. “No período de 12 meses encerrado em 31 de dezembro de 2015, as receitas líquidas aumentaram 16% para R$ 625 milhões, e o Ebitdar totalizou R$ 468 milhões, com margem de 75%”, afirma o documento, que ainda completa: “A Jalles Machado oferece uma carteira de produtos diferenciada, que contribui para as margens de Ebitda em uma faixa de 66% a 75%, que se compara favoravelmente à média do setor”.

Outro ponto financeiro observado atentamente pela agência de classificação de risco é a relação entre o caixa e o fluxo de caixa das atividades operacionais (CFFO) em relação às dívidas de curto prazo – nesse caso, a relação não poderia ficar inferior a 1.

Segundo o relatório, o CFFO totalizou R$ 378 milhões em 31 de dezembro de 2015, um valor suficiente para cobrir os R$ 261 milhões de investimentos. “O fluxo de caixa da Jalles Machado foi beneficiado pelos volumes recordes de cana-de-açúcar moída, pelo foco nos produtos de alto valor agregado e por uma abordagem disciplinada em relação aos investimentos”, conclui o documento.

Possibilidades de crescimento: estoques e estratégias de venda

Por outro lado, a Fitch também identificou alguns indicadores que poderiam levar a uma elevação dos ratings. Um deles seria, novamente, a relação entre a dívida líquida ajustada e o Ebitdar. Como visto anteriormente, ao final de 2015, essa relação estava em 2,5. Uma elevação aconteceria quando esse índice estiver em 2 ou abaixo – desde que em bases sustentáveis.

Outra opção seria a companhia apresentar caixa e estoques de produtos acabados a valor de mercado em um montante que representasse duas vezes ou mais o valor da dívida de curto prazo. “A Fitch acredita que a Jalles Machado deverá reportar posição de caixa em torno de R$ 280 milhões e índice caixa/dívida de curto prazo de aproximadamente 1,0 vez em 2016. Isso se compara favoravelmente com a cobertura da dívida de curto prazo pelo caixa, de 0,45 vez, em 31 de dezembro de 2015”, relata o documento.

Ou seja, a empresa ainda estaria tecnicamente distante de uma elevação do rating. Contudo, a Fitch ainda observa que a manutenção de posição de caixa fraca no terceiro trimestre da safra 2015/16 foi, em grande parte, motivada pela estratégia da companhia de formar estoques. “Embora as suas posições de caixa e da dívida de curto prazo tenham totalizado R$ 93 milhões e R$ 317 milhões, respectivamente, a companhia reportou posição robusta de estoques, de R$ 340 milhões a valores de mercado”, enumera.

Dessa forma, a agência acredita que a estratégia “compensou”, pois os preços do açúcar cristal e do etanol aumentaram substancialmente no último trimestre do ano safra de 2016. “Em 2015, a liquidez da Jalles Machado também foi beneficiada pela venda de seus 65% de participação na Codora Energia para a Albioma”, finaliza.

Outra ação que resultaria em um futuro aumento dos ratings é a geração de fluxo livre de caixa (FCF) positivo e em bases sustentáveis. Pelas projeções apresentadas, a Jalles Machado deverá registrar FCF positivo médio de R$ 100 milhões nos exercícios de 2016 e 2017. Ainda segundo o relatório, a Jalles Machado reportou FCF de R$ 106 milhões nos últimos 12 meses encerrados em 31 de dezembro de 2015.

Como esse montante – referente ao lucro operacional, incluindo impostos, antes de qualquer remuneração aos donos de capital – deve permanecer estável, as chances da companhia melhorar seus ratings novamente parecem baixas. A boa notícia é que também não há perspectiva de queda.

Investimentos para a safra 2018/19

O relatório ainda destaca que para a safra 2018/19, a expectativa é que a Jalles Machado realize investimentos na Usina Otávio Lage, localizada em Goianésia (GO). Atualmente, a unidade possui capacidade de moagem de 1,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e a Fitch prevê uma ampliação de quase 30%, fazendo a usina chegar a 2,2 milhões de toneladas.

“A plena capacidade atingida pela Usina Otavio Lage, aliada aos recentes investimentos na expansão da área de colheita e produção agrícola acima da média, deverá assegurar um bom desempenho na moagem para a próxima temporada a se encerrar em 31 de março de 2017”, comenta a análise.

Para a elaboração do relatório, a Fitch considerou o volume de moagem da Jalles Machado como sendo de 4,6 milhões de toneladas – e a agência espera que a companhia consiga manter esse índice nas safras 2016/17 e 2017/18. Também é esperado um mix com poucas alterações, que será beneficiado pelos prêmios elevados para o açúcar orgânico.

Renata Bossle – NovaCana

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