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Filipinas entram em emergência energética e crise do petróleo se espalha pelo mundo


RFI - Publicado: 25 Mar 2026 - 08:06 | Atualizado: 25 Mar 2026 - 09:02

A guerra no Oriente Médio começa a produzir efeitos cada vez mais amplos sobre o mercado global de energia, reacendendo temores de uma crise do petróleo semelhante às que marcaram décadas anteriores.

A pressão sobre o abastecimento, os custos crescentes e o risco de rupturas nas cadeias internacionais já se fazem sentir em diferentes continentes. As Filipinas declararam nesta terça-feira, 24, estado de “emergência energética nacional” devido aos riscos ao abastecimento de combustível e à estabilidade da matriz energética do país.

O conflito no Oriente Médio desencadeou uma volatilidade que afeta tanto países com alta capacidade de absorção econômica quanto nações cuja dependência energética as deixa expostas a impactos imediatos. Da Europa ao Sudeste Asiático, governos se veem obrigados a adotar medidas emergenciais, a rever políticas energéticas e até a alertar a população para a possibilidade real de escassez.

Na França, o ministro da Economia, Roland Lescure, soou um dos alertas mais contundentes até agora. Segundo ele, o conflito está desencadeando “uma nova crise do petróleo” e, caso persista por mais algumas semanas, poderá se espalhar “de forma mais abrangente na economia e se tornar, no fundo, de natureza mais sistêmica”.

A avaliação reflete não apenas a volatilidade nos preços internacionais, mas também o risco de prolongamento da instabilidade em uma região que concentra boa parte do fornecimento mundial de petróleo e gás.

A tensão também se reflete do outro lado do planeta. Nas Filipinas, o presidente Ferdinand Marcos declarou nesta terça-feira estado de “emergência energética nacional”, citando riscos imediatos ao abastecimento de combustível e à estabilidade da matriz energética.

No decreto, ele destaca que o conflito no Oriente Médio representa um “perigo iminente” à segurança energética filipina, em um contexto em que a economia do arquipélago é historicamente vulnerável a choques externos no setor.

Preços em alta

Se em países desenvolvidos o impacto se manifesta em incertezas e projeções alarmantes, em economias emergentes a crise já se traduz em medidas concretas e dolorosas.

Bangladesh, que importa 95% de suas necessidades de petróleo e gás – principalmente dos países do Golfo –, foi forçado a anunciar um aumento de 79% no preço do querosene de aviação nesta terça-feira. Desde o início do conflito, o acúmulo da alta chega a 111%, segundo a Comissão de Regulação Econômica de Bangladesh.

Com o fornecimento interrompido e a necessidade de racionar a distribuição, o país enfrenta um choque energético que afeta diretamente sua população de 170 milhões de habitantes.

O governo justifica os reajustes como consequência inevitável da escalada dos preços internacionais. “Tivemos que reajustar o preço do querosene de aviação pela segunda vez devido à alta dos preços no mercado global”, declarou o presidente da Comissão Reguladora de Energia de Bangladesh (Berc), Jalal Ahmed.

O impacto, porém, ultrapassa o setor aéreo. A Associação de Agências de Recrutamento Internacional de Bangladesh (Baira) alerta para consequências sociais severas, especialmente para os milhões de trabalhadores migrantes bengaleses que dependem de voos frequentes para o Oriente Médio.

Com a queda do tráfego aéreo e o aumento das tarifas, muitos estão pagando valores que se tornam progressivamente inviáveis. “Este aumento nos preços do querosene é mais um golpe para esse setor”, lamentou o presidente da Baira, Shamim Ahmed Chowdhury Noman.

Na avaliação da Associação de Operadores Aéreos de Bangladesh, porém, a medida é “injustificada”. As empresas alegam que não há risco de escassez imediata de combustível e que o reajuste penaliza desnecessariamente o setor aéreo e seus usuários.

Enquanto isso, o preço internacional do petróleo segue sob tensão e a perspectiva de uma crise sistêmica, como advertiu o governo francês, ganha força. Se o conflito persistir, as próximas semanas poderão definir a resiliência dos sistemas energéticos nacionais e a estabilidade econômica global, em um cenário que coloca o petróleo no centro das turbulências internacionais.

Com informações de agências