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Fim da queima da cana provocará 280 mil demissões no NE, diz entidade


Valor Econômico - Publicado: 24 Abr 2013 - 14:18 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
A proibição da queima da cana-de-açúcar na região Nordeste do país poderá levar à demissão de 280 mil trabalhadores rurais, segundo cálculos da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida). A entidade apresentou o número durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal, nesta semana.

O órgão de classe defende uma transição da legislação compatível com a realidade de adaptação do setor. O prazo defendido pelos canavieiros é de no mínimo 15 anos para a lei passar a valer.

"O fim da queima inviabiliza mais de dois terços da cultura na região", disse o presidente da Unida, Alexandre Andrade Lima. Segundo ele, a eliminação das queimadas de canaviais localizados em pequenas propriedades e áreas com declividade superior a 12 graus aumentará o desemprego e inviabilizará grande parte das pequenas e médias propriedades.

A prática, disse a entidade, é indispensável nas áreas com declives médios porque as máquinas são incapazes de realizar a ação. Apenas 31% dos canaviais nordestinos apresentam área plana.

Embora seja responsável por 12% da produção de cana no Brasil, o Nordeste emprega 35% de toda a mão de obra nele ocupada. "É preciso sensibilidade para evitar um caos na região, principalmente, porque a maioria dos trabalhadores é analfabeta e terá dificuldade de ser reaproveitado em outros setores", diz Lima. Além do mais, lembra o dirigente, a colheita mecanizada ainda está longe de se tornar uma realidade compatível com a topografia acidentada da região.

Bettina Barros