Sócio de estruturação agro da empresa, Lucas Burin explica que o BNDES será um dos investidores do fundo; a princípio, até 15 projetos podem ser beneficiados
No final de 2022, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) selecionou 11 parceiros para um modelo de financiamento chamado blended finance, esquema que reúne diferentes fontes de recursos e de instrumentos financeiros. Os projetos precisavam ser de programas nas áreas de bioeconomia florestal, economia circular e desenvolvimento urbano.
Dentro da categoria de economia circular, a FG/A Gestora foi uma das selecionadas. Assim, a companhia será garantidora de um fundo voltado para o biogás, com financiamentos voltados para pequenas e médias empresas por dois anos.
No momento, a FG/A está aguardando uma liberação do banco para poder definir como os recursos serão utilizados. As conversas para tais definições devem ocorrer nos próximos meses.
O NovaCana conversou com exclusividade com o sócio de estruturação agro da empresa, Lucas Burin, para entender como o fundo de investimento deve funcionar. “A iniciativa tem o objetivo de fomentar projetos de biogás que tenham desafio de estrutura de garantia. Assim, eles podem sair do papel e se financiar depois que o projeto estiver pronto”, explica.
Confira a entrevista na versão completa (restrita aos assinantes do NovaCana).
No final de 2022, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) selecionou 11 parceiros para um modelo de financiamento chamado blended finance, esquema que reúne diferentes fontes de recursos e de instrumentos financeiros. Os projetos precisavam ser de programas nas áreas de bioeconomia florestal, economia circular e desenvolvimento urbano.
Dentro da categoria de economia circular, a FG/A Gestora foi uma das selecionadas. Assim, a companhia será garantidora de um fundo voltado para o biogás, com financiamentos voltados para pequenas e médias empresas por dois anos.
No momento, a FG/A está aguardando uma liberação do banco para poder definir como os recursos serão utilizados. As conversas para tais definições devem ocorrer nos próximos meses.
O NovaCana conversou com exclusividade com o sócio de estruturação agro da empresa, Lucas Burin, para entender como o fundo de investimento deve funcionar. “A iniciativa tem o objetivo de fomentar projetos de biogás que tenham desafio de estrutura de garantia. Assim, eles podem sair do papel e se financiar depois que o projeto estiver pronto”, explica.
A seguir, leia a entrevista completa.
Como funcionou o processo de aplicação do projeto de fundo junto ao BNDES?
Foi uma iniciativa conjunta com a Abiogás [Associação Brasileira do Biogás]. A ideia de um fundo garantidor privado surgiu na associação e eles foram selecionados pelo Delab, que é uma instituição internacional aceleradora de iniciativas ESG [ações de governança ambiental, social e corporativa] e contou com a assessoria deste órgão. Eles desenharam o que seria a proposta do fundo garantidor. Em seguida, abriram um edital para contratação da gestora e a FG/A foi selecionada para isto. Já existem vários fundos garantidores no Brasil, como FGI [Fundo Garantidor para Investimentos] e FGC [Fundo Garantidor de Créditos], mas todos são ligados ao governo e cada um tem regras próprias. A ideia é trazer ao mercado um fundo garantidor privado; é uma ideia inédita em que o fundo vai captar recursos. O BNDES aprovou ser um dos financiadores dentro da linha de blended finance em que fomos selecionados. Junto com o BNDES, estamos olhando outros potenciais investidores para compor esse rol de passivo do fundo.
Qual vai ser o valor do fundo e como ele deve funcionar?
Estamos falando, inicialmente, de um fundo de R$ 300 milhões. Ele vai investir em títulos públicos – é um fundo de renda fixa no seu conceito – e vai ceder esses títulos como garantia para bancos financiarem alguns dos projetos selecionados, todos exclusivamente de biogás. Apesar de ser um fundo que vai investir em renda fixa, esses ativos vão servir como garantia para que bancos como o BNDES ou até entidades comerciais, como Itaú, BMG etc., possam financiar projetos de biogás que não conseguem se autofinanciar por conta de estrutura de garantia. A ideia do fundo é destravar projetos selecionados para que eles possam superar esse período pré-operacional, que é a construção da planta de biogás. Em um segundo momento, a própria planta vai servir como garantia para o banco que está financiando. Com isso, libera o ativo do grupo para alocar em outros projetos.
Como funcionam os prazos dos projetos?
Cada projeto deve durar, mais ou menos, dois anos, que é o período de construção. Nesse período, é possível mudar e alavancar outros projetos. Dentro dessa estrutura de R$ 300 milhões, a ideia é financiar de 10 a 15 projetos e ter uma rotatividade, criando uma alavancagem bacana e fomentando diversas plantas de biogás. O que nos levou a sermos classificados pelo BNDES para esse recurso de blended finance é o fato de o biogás ser um produto que se enquadra 100% no conceito de economia circular. Tem a utilização do resíduo que vira o biogás, que pode gerar energia ou servir para movimentar caminhões ou até ser usado nas residências, com empresas que colocam o biometano no grid. Por conta desse ganho socioambiental, o nosso projeto foi selecionado.
Em que fase vocês estão para a criação do fundo?
A etapa em que estamos agora foi uma primeira aprovação do BNDES; eles ainda não detalharam o volume que cada empreendimento aprovado vai receber. Estamos aguardando essas formalizações. O BNDES será como uma âncora para trazemos outros financiadores filantrópicos ou comerciais. Estamos falando com bancos multinacionais, instituições filantrópicas e bancos comerciais para compor os R$ 300 milhões. Em paralelo, junto com a Abiogás, estamos olhando o pipeline de projetos. Uma vez que o fundo estiver captado, eles serão financiados por bancos que usarão os ativos do fundo como garantia. Nós já temos um pipeline inicial e isso vai ser atualizado conforme o tempo passa. Serão empresas de vários setores: estamos olhando resíduos sólidos, laticínios e vários setores que se enquadram, assim como açúcar e etanol.
“O BNDES é o primeiro passo. Trazendo os investidores, o fundo deve ser formalizado ainda no primeiro semestre deste ano”, Lucas Burin (FG/A Gestora)
Quais são os resultados esperados por vocês?
Conforme um estudo que fizemos, considerando que o fundo tem um prazo inicial definido em dez anos e que podemos falar em 15 projetos, renovados a cada cinco anos, estamos falando de 75 projetos ao longo do período. Teremos inúmeros ganhos do ponto de vista socioambiental, com captura de carbono e geração de empregos diretos e indiretos.
Quais outros projetos estão no radar da FG/A?
Essa iniciativa do fundo é da FG/A Gestora. Temos o braço de consultoria, em que assessoramos usinas e empresas para conseguirmos recursos para implementar projetos. Na parte de consultoria temos um histórico vasto em projetos verdes, desde produção de energia a biomassa, que são usinas que produzem a partir do bagaço. Isso começou na empresa em 2008 e tem inúmeros projetos que apoiamos na busca por financiamento. Atualmente, estamos buscando recursos para projetos solares; temos uns quatro em andamento. Além disso, o biogás tem um projeto público, em que nós assessoramos o empreendedor a conseguir o financiamento no BNDES enquadrado no Fundo Clima, que é um financiamento super vantajoso para esse tipo de iniciativa.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana