
Marina Silva durante sua visita a Fenasucro em 2010
Vista com desconfiança pelos representantes do agronegócio, a nova candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, visita hoje (28/) a Feira Internacional do Setor Sucroenergético (Fenasucro), em Sertãozinho, e amanhã (29) tem um encontro marcado com líderes ruralistas.
Esta é a terceira vez que Marina visita a feira, a primeira vez foi em 2007, quando ainda era ministra do Meio Ambiente. Ela voltou a feira como candidata a presidente em 2010.
Desde que assumiu a cabeça da chapa, após a morte de Eduardo Campos em um acidente aéreo no último dia 13, Marina escalou aliados para entrar em contato com representantes do setor.
Um deles é o ambientalista João Paulo Capobianco, que tem buscado nomes para conversar. Outro é o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), que foi escolhido como vice da chapa. O nome dele, inclusive, foi visto como um sinal de que ela estaria disposta a buscar o diálogo com o agronegócio. Beto tem bom relacionamento com empresários gaúchos do ramo, principalmente produtores de celulose e cereais.
Outra sinalização que agradou ao setor foi o fato de ela já ter afirmado publicamente que vai cumprir as propostas que Campos apresentou durante a sabatina realizada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) no início de agosto. A postura demonstra uma mudança significativa em relação a 2010, quando ela era candidata do PV e nem sequer compareceu ao evento.
O encontro marcado para amanhã, organizado pelo presidente da Datagro Consultoria, Plínio Nastari, deve ser mais amplo e reunir representantes das principais entidades do agronegócio brasileiro. Ex-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank é um dos nomes que confirmaram presença no encontro.
O executivo está à frente da BRF - Brasil Foods e diz que se aproximou dos marineiros nos últimos três anos. Segundo ele, a reunião servirá para mostrar que há "muita convergência entre as ideias de Marina e o agronegócio".
Posição de Marina em 2010
Em sua fala para os produtores de etanol durante a Fenasucro em 2010, a então candidata do PV defendeu que o Brasil precisa achar uma nova narrativa para esse produto, intensificando a boa propaganda que já faz em outros países. "O Brasil precisa assumir esse desafio de transformar o etanol em uma commodity."
Na época o setor passava por um outro momento e, na visão da presidenciável, o governo deveria criar incentivos econômicos para ampliar a base de produção de etanol a partir de práticas sustentáveis. Para Marina, o país deve encabeçar a busca pela certificação da mesma forma que hoje há o certificado FSC para o setor florestal.