Financeiro

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Financiamento de energia de baixo carbono foi equivalente a 73% do fóssil em 2022


EPBR - Publicado: 15 Dez 2023 - 07:18

O financiamento de projetos de energia de baixo carbono em 2022 representou 73% do volume de recursos disponibilizados pelos maiores bancos do mundo para combustíveis fósseis, de acordo com levantamento da BloombergNEF. Isso significa que, a cada dólar destinado à indústria de óleo, gás e carvão, outros US$ 0,73 financiaram energia de baixo carbono, uma leve queda em relação a US$ 0,75 de 2021.

Divulgado nesta quinta-feira, 14, o documento afirma que o financiamento está fora do ritmo necessário para limitar o aquecimento global a 1,5 °C. No cenário ideal, o apoio bancário a projetos que levarão à descarbonização da matriz energética seria na proporção de 4:1, isto é, a cada dólar aplicado em fósseis, US$ 4 iriam para renováveis.

“A atividade de investimento na economia real alcançou a paridade entre combustíveis fósseis e fornecimento de baixo carbono, crescendo em volume para US$ 2 trilhões em 2022. No entanto, o financiamento facilitado por bancos divergiu”, destaca a BNEF.

A consultoria avalia que a guerra na Ucrânia e a recuperação econômica pós-pandemia ajudaram a alavancar os investimentos em energia no ano passado, mas os aumentos de taxas de juros para combater a inflação, tanto em países ricos como nos de renda média, ajudaram a reduzir os volumes de financiamento.

Além disso, a energia solar em pequena escala já passou a representar 20% dos gastos de capital em baixo carbono. “Como isso não é capturado no financiamento dos bancos ou nas corporações da economia real, acreditamos que contribuiu para a divergência”, avalia o documento.

No ano passado, os bancos desembolsaram US$ 1,7 trilhão para o fornecimento de energia – abaixo dos US$ 1,95 trilhão em 2021 –, dos quais US$ 708 bilhões foram para baixo carbono, ante US$ 851 bilhões em 2021.

Os projetos de geração térmica a carvão receberam US$ 122 bilhões, sendo 76% dentro da China. Isso significa que a proporção de investimento em carvão em relação aos combustíveis fósseis está atualmente em 0,18:1. No cenário de 1,5°C, é preciso diminuir para 0,06:1 nesta década.

US$ 7 trilhões contra a natureza

A reforma de instituições financeiras é uma agenda que ganhou impulso especial desde o final do ano passado, quando a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, lançou a Iniciativa Bridgetown, propondo um novo pacto sobre como os países ricos ajudarão os países pobres a enfrentarem e se adaptarem às mudanças climáticas. A conferência climática das Nações Unidas deste ano (COP28) também trouxe em sua declaração final a ênfase no papel do financiamento na ação climática.

Esta semana, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) publicou um estudo mostrando que US$ 7 trilhões são investidos globalmente, a cada ano, em atividades que têm um impacto negativo direto na natureza. Isto é quase 30 vezes os US$ 200 bilhões aportados para soluções baseadas na natureza (SBN).

Os recursos vêm tanto do setor público quanto privado e equivalem a aproximadamente 7% do Produto Interno Bruto (PIB) global. “As soluções baseadas na natureza estão dramaticamente subfinanciadas. Para ter qualquer chance de alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável, esses números precisam ser invertidos – com os verdadeiros guardiões da terra, como os povos indígenas, entre os principais beneficiários”, defende a diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen.

Ao analisar os fluxos financeiros globais, o relatório mostra que o setor privado gasta US$ 5 trilhões anualmente (140 vezes os US$ 35 bilhões de investimentos privados em SBN). Construção, serviços públicos de eletricidade, imóveis, petróleo e gás, e alimentos e tabaco são as cinco maiores investidoras em projetos associados à destruição de florestas, áreas úmidas e outros habitats naturais, representando 43% do total. Em compensação, representam 16% do total de fluxos de investimento na economia.

O relatório destaca ainda que os gastos governamentais com subsídios prejudiciais ao meio ambiente em quatro setores – agricultura, combustíveis fósseis, pesca e silvicultura – são estimados em US$ 1,7 trilhão em 2022.

Nayara Machado